quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

7 Crítica: Avatar

Avatar
(Avatar, 2009)






Por Mateus Souza

O canadense James Cameron já entrou para a história do cinema. Quando lançou “O Exterminador do Futuro” e sua seqüência “O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final”, chocou com suas ótimas cenas de ação e efeitos surpreendentes para a época. A seguir, com “Titanic”, um projeto que parecia fadado ao fracasso – o filme custou mais de 200 milhões para ficar pronto, estourando o orçamento inicial –, conseguiu nada mais nada menos que 600 milhões de dólares em bilheteria nos Estados Unidos e 1,85 bilhões no resto do mundo, ganhando, ainda, 11 Oscars no ano de 1998, se igualando a “Ben-Hur”.

Agora, 12 anos após Titanic, Cameron chega com Avatar, prometendo revolucionar a indústria do cinema com a sua nova tecnologia de câmeras – desenvolvida pelo próprio Cameron, em quase dez anos de pesquisa – e com o uso do 3-D estereoscópico.

A trama de Avatar se passa no futuro, no qual Jake Sully (Sam Worthington), um ex-militar paraplégico, é levado a outro planeta, Pandora, habitado pelo povo Na´vi, raça humanóide com língua e cultura próprias. É nesse lugar que ele lutará pela própria sobrevivência e pela vida dessas estranhas criaturas.

O visual do mundo novo criado por Cameron é algo impressionante. As plantas, os animais, os Na´vis – as criaturas azuis que habitam o planeta –, tudo, tudo aquilo que vemos parece muito, muito real. O trabalho que Cameron e Peter Jackson (de King Kong e da Trilogia do Anel) – os dois trabalharam juntos na produção de efeitos especiais do filme – é estonteante. Podemos perceber (em uma sala de cinema adequada, é claro) os poros da pele dos Na´vis, reflexos nos vidros dos aviões e tantos outros detalhes que nos fazem esquecer que tudo aquilo que estamos vendo não existe de verdade.

A história do filme é fraca. Cameron nunca foi muito bom de diálogos. Ele prefere jogar seguro, usando a velha história do “homem civilizado” que entra em contato com os “salvagens”, se apaixona por uma nativa e, numa futura guerra entre os povos, prefere ficar do lado dos novos amigos – sim, você já viu isso em “Pocahontas” e em “O Último Samurai”.

Isso, porém, é menor perto da experiência sensorial que o filme proporciona, nos jogando para dentro daquela terra selvagem, usando o 3-D de forma inteligente, como importante elemento narrativo. As cenas de ação são de tirar o fôlego e, mesmo em meio a todo aquele caos – a última batalha deve ter quase vinte minutos de duração –, nos situamos muito bem, sabendo onde cada personagem está naquele momento e o que está fazendo.

O trabalho dos atores também é muito bom, apesar de trabalharem com personagens estereotipados e algumas vezes caricatos – o Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), por exemplo. Nomes como Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, além do protagonista Sam Worthington também compõem o elenco.

Com Avatar, James Cameron finca de vez seu nome na história do cinema, talvez não pela sua filmografia mas pela nova tecnologia que desenvolveu. Avatar pode ser fraco quando se fala em estrutura de roteiro e de personagens, mas não a ponto de prejudicar o espetáculo que o filme é.

domingo, 1 de novembro de 2009

3 Crítica: Watchmen - O Filme

Watchmen - O Filme
(Watchmen, 2009)






Por Mateus Souza


Por muitos considerada uma das mais importantes história em quadrinhos, Watchmen – grafic novel lançada na década de oitenta, a partir do roteiro de Alan Moore e dos desenhos de Dave Gibbons – chegou aos cinemas causando um misto de sentimentos em seus inúmeros e apaixonados fãs.

Um deles era a sensação de pura empolgação por ter, agora, a oportunidade de ver nas telonas tudo aquilo lido e adorado, ver aqueles personagens ganhando vida. E o outro, o medo de que acontecesse com Watchmen o mesmo que aconteceu às outras obras de Alan Moore: uma adaptação para o cinema pífia e sem a essência da obra original.

A história, que, até aqui, já deve ser de conhecimento de todos, “se passa em outubro de 1985, nos EUA, numa época marcada pela Guerra Fria e o iminente conflito nuclear entre o país e a União Soviética. O violento assassinato de Edward Blake (Jeffrey Dean Morgan) faz com que histórias esquecidas no passado venham à tona. Conhecido como Comediante, Blake fez parte de dois grupos de combatentes do crime que atuavam fantasiados pelas ruas dos EUA.

Os Minutemen foram formados em 1940; a segunda geração, os Watchmen, atuou até 1977, quando foi criada a lei Keene, que tornava ilegal a atividade de justiceiros mascarados. O assassinato do Comediante faz com que os personagens voltem a se reunir a fim de descobrir que tipo de conspiração é essa que levou ao crime.”

O escolhido para assumir a responsabilidade de não decepcionar (enfurecer) uma legião de fãs foi Zack Snyder, que em seu trabalho anterior, 300, uma outra adaptação de grafic novel, foi muito bem sucedido.

Snyder, como fã, mostrou um grande respeito pela obra original, sendo extremamente fiel, à medida que fazia algumas mudanças necessárias para o andamento do filme; tudo isso, claro, sem deixar de colocar suas marcas como diretor – como a câmera lenta que rapidamente acelera nas cenas de ação e sangue, muito sangue.

Apesar das mudanças feitas por Snyder e a dupla de roteiristas David Hayter e Alex Tse – como a supressão de algumas sub-tramas e, até mesmo, a mudança de um importante elemento do final –, o filme tem uma forte linguagem de revista em quadrinhos. Por exemplo, os muitos flashbacks, que para os fãs, como eu, não incomodam nem um pouco, mas, para aqueles que nunca tiveram acesso ao material de Watchmen, podem parecer confusos e enfadonhos.

O elenco, que não possui nenhuma grande estrela, está muito bem, de forma geral. Com destaques para Jackie Earle Haley, que vive o soturno e perturbado Rorschach, e consegue ser, ao mesmo tempo em que é cruel e impiedoso, carismático e cativante; e Jeffrey Dean Morgan, que dá vida ao amoral Comediante, passando bem, apesar do pouco tempo em tela, a dicotomia que representa tal personagem.

Visualmente o filme é excepcional. Com um visual sombrio e taciturno, retrata bem o clima da história. Vale também destacar o visual do Dr. Manhattan, personagem vivido por Billy Crudup, que é totalmente feito por computação gráfica. A trilha sonora é outro elemento que merece destaque. Recheada de músicas pop e muito bem adequadas às cenas, ameniza o clima tenso que acompanha toda a trama.

Watchmen – O Filme derruba o status de inadaptável da tão aclamada HQ de Alan Moore e por sua fidelidade a obra original deve agradar à maioria dos fãs, apenas fãs, porém.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

2 Críticas: 500 Dias com Ela

500 Dias com ela
((500) Days of Summer, 2009)








Por Mateus Souza

Existem alguns filmes que nós, antes mesmo de assistir, já gostamos. Confesso que com (500) Dias com Ela foi isso o que aconteceu comigo. Ao ver o trailer, os protagonistas, o tema central da trama já concluí: vou gostar desse filme.

Dirigido pelo “clipeiro” Marc Webb, (500) Dias com Ela conta a história de Tom, vivido pelo jovem e mistura de Orlando Bloom e Heath Ledger, Joseph Gordon-Levitt, um escritor de cartões comemorativos que procura um grande amor e Summer, a simpaticíssima Zooey Deschanel (de Sim Senhor! e Quase Famosos), que representa o justamente o contrário: alguém que não acredita nos relacionamentos amorosos e muito menos em um grande amor.

O roteiro escrito em conjunto por Scott Neustadter e Michael H. Weber é extremamente divertido, mostrando o rumo do relacionamento do casal principal de forma picotada e não-linear, apresentando, a cada situação, o dia, dos 500 do título, correspondente.

Tal artifício – muito bem usado por Webb, acostumado a histórias curtas, por seu trabalho em videoclipes – não é gratuito, ele serve para mostrar para o espectador o quão instável e incerta era, para Tom, a relação com Summer, pois alterna os momentos bons e ruins, tirando de quem assiste a idéia de continuidade da relação.

Gordon-Levitt está perfeito no papel, é impressionante como o ator é dotado de um imenso carisma. Na segunda metade do filme – quando começamos a sair da comédia e entramos fundo no drama –, ele consegue levar o espectador junto de si para a tristeza em que o personagem afunda.

Zooey Deschanel, que, além de atriz, canta na banda She and Him, consegue ser, ao mesmo tempo em que é a antagonista, adorável e cativante. O que é de grande importância, pois, sem isso, o filme não funcionaria.

500 Dias com Ela é, claramente, um dos "filhos" de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen. A forma leve, mas não superficial, e bem-humorada com que os relacionamentos amorosos aqui são vistos são facilmente identificáveis com a obra-prima de Allen. Webb, porém, não deixa o filme parecer uma cópia, mantendo a originalidade, como na cena - divertidíssima, por sinal - em que a tela é dividida em duas, mostrando a realidade e as expectativas do personagem principal, em uma sutil referência à cena de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, onde, junto das falas, vemos o que os personagens estão pensando.

Em sua obra-prima, Woody Allen conclui que, apesar de quase nunca funcionarem e só trazerem problemas, os relacionamentos amorosos são necessários. Aqui, fica a dúvida se a conclusão da trama penderá para a maneira de pensar de Tom ou a de Summer – que, a essa hora, já pensam de maneira inversa –, ou se chegará a um meio-termo, igual à conclusão de Allen.

Ao fim, Tom percebe que sua concepção de grande amor era incorreta, não podemos atribuir um significado tão profundo a um simples acontecimento humano, mas aquela visão tão cética e pessimista de Summer também não era certa. Os relacionamentos e os grandes amores, sem grandes atribuições, simplesmente, como obra do acaso, acontecem ou não.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

16 Atores Parecidos

O caso Bill Murray x James Belushi ainda intriga muita gente...

É impressionante como alguns atores são fáceis de confundir. Chamamos fulano pelo nome de beltrano e beltrano pelo nome de fulano, atribuímos determinado papel a um, quando, na verdade, quem o fez foi o outro. Até mesmo os mais aficionados por cinema são atingidos por esse mal. Um único cochilo e lá está você, achando que O Talentoso Ripley foi feito por Mark Wahlberg.

Um exemplo clássico desse fenômeno é o caso "Bill Murray-James Belushi" (clique nos nomes e veja as imagens). É impressionante, 8 a cada 10 pessoas confundem esses dois atores. Acham que Belushi estrelou Caça-Fantasmas e que Murray foi o protagonista de K-9: Detetive Particular, ao lado do inesquecível Jerry Lee, ou pior: acham que os dois são a mesma pessoa. Confesso que no início, quando ainda acompanhava cinema com menos dedicação, acreditava que os dois eram apenas um.

Um caso curioso é o de Adam Sandler e Ben Stiler. Os dois não são fisicamente parecidos, mas, por estrelarem filmes do mesmo gênero, causam bastante confusão.

Tem também o caso de Mark Walhberg, de Boogie Nights - Prazer Sem Limites, e Matt Damon - da trilogia Bourne. Os dois são facilmente confundidos e tiveram de drasticamente diferenciar o penteado, para que não causasse confusão em que os via em Os Infiltrados.

E quem trabalhou ao lado de Stallone, em Tango e Cash? Kurt Russel ou o recém-falecido Patrick Swayze?

Entre as mulheres, tem o caso, não tão forte e que só acontece aos mais distraídos, de Natalie Portman e Keira Knightley - que, para mim, não vale, pois beleza como a da Natalie Portman igual não tem.

Tem, também, a incrível semelhança entre as espanholas Paz Vega - do interessante Espanglês - e a queridinha do Almodóvar, Penélope Cruz - não sei qual das duas é a mais linda.

Pode ser que para alguns esses nomes não causem confusão, a maior parte deles já não causam em mim, mas tenha certeza que tais atores, pelo menos uma vez, já foram confundidos por algum fã de cinema.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

3 Crítica: Up - Altas Aventuras

Up - Altas Aventuras
(Up, 2009)





Me pego, ao escrever algo sobre esse filme, numa difícil tarefa de transcrever a quantidade de sentimentos e emoções transmitidas por essa obra-prima da Pixar. UP não é só inovador, bem-feito e carismático, é um filme de mensagens, de emoções, é um filme que contem todos os ingredientes para uma boa ida ao cinema, para um bom final de semana, para passar com a família, enfim, é um filme que agrada a gregos e troianos, não há como não simpatizar pela rabugice de Carl Friedericksen em contraste com a meninice e inocência de Russel. Vale também lembrar do curta maravilhoso que passa antes do filme, Parcialmente Nublado: bem feito e engraçado, além de passar uma bela mensagem de amizade.

O filme começa com a infância de Carl (que na versão dublada em português está na voz do ótimo Chico Anysio) e sua idolatria a Charles Muntz, explorador da natureza. No começo é onde se passam as cenas mais belas do filme, onde o garoto Carl encontra a menina que se torna o amor de sua vida, Ellie, a cena passa por toda a trajetória deles e o sonho de viajar à América do Sul, para o paraíso das cachoeiras. A cena toda é musicada e sem nenhum diálogo, passando por todas as alegrias e tristezas do casal até que a morte os separa, então, Carl se torna um homem amargo, carrancudo, sem sorte na vida e sem ter realizado o sonho de sua amada. Logo, o menino Russel, um escoteiro, aparece na sua vida querendo prestar alguma ajuda, sendo então dispensado pelo mesmo. E quando Carl é obrigado a ir para um asilo por ordem judicial, ele tem a idéia de inflar centenas de balões acima da sua casa e fazê-la voar até à América do Sul, onde poderá então realizar o sonho que tinha com sua esposa, no entanto, Russel acaba indo junto a ele sem querer, e é aí onde aventura começa.

O que mais me deixa satisfeito com as animações da Pixar em geral, é que hoje em dia os filmes não são unicamente pensado nas crianças, o modo como a história é desenvolvida é tal que as crianças não perdem o raciocínio nem os adultos achem cansativa. Mesmo as piadas são feitas para que ambos os públicos, as crianças (público alvo) e os adultos que as levam (público secundário) entendam e riam da mesma maneira. É uma maneira bastante evoluída de como o cinema está sendo tratado, principalmente as animações, gênero tão desvalorizado. Porém, mesmo com essa desvalorização do cinema animado, UP é o perfeito exemplo de como esses filmes podem mostrar valores e mensagens de uma forma que muitos filmes com atores reais e cenários reais não conseguem. Em uma época em que os filmes tendem a apelar para o lado instintivo do público (com cenas de sexo, violência e afins, sem querer generalizar, claro), são filmes como UP que mostram que as idéias estão sendo constantemente reavaliadas e colocadas de modo divertido e inovador, vide a tecnologia 3D que vai povoando as salas.

No mais, UP é, sem dúvidas, a melhor pedida de qualquer final de semana para toda a família e para todas as idades, não apenas por se tratar de um filme divertido, mas pela bela mensagem e pela grande produção da Pixar que novamente se supera.

domingo, 23 de agosto de 2009

2 Crítica: Dragonball Evolution

Por Mateus Souza






Dragonball Evolution
(Dragonball Evolution, 2009)

Mais uma adaptação de Quadrinhos chega às salas de cinema, dessa vez, porém, não é uma HQ americana, é um mangá, as histórias em quadrinhos do Japão. Apesar da origem nipônica de Dragon Ball – que teve seu nome mudado para Dragonball, no filme – , a produção é ocidental, e, avaliando o histórico de produções orientais reproduzidas sob a óptica ociental , esse aspecto se torna assustador.

Dragon Ball é uma famosa série de mangás, criada po Akira Toriyama, lançada entre 1984, em 42 volumes. De enorme sucesso no Japão e no mundo, a saga foi transformada em anime – animações japonesas – e repetiu o sucesso nas telas. Repleto de elementos fantásticos, com forte influência dos mitos japoneses e chineses, o mundo de Dragon Ball é mágico. A obra de Akira Toriyama deve, acima de tudo, ser respeitada por tudo que representou e representa. E foi justamente esse respeito que faltou por parte dos produtores do filme.

Nos mangás, Goku é um garoto com rabo de macaco que fora achado na Terra por um velho senhor, que o criou e foi transformando aquele rude garoto em uma pessoa melhor, entretanto, acidentalmente Goku acaba matando seu avô adotivo. É aí que ele conhece Bulma, uma linda garota, que conta-lhe a respeito das Dragon Balls, esferas mágicas, que, reunidas, libertam um dragão capaz de realizar um desejo. Os dois saem a procura de tais esferas, participando, no caminho, de grandes aventuras.

O filme, no entanto, esquece toda a mitologia de Dragon Ball, esquece sua história original, que, sem dúvida sofreria alterações na passagem às telas de cinema, mas, se houvesse respeito, mantendo sua essência, suas características centrais, mantendo aquela magia e inocência que tornou Goku e seus amigos sucesso absoluto. Isso, porém não foi feito, e basta analisar a sinopse presente na novelização do roteiro para concluir que o resultado seria bem distante da obra original: "Goku pensava ser um estudante normal de colegial, até que descobriu possuir dons de artes marciais com todos os tipos de poderes malucos. Agora ele e seu novo grupo de jovens guerreiros estão numa jornada para achar as esferas antes que ela caiam em mãos erradas. Mas elas talvez já estejam! Goku deve combater o malvado e lunático Piccolo com todo seu poder para salvar o planeta Terra.".

Independentemente de ser uma péssima adaptação, o filme é ruim. O roteiro, escrito por Ben Ramsey é uma piada, a maneira como a história acontece é corrida e superficial, não temos tempos de conhecer os personagens e muito menos suas aspirações, alguns, de tão superficiais, chegam a ser inúteis à trama – é o caso de Yancha. Algumas informações assaz necessárias são ignoradas, a meneira como o vilão Lorde Piccolo – um dos mais ridículos do filme – foge de seu aprisionamento mágico é explicada com um “de alguma forma que eu não sei explicar”, vindo do Mestre Roshi, que, apesar de interpretado pelo talentoso Yun-Fat Chow, é um dos personagens que mais deixa a desejar.

Icônico na série, Mestre Roshi tem sua essência cruelmente deturpada, aquele ar de “velho tarado” é reduzido a apenas duas rápidas cenas. Justin Chatwin – o Goku – não tem carisma algum, característica tão forte no garoto com rabo de macaco, e fracassa nas cenas um pouco mais dramáticas. Se algum elogio pode ser feito ao elenco, esse vai às garotas. Emmy Rossum – a Bulma – e a linda Jamie Chung, intérprete de Chi Chi, o par romântico de Goku, apesar de prejudicadas pelo roteiro – assim como todo o elenco - , parecem bastante dedicadas, empolgadas com o filme.

O diretor James Wong faz de Dragonball Evolution um trabalho mais desastroso que o seu O Confronto, que, ao menos, possuía lutas interessantes. As de Dragonball, porém, são limitadíssimas, com efeitos pobres e cafonas, típicos de seriados televisivos, não proporcionam a diversão que as lutas do mangá/anime proporcionavam.

Todos esses defeitos foram claramente refletidos na bilheteria do filme, em sua estréia, no Japão, não chegou nem a liderar, ficando atrás de uma outra adaptação de animê, Yatterman essa, porém, de produção nacional, e no restante do mundo o resultado não foi muito diferente.

Enfim, Dragonball Evolution, como adaptação, leva consigo pequenos elementos da obra original, os fãs devem encará-lo como um universo alternativo ao de Dragon Ball, assim como sugeriu o autor Akira Toriyama. Como filme, um completo desastre, corrido e sem espaço para um desenvolvimento aceitável. Como disse Érico Borgo, do site Omelete, “É o ocidente matando a cultura oriental.”

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

0 Crítica: O Contador de Histórias

O Contador de Histórias
(Contador de Histórias, O, 2009)







Por Eduardo Porto


Costumava dizer que as produções nacionais se davam melhor quando colocavam nas telas a realidade brasileira, porém, hoje me pego pensando que esse pensamento é algo exagerado, como posso afirmar tal coisa se esta mesma realidade difere tanto? Ora, qual é a realidade para os otimistas ou pessimistas? Quais destes são mesmos realistas? Quem pode dizer categoricamente a realidade em que vivemos? A continentalidade do Brasil nos impede de generalizar até mesmo entre as camadas sociais. Como poderíamos dizer qual foi a realidade de Roberto Carlos Ramos? Não gosto de repetir palavras, mas em O Contador de Histórias a palavra chave para descrever tal filme é esta: realidade.

Na década de 70, no auge da ditadura militar, milhares de crianças eram mandadas pelos seus pais, todos de famílias carentes, para a FEBEM na esperança de que lá eles tivessem educação, moradia e uma garantia de futuro melhor. No entanto a realidade que se via era bem diferente: surras, má-alimentação, displicência e até mesmo negligência com as crianças, tudo era empurrado com a barriga e em um descaso sem tamanho. Nem mesmo as pessoas que tinham boa vontade em cuidar das crianças podiam fazer alguma coisa, ficavam de mãos atadas e esperavam por uma alma boa cuidar delas.

E foi o que aconteceu com Roberto. Após fugir e ser recapturado mais de cem vezes das ruas, ele conhece Marguerith (Maria de Medeiros, siga seu destaque mais embaixo) e, mesmo após muita luta, ela acaba adotando-o. A partir daí o filme passa a ser sobre a superação do garoto ao enfrentar o preconceito racial (a belíssima cena do estádio de futebol ilustra isso), o anafalbetismo e também a volta as ruas. Roberto passa a evoluir como pessoa e ao mesmo passo em que essa história é bem contada, acompanhamos o seu crescimento de um forma diferente que outros filmes mostram. As cenas onde ele aprende a ler, contar e até aprender francês, são colocadas de uma forma que o espectador entenda bem o que está acontecendo, não em uma sequência de cenas com fundo musical alegre, no filme, o espectador cresce junto com Roberto.

Logicamente, num filme em que a vida nas ruas é mostrada existem cenas fortes, mas mesmo assim, a forma como o personagem principal vê as coisas (com uma imaginação bem fértil) ameniza o filme, torna ele agradável aos olhos, até mesmo engraçado. A narração também contribui, dá um toque de firmeza e veracidade aos fatos, apesar de que, poderia ser melhor utilizad, mesmo assim, não tira o brilho do filme, que é bem dirigido e bem feito, mesmo nos padrões nacionais.

Destaque: Ao contrário do meu colega Mateus, que preza bastante pelos aspectos técnicos do filme, aspectos estes que confesso não saber analisar com a mesma ótica, prezo muito pelo nível de atuação dos personagens. E neste filme, Maria de Medeiros, atriz portuguesa, tem uma atuação simplesmente soberba. Sotaque francês bastante convincente, uma mulher afável, que tenta ser durona, viciada em cigarros, o que demonstra sua insegurança, além de ter um desejo compulsivo em registrar tudo no seu gravador. Uma cena que também merece bastante destaque, é a que ela está junto com Roberto no estádio de futebol, a emoção e o entrosamento junto ao menino no banheiro masculino, fazem a cena ser bastante emotiva e ao mesmo tempo engraçada, ela faz Roberto não ter mais medo dos policiais e o mesmo se mostra verdadeiramente feliz por isso.

O filme em si é uma lição de vida e merece todos os aplausos para cada cena. Logicamente não é um filme perfeito, mas um a história bem contada.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

4 Crítica: A Vila

Por Mateus Souza







A Vila
(Village, The, 2004)

Após o grande sucesso de O Sexto Sentido, as pessoas começaram a esperar muito do trabalho de M. Night Shyamalan. E por essa grande expectativa, qualquer erro cometido pelo cineasta, por menor que seja, transforma-se em uma grande falha. Seu filme A Vila, lançado em 2004, assim como todos os outros após O Sexto Sentido, sofre desse mal.

A história de A Vila – The Village, no original – se passa em uma pequena vila, aparentemente do século XIX, longe de tudo e de todos, sem contato algum com as cidades. Em volta dessa vila existe uma grande floresta habitada por criaturas desconhecidas que dividem um tipo de pacto com os moradores da Vila: ninguém invade o território de ninguém. Assim, os habitantes da vila não devem jamais ultrapassar os limites da floresta, não saindo, assim, da vila, para que tais criaturas não a invadam.

Como já é típico dos filmes do indiano, o mistério é o tema central. É a partir dele que todo o roteiro se desenvolve, é usando tal mistério que Shyamalan consegue, mais uma vez, de forma belíssima e emocionante passar a sua mensagem – que, nesse filme, pode ser resumida à cena na qual o personagem de Willian Hurt revela aos anciões que contou o segredo da vila à sua filha.

A direção do indiano é extremamente competente. É incrível como Shyamalan consegue, em meio a toda aquela atmosfera de medo e tensão – coisa que ele sabe criar como poucos – uma cena tão linda como a do personagem de Joaquin Phoenix declarando-se para o da quase estreante Bryce Dallas Howard, na varanda da casa.

E é Bryce Dallas Howard – filha do diretor Ron Howard (Uma Mente Brilhante, Código da Vince) – que se destaca dentre todas as grandes estrelas presentes no elenco, composto por atores como os já citados Willian Hurt e Joaquin Phoenix e Adrien Brody, que vive um doente mental.

A Atriz vive a cega Ivy Walker, personagem central e mais importante da trama. O irônico é que Bryce Dallas não foi a primeira escolha para o papel. Quem viveria a personagem seria Kirsten Dunst, que a preteriu para atuar em outro filme.

Quem fotografa o filme é Roger Deakins – de filmes como O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e Onde os Fracos Não Têm Vez, ambos indicados ao Oscar pela sua fotografia. No filme, a cor amarela e vermelha tem grande importância, e Deakins, ao revestir a vila em um tom ocre e frio, consegue criar o impacto necessário, quando o vermelho ou o amarelo entram em cena.

Outros aspectos que merecem destaque são a direção de arte e a trilha sonora. A primeira passa com credibilidade a imagem de uma vila do século XIX, e essa credibilidade é de suma importância para a “grande surpresa” do filme. E a trilha sonora – composta basicamente por violinos – realça ainda mais a teor de mistério e tensão que envolve o filme do começo ao fim.

Muito foi falado a respeito da grande capacidade e senso de direção da personagem de Bryce Dallas, que é cega. É verdade que Shyamalan exagera um pouco nesse sentido – como quando Ivy joga um dos seres da floresta em um buraco –, mas nada que chegue a acabar com o filme, como foi dito por alguns.

O roteiro, ao contrário que dizem, tem apenas um relevante furo. Na questão dos animais mortos na vila, Shyamalan termina o filme sem nos dar uma resposta objetiva para essa questão. A impressão que se tem é que a resposta nos foi dada, mas Shyamalan esse não se esforçou nem um pouco para deixá-la clara a ponto de podermos confirmar as especulações. Esse problema, porém, é engolido pelas incríveis qualidades do filme, não chegando a comprometê-lo de forma maior.

A Vila é mais um excelente filme de M. Night Shyamalan que sofre pelas grandes expectativas que giram em torno de seu diretor, que apesar de alguns números indicarem isso, não faz filmes para o grande público. Para o bem do diretor, com o passar do tempo e o conseqüente distanciamento de O Sexto Sentido, a expectativa em torno de seus trabalhos vai, paulatinamente, diminuir.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

1 Crítica: X-Men Origens: Wolverine

X-Men Origens: Wolverine
(X-Men Origins: Wolverine, 2009)










Depois da trilogia X-Men, que teve começo e meio muito bem realizados por Bryan Singer (Superman – O Retorno), mas viu sua parte final – dirigida por Brett Ratner, da franquia A Hora do Rush – destruir aquilo construído pelos primeiros, X-Men, a famosa série dos Quadrinhos, retorna às telas com X-Men Origens: Wolverine, que, ao lado do Homem-Aranha, é um dos personagens de HQs mais populares.

O filme, como é de se imaginar ao ler o título, busca explicar como o mutante canadense surgiu. Tudo começa no Canadá, na infância de Logan (Hugh Jackman – que já imortalizou tal personagem no cinema), quando ele descobre que não é um garoto comum, junto de seu irmão Victor Creed / Dentes-de-sabre (!!!), e terminam no Exército norte-americano, onde lutam várias guerras, até seram incorporados a um secreto grupo de mutantes. Nesse grupo, surgem os primeiros confrontos de personalidade entre os dois, criando aquilo que seria a grande rivalidade do mundo Marvel. No decorrer da trama, vários mutantes entram no caminho de Wolverine, como os populares Gambit e Deadpool.

A maior qualidade do filme – e única – é o aspecto técnico das cenas de ação. Com exceção do primeiro combate entre Logan e Dentes-de-sabre, que é bastante escuro e com cortes de câmeras tão rápidos que deixam até os mais atentos confusos com o decorrer da luta, todas as outras cenas são muito bem dirigidas – quem dirige a produção é Gavin Hood, de Infância Roubada, filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2006 – e os efeitos especiais convencem, apesar de serem exageradamente utilizados.

O roteiro é assinado – ou melhor, assassinado – por David Benioff (O Caçador de Pipas) e Skip Woods (Hitman - Assassino 47), que exageram nos buracos em relação à trilogia de X-men – que apesar de ser um projeto diferente, compartilha dos mesmos personagens, devendo, então, ser levada em conta – e nos desnecessários combates físicos.

Qualquer encontro entre mutantes é motivo de pancadaria, chega a ser ridículo, como na primeira participação de Gambit e na invasão à instalação africana onde diamantes são negociados. Os diálogos são cruelmente deixados de lado, as abordagens de temas tão intrísecos a X-Men e ao cenário mutante, como o preconceito e a auto-aceitação são relegados, e cedem espaço às explosões e ao quebra-pau. Mutantes bem conhecidos dos Quadrinhos são vomitados na tela a todo momento, alguns totalmente supérfulos, mostrando claramente que seu objetivo alí é apenas levar um maior número de fãs às salas.

Entretanto, grande parte das defeitos do filme estão claramente relacionados à grande interferência da 20th Century Fox. No começo do ano, circulou a informação que o estudio da raposa exigiu refilmagens, pois não gostou do longa feito pela equipe. As mudanças realizadas buscavam um maior apelo comercial.

No elenco, vale destacar o trabalho de Hugh Jackman e Liev Schreiber (Victor Creed / Dentes-de-sabre), a relação de amor e ódio deles dois é a mais profunda do filme – não que isso signifique muita coisa, pois o roteiro faz questão de não valorizar nenhum dos relacionamentos humanos, ou mutantes, da história, até mesmo a história de amor vivida por Wolverine passa em branco.

X-Men Origins: Wolverine mostra-se um filme divertido, mas sem profundidade alguma, que pretere os diálogos e temas tão fortes no mundo de X-Men. Dessa forma, desperdiça a origem de um grande personagem dos gibis com excessivas cenas de ação e exageros no número de personagens, fato que acaba dando ao filme um ar bastante superficial.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

0 Crítica: A Era do Gelo 3

A Era do Gelo 3
(Ice Age: Dawn of the Dinosaurs, 2009)







Por Eduardo Porto


A Era do Gelo é uma das melhores franquias de animação que existem. Sério. A história e o mote que usam nos longas é soberba, ora: um mamute, uma preguiça, um tigre-dentes-de-sabre, uma outra mamute, seus irmãozinhos gambás em aventuras por uma Terra congelada. Quer melhor motivo para rir? Os primeiros filmes foram marcados por ótimos roteiros, feitos apenas para divertir.Tivemos dois grandes filmes, mas a Fox, (ah Fox...) fez com que caísse na mesmice e na Síndrome do Roteiro de Sequência Fraco. Um verdadeiro mal de muitos filmes que começam fazendo grande sucesso e, suas produtoras ao perceber o lucro enorme que eles produzem, lançam mão de roteiros inteligentes e vão simplesmente atrás de bilheteria.

Nesse novo longa, Syd, Mannie, Ellie, Diego, Crash e Eddie entram em uma aventura com... Dinossauros! Tinha que ter dinossauros! Ué? Mas eles não estavam extintos na era glacial? Sim, mas Syd cai em um buraco e acha três ovos de dinossauro e, com uma certa inveja de Mannie e Ellie que vão ter um filhote e ainda com a notícia da saída de Diego do bando, resolve adotar os ovos como filhos, que chocam em pequenos tiranossauros e causam muitos problemas com os outros filhotes. Então, a mamãe dinossauro vai atrás dos ovos e acaba levando Syd, que é levado a um mundo subterrêaneo secreto onde os dinossauros ainda vivem em um enorme ambiente de floresta tropical, seus amigos vão atrás dele e dentro desse mundo conhecem Buck, uma doninha psicótica e maluca que aprendeu a conviver com os dinossauros e tem como grande rival o enorme dinossauro Roddie. Ah, entre uma cena e outra, não poderia esquecer, o pequeno esquilo, tradicional da série, ainda está atrás de sua noz, mas dessa vez com uma rival onde ele pode encontrar seu grande amor.

O filme diverte, é bem feito, mas o que parece é que ele é muito picotado, as vezes o espectador não tem uma noção continuidade do filme, claro que o público alvo (infantil e infanto-juvenil) provavelmente não perceberá isso e irá se preocupar apenas em rir das palhaçadas dos personagens e do esquilo, mas mesmo assim, a pouca sensação de continuidade pode atrapalhar o espectador menos atento, ou que vai ao banheiro ou pegar um refrigerante fora da sala. Como disse Isabela Boscov, crítica da Veja, o filme parece ser feito de pequenos curtas que tem uma certa ligação e curtas do esquilo (que as vezes enche o saco, apesar de ser engraçado) em paralelo.

Costumo dizer que os filmes de animação são divididos em dois tipos: os normais e os que surpreendem. Normais? Infelizmente, tanto quanto existem atores medícores em Hollywood, existem também animações medíocres, feitas apenas para gannhar dinheiro. A franquia Era do Gelo já surpreendeu, hoje é normal.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

2 Crítica: Transformers: A Vingança dos Derrotados

Transformers: A Vingança dos Derrotados
(Transformers: Revenge of the Fallen, 2009)








Michael Bay não é muito conhecido pela qualidade dos seus filmes. O americano, normalmente, prefere as explosões do que os diálogos e as histórias mais desenvolvidas. Em seu novo filme, Transformers: A Vingança dos Derrotados, continuação do de 2007, Bay, exagera nessa fórmula, explodindo tudo - tudo mesmo, até a cabeça de quem assiste.

No filme, “Sam (Shia LaBeouf) e Mikaela (Megan Fox) voltam a ficar na mira dos Decepticons, que desta vez precisam do rapaz vivo, já que ele detém conhecimentos valiosos sobre as origens dos Transformers e como aconteceu a história dos robôs neste planeta. Em paralelo, os militares americanos e uma força internacional unem-se aos bons Autobots para enfrentar os vilões”.

Parece que Bay achou que multiplicando todos os elementos do primeiro filme, multiplicaria o sucesso do segundo – o que, infelizmente, parece estar dando certo, pois o filme já é o mais visto do ano. Se a luta entre os 14 robôs do primeiro filme deu certo, por que não colocar 46 nesse? Se Megan Fox em poses sensuais levou os espectadores à loucura, por que não colocá-la três vezes mais, agora? E assim o filme segue, completamente exagerado. Tudo que há nele está em maior número que o necessário.

A direção de Bay é frenética e excessiva. A câmera não pára. Até mesmo no momento no qual o casal principal troca juras de amor, ela está lá, girando. Nem nas cenas de ação, sua “especialidade”, Bay acerta. As lutas entre os robôs são confusas, os closes e cortes rápidos não nos deixam pensar, não sabemos quem está explodindo quem. O filme inteiro parece uma grande cena de ação, não há a construção de um clímax, tudo é clímax. As explosões e tiroteios seguem sem nos deixar respirar, nos situar na história.

O casal Shia LaBeouf e Megan Fox, que passa o filme inteiro vomitando frases piegas, está deveras irritante. Os pais do personagem de LaBeouf conseguem transmitir um sentimento de vergonha alheia tão forte, que deixa os filmes de Bem Stiller no chinelo. Nem John Turturro, o desempregado Agente Simons, e suas piadas forçadas conseguem somar algo de positivo ao filme.

Apenas Ramon Rodrigues – uma espécie de Marco Luque mexicano –, que pode não ser tão conhecido ainda, mas logo será, pois, além de Transformers: A Vingança dos Derrotados, participa também de O Sequestro do Metrô – que aqui estréia em setembro – onde atua ao lado de Denzel Washington e John Travolta, merece certo destaque. A química entre ele e LeBeouf é clara, sendo as cenas nas quais protagonizam as mais divertidas.

Enfim, Transformers: A Vingança dos Derrotados é um prato cheio para quem gosta de muita ação e pouco, ou nenhum, conteúdo. Para os outros, o filme só causará um enorme dor de cabeça. Nas palavras do editor do Omelete.com, Érico Borgo, ao terminar de assistir a fita, parece que fomos estuprados por um robô.

domingo, 28 de junho de 2009

1 Do Cinema Nacional


O cinema brasileiro passa por uma transformação constante. A produção brasileira no cinema ainda é baixa, no entanto, justamente por essa transformação, as produções de boa qualidade vem se tornando marca no cinema tupiniquim, logicamente, existem sim as produções ruins', algumas até quase thrash como os charmosos filmes de José Mojica, ou Zé do Caixão.

Após a escassa produção na década de 30 a 50, filmes basicamente baseados na literatura, nos anos 60 ocorreu o advento das pornochanchadas (Canal Brasil de madrugada? Alguém?), fazendo sucesso com o público adulto, foram nas pornochanchadas que saíram grandes diretores, escritores e atores nacionais, como Manoel Carlos e Lima Duarte; Gretchen (Alugam-se Moças), Rita Cadillac (O Bem Dotado) e Vera Fischer (A Super Fêmea) obtiveram seu auge nas pornochanchadas dos anos 70.

Nem tudo era pornografia, as produções novelescas ganhavam status de arte. Irmãos Coragem foi uma das primeiras séries novelescas de sucesso e apesar de terem sido apenas televisionadas, fizeram com que houvesse uma necessidade de se modernizar e ter um crescimento nas partes de equipamento e atuacão. As novelas brasileiras alcançavam enorme sucesso não só no Brasil, mas também no exterior, A Escrava Isaura foi reprisada no Brasil cerca de quatro vezes e foi exibida na China, Coréia, Japão, Vietnã e Indonésia. Lucélia Santos até hoje é tratada como popstar, estando inclusive em comerciais sobre a exportação de café brasileiro para os países asiáticos.

Na década de 90, vieram então as grandes produções cinematográficas, Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira protagonizaram o belíssimo Central do Brasil de 1998, sucesso na crítica e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, uma mostra da evolução do cinema nacional, fazendo com que perdêssemos o rótulo de país das novelas e então produzindo grandes sucessos. Em 2000, O Auto da Compadecida com Selton Mello e Matheus Nachtergale, uma verdadeira obra-prima que abriu espaço para outras obras de cunho regional, ganhou destaque também no exterior. Lisbela e o Prisioneiro também com Selton Mello merece destaque, apesar da crítica não ter sido das melhores.

A produção nacional hoje está engrenando de forma constante, a cada ano temos novos filmes e sempre temos bons sucessos de críticas, apesar do escasso suporte tecnológico, temos diretores que são tão bons quanto os de Holywood, vide Fernando Meirelles em O Jardineiro Fiel, que faturou inclusive um Oscar. Fernanda Montenegro, sua filha Fernanda Torres, Lima Duarte, Matheus Nachtergale, Tony Ramos, Dan Stulbach (esses dois últimos estarão em Tempos de Paz, que entrará em cartaz ainda nesse ano) e outros tantos atores brasileiros que, sinceramente, são melhores atores que uma boa parte dos atores americanos (dizem as más línguas que eu danço ballet tão bem quanto a Lindsey Lohan atua).

Eu pensei em dedicar um parágrafo para Xuxa, Didi e etc... Mas melhor não.

O cinema brasileiro tem ainda uma coisa que o cinema americano perdeu quando teve seu crescimento precoce: a falta de politicagem e publicidade. Aqui, apenas os melhores participam, não tem essa de apenas rostinhos bonitos (esqueçam Didi, Xuxa e Luana Piovanni), o cinema brasileiro estará em grande fase e tem tudo para ganhar grande proporções.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

0 Três Boas Comédias Românticas

Por Mateus Souza

Sub-gênero banalizado ainda possui bons exemplares

Gênero, ou melhor, sub-gênero mais desgastado e banalizado que a comédia romântica não há.

Para alguns, esse termo é sinônimo de filme ruim, "enlatado". Não discordo. Sem dúvidas, muitas das comédias românticas lançadas (e não são poucas, pois esse tipo de filme vende muito) são ruins, previsíveis, sem graça, chatas, seguem o mesmo modelo, servem apenas como alimento para aqueles casais mais piegas ou aqueles que perseguem uma diversão descompromissada, leve.

Eu, particularmente, não acredito que "diversão descompromissada" seja desculpa para filme ruim. E é por isso que pretendo mostrar alguns exemplos de comédias românticas de qualidade, leves, divertidas, apaixonadas, mas, na medida que o gênero permite, inteligentes, apreciáveis.

A primeira é um clássico do cinema, de 1977, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, no original, Annie Hall. Considerada a obra-prima do gênio Woody Allen, o filme levou 4 Oscars, incluindo os de melhor filme e atriz. A película mostra a história de um humorista judeu, vivido pelo próprio Allen, e seu relacionamento com a cantora Annie Hall, vivida por Diane Keaton, musa de Allen na época. O filme é divertido do começo ao fim. É bem leve, rápido (93 minutos apenas), e é uma aula de cinema. O roteiro de Allen é brilhante, com diálogos rápidos, divertidos, é um verdadeiro ensaio sobre os relacionamentos amorosos.

Viajando para os filmes mais recentes, tem um, de origem inglesa, chamado Wimbledon - O Jogo do Amor, de 2004, esse é mais parecido com o que conhecemos hoje por comédia romântica Uma história bem previsível de dois tenistas que se conhecem em pleno torneio de Wimbledon e que estão em momentos diferentes da vida e da carreira. Estrelado pelo talentoso Paul Betany, de O Código da Vince, e Kirsten Dunst, a Mary Jane Watson de Homem-Aranha, o filme é repleto de boas atuações, principalmente a do casal protagonista, personagens secundários divertidíssimos e uma bela fotografia, isso sem falar da forma com que o diretor Richard Loncraine dirige os jogos de tênis, que é um espetáculo.

Partindo para solo francês - sim, eles tinham que tá aqui -, tem Amar... Não Tem Preço, filme estrelado pela eterna Amélie Poulain, Audrey Tautou, que, ao lado do não muito conhecido por aqui Gad Elmaleh, faz desse filme um dos meus preferidos quando se trata de comédia romântica. O filme conta a inusitada história de Irene (Tautou), uma golpista interessada apenas em parceiros ricos, que se envolve com o garçon Jean (Elmaleh), achando que este é um milionário. Dotado do charme francês, o filme é brilhante, bem leve e com um humor bem sutil. É um grande representante das comédias românticas de qualidade.

Esses são apenas alguns dos filmes que, para mim, são verdadeiras comédias românticas, são capazes de ser um leve compromisso, mas não perdem o conteúdo, não perdem o status de arte. São raros, é verdade, mas estão aí, basta apenas serem descobertos no meio de tanto lixo cinematográfico.

terça-feira, 23 de junho de 2009

0 Crítica: Vicky Cristina Barcelona

Vicky Cristina Barcelona
(Vicky Cristina Barcelona, 2008)
Direção:
Woddy Allen
Roteiro:
Woody Allen
Elenco: Javier Bardem, Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Rebecca Hall


Todo ano, grande é a espera pelo chamado Woody Allen’s Spring Project, o projeto de primavera do cineasta. Em 2008, o velho diretor filmou, novamente, fora de sua tão amada Nova York. Dessa vez, Barcelona foi a escolhida para ser o palco do seu novo filme: Vicky Cristina Barcelona.

Como já é comum vindo de Allen, o tema central do filme são os relacionamentos amorosos. Na trama, “Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson, de Scoop) são duas amigas que vão passar uma temporada em Barcelona. Vicky é prática, quer um casamento seguro e uma vida tradicional ao lado de um marido com estabilidade financeira. Cristina é uma mulher que não sabe o que quer, mas sabe muito bem o que não quer: levar uma vida pequena burguesa e careta. Ambas se envolvem com Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez), um pintor local que ainda tenta se desvencilhar completamente da ex-mulher, Maria Elena (Penélope Cruz)”

Desde já, vale dizer que a cidade de Barcelona não é apenas o cenário do filme, ela se comporta como uma coadjuvante. Allen a mostra de uma forma linda e colorida. Sua arte, sua arquitetura, sua música, tudo está lá, levando o espectador a um verdadeiro passeio pela capital catalã. Sem dúvida, o investimento feito pela cidade valeu a pena.

É impressionante como Allen não cansa de falar sobre os relacionamentos amorosos em seus filmes, e o faz sempre de forma interessante. Em Vicky Cristina Barcelona, vários são os relacionamentos mostrados por Allen, com destaque para o das personagens principais com o pintor vivido por Javier Barden. Estão presentes, também, elementos como a insatisfação com o casamento e o adultério. Todos abordados de forma divertida e envolvente, nos fazendo rir, sem parecer engraçado.

O filme é acompanhado por uma narração em terceira pessoa, que apesar de ser boa, por acelerar o ritmo do filme, dando uma maior dinâmica à história, peca por nos afastar da evolução dos personagens. E falando nos personagens... Eles são perfeitos. Carismáticos, divertidos, bem construídos, bem interpretados.

Todos os atores estão bem, mas é Penélope Cruz - ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por esse papel - que brilha. Desde a sua aparição, um pouco depois da metade do filme, o filme ganha um ar mais excêntrico, mais pervertido, mais neurótico, mais... Woody Allen.

Vicky Cristina Barcelona vem para confirmar a boa fase de Woody Allen, que após alguns filmes ruins, se redescobriu, e nos presenteia não com um filme comum, mas com um trabalho que só mesmo Woody Allen seria capaz de fazer.

sábado, 13 de junho de 2009

4 Crítica: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
(Fabuleux destin d'Amélie Poulain, Le, 2001)









Otimista, poético e diferente. Falo de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain, no original. Filme francês lançado em 2001, sucesso de público na frança e uma das películas francesas mais vistas nos Estados Unidos, colecionou diversos prêmios internacionais, como o César de melhor filme e diretor, melhor produção e melhor roteiro da Academia Britânica, sem falar de suas cinco indicaçãoes ao Oscar de 2002. Tanto sucesso de público e crítica deu a Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain o status de filme cult.

A Amélie do título é uma jovem parisiense – vivida pela talentosa Audrey Tautou, que posteriormente viria a trabalhar em filmes como O Código da Vinci e Beijo na Boca, Não! – , filha de dois neuróticos, passou sua infância distante das outras crianças, vivendo em um fantasioso mundo particular. Crescida, Amélie mora só e trabalha em uma pequena lanchonete em Paris.

Certo dia, ela acha uma extraviada caixinha de pertences, em seu apartamento, é aí que começa a aventura da garota. Quando consegue entregar a caixa ao verdadeiro dono, Amélie é possuída por um grande sentimento de alegria, sentimento este que a faz tomar a decisão de, a partir daquele momento, ajudar todos ao seu redor. O problema é que Amélie Poulain é muito tímida para isso, e tem de utilizar das mais divertidas e criativas maneiras para materializar seus planos.

O filme é dirigido e co-roteirizado por Jean-Pierre Jeunet – de Alien: A Ressurreição e Delicatessen –, que executa de forma majestosa o seu trabalho, de uma maneira bem diferente do tradicional. Aliás, todo o filme é recheado de elementos bastante peculiares, assim como suas personagem principal. Por exemplo, a existência de um narrador onipresente e onisciente que conta, de forma rápida e didática, as mais detalhadas informações possíveis, como o prazer sentido pelo pai de Amélie em tirar as ferramentas de sua caixa, limpá-la e, novamente, as guardar, ou a mania de Amélie em olhar para os rostos das pessoas enquanto estas assistem a filmes no cinema – essa mania eu também tenho.

O visual de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é divino, o ponto forte do filme, sem dúvida. O diretor de fotografia Bruno Delbonnel faz um trabalho incrível. Usando cores visualmente berrantes em toda a extensão da película – com grande utilização de verde e vermelho – sabendo, porém, balanceá-las. Segundo próprio Delbonnel, a maior inspiração para seu trabalho fora o pintor brasileiro Machado, grande utilizador de verde e vermelho em suas obras.

O roteiro nos presenteia com as mais divertidas situações. É maravilhoso seguir a saga de Amélie, seus planos mirabolantes para resolver a vida dos outros, mas ela, apesar de toda a sua boa vontade e determinação, não consegue ajudar a pessoa mais importante: ela mesma. A garota não consegue se declarar para o seu grande amor, Nino Quincampoix – representado pelo não muito conhecido Mathieu Kassovitz – mas, assim como aqueles que ela ajudou, alguém vai ajudá-la, e é aí que está a grande lição do filme, nesse espírito de solidariedade e ajuda em relação aos outros.

Um misto de comédia e drama, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é maravilhoso do começo ao fim, em nenhum momento perde seu ritmo ou cansa. Com sua demasiada originalidade, já se tornou um clássico moderno, somando, cada vez mais, adoradores. Tanto culto ao O Fabuloso Destino de Amélie Poulain se torna bastante compreensível quando o filme é visto.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

3 Ah, a Sessão da Tarde...


25 anos atrás estreavam nos cinemas dois filmes incríveis que marcaram a infância e adolescência de milhares de jovens pelo mundo todo. As Sessões da Tarde das nossas infâncias ficariam menos felizes sem Gremlins e Os Caça-Fantasma.

No dia 9 de Junho de 1984, ambos os filmes estreavam e atraíram jovens para as salas de cinema com uma promessa de diversão e bons filmes, atenderam suas expectativas e se transformaram em franquias, desde brinquedinhos no McLanche Feliz até outros filmes de sequência. Em 1990 os Gremlins lançaram seu segundo filme Gremlins 2: A Nova Geração em uma saudosa época em que esses tipos de sub-títulos não eram tão clichês assim. Com os Ghostbusters não foi diferente, depois do sucesso em 84, em 1989 estreou Os Caça-Fantasma 2. Bill Murray, Harold Ramis e Dan Aykroyd ficaram eternizados pelas roupas e pela famosa musiquinha de fundo. Aliás Os Caça-Fantasma 3 está em fase de produção e conta já com Bill Murray revivendo o Dr. Peter Venkman.


O fato é que esses dois filmes nos fazem lembrar de vários outros grandes filmes que fizeram a nossa infância mais feliz. Um filme que pessoalmente me faz bastamte nostálgico é O Rei Leão de 1993, foi o primeiro filme que vi no cinema. Sucesso total de crítica e de bilheteria e em uma época que filmes de animação eram feitos com animação, infelizmente a Disney, tomada por uma crise interna, teve que sucumbir a outros estúdios como Pixar e Dreamworks, que fazem filmes igualmente bons, como por exemplo Ratatouille e Toy Story (que foi o primeiro filme em animação 3D existente), mas que não possuem o mesmo carisma e arte dos filmes em animação desenhada como os grandes clássicos da Disney. As animações de hoje estão caindo em uma fórmula barata e de pouca expressão, quando são boas, perdem em sucesso para atores-mirins como High School Musical e Hannah Montanna, uma verdadeira tristeza, filmes bestas, sem conteúdo e puramente comerciais.

Lógico que nem tudo são animações nem filmes infantis, os filmes de Stallone como Rocky: Um Lutador e as suas famigeradas sequências, Rambo I, II, III, filmes do Schwazenegger, não apenas O Exterminador do Futuro, Conan - O Bárbaro e Conan: O Destruidor, mas também clássicos da comédia do governator: como Irmãos Gêmeos com o impagável Danny DeVito, Um Tira no Jardim de Infância, Júnior (quem não lembra do Scwazenegger grávido em mais uma parceira de sucesso com DeVito). Além de, é claro, Loucademia de Polícia, Dirty Dancing: Ritmo Quente e muitos outros filmes que fizeram que a nossa Sessão da Tarde bem mais feliz.

E se você tem algum filme que marcou a sua época diga pra nós nos comenários, quem sabe não fazemos uma resenha sobre ele?

terça-feira, 9 de junho de 2009

1 Primeira Crítica do Blog: O Lutador

O Lutador
(Wrestler, The, 2008)









Ao ver o título do filme, mesmo o pôster e algumas cenas pode-se pensar que 'O Lutador' é um filme puramente de luta, de ação; coisas bastantes presentes em vários filmes direcionados a um público bastante acéfalo, que são recheados de pirotecnia, efeitos especiais, mulheres gostosas e Photoshop (dos tipos protagonizados pro Jason Statham).

Mas não é. O Lutador, em 2008, foi bastante ofuscado por outras grandes produções como 'Quem Quer Ser Um Milionário' e 'O Curioso Caso de Benjamim Button', é verdade, mas em momento nenhum é inferior as produções acima e tem nelas um certo toque de drama com aquela sensação de que nada vai dar certo e foge compeltamente dos clichês. E é isso que de certa forma nos faz emocionar ao ver o filme.

Randy 'The Ram' Robinson (Mickey Rourke) é um lutador de luta-livre profissional que já teve seu auge na carreira na década de 80 quando o circuito de lutas-livres era bastante famoso por todos os Estados Unidos, durante sua carreira travou batalhas épicas dentro do ringue contra adversários como o 'Aiatolá', no entanto, a luta-livre ficou mais profissionalizada e mais difícil, deixando de lado os lutadores antigos e a diversão, e dando lugar a violência e golpes pesados.

Com o passar do tempo e sendo ultrapassado, Randy vira apenas uma mera caricatura do que era 20 anos atrás, lutando em um circuito de lutas menos nobre (lutas combinadas por pura diversão), esquecido pela filha (que ele abandonou) e tendo que complementar o aluguel trabalhando em um supermercado, vivendo uma vida cada vez mais decadente. Após uma parada cardíaca, Randy percebe que não tem dado o devido valor a vida, então é amparado por uma amiga, Cassidy (Marisa Tomei, em uma curta, porém belíssima atuação), que trabalha como dançarina noturna e, por ser mais velha que as companheiras, é pouco requisitada pelos clientes e vive situações difíceis, com um filho para criar. Cassidy sugere a Randy que veja a sua filha (Evan Rachel Wood, também em bela atuação), converse com ela e que assim possa de certa forma consertar os erros do passado. 'The Ram' então se encontra na difícil situação de ingressar em um mundo mais escuro que o ringue e que nem todo mundo o conhece, nem grita seu nome. Nesse ponto, dá para ver uma certa evolução no personagem, para então, tudo cair na decadência de antes.

O diretor Darren Aronofsky acerta em cheio ao deixar o filme o mais melancólico e triste possível, mesmo nas cenas de luta onde até consegue arrancar algumas risadas, não há trilha sonora e a câmera se concentra muito no rosto de Rourke ou na sua visão (Rourke aliás que tem uma das melhores atuações na carreira), onde ele mostra toda a dor e sofrimento de um homem que está fazendo o que gosta, mas sabe que já não dá mais para ele, a aposentadoria bate na sua porta e Randy já não sabe o que fazer. A fotografia ora acinzentada com o céu sempre nublado (lembrando a real vida de Randy), ora bastante iluminada nos ringues (lembrando então a vida falsa que ele leva nas lutas), câmera sempre se mexendo muito, ora atrás dos personagens, ora como se fosse parte da cena, na platéia das lutas ou mesmo dentro do ringue. Além da quase total ausência de trilha sonora, são esses os pequenos detalhes que fazem de 'O Lutador' ser um filme tão espetacular.

Tudo isso culmina em um belíssimo final, que parece até ser repentino, mas traz um misto de ironia com perplexidade, além de uma alta dose de inteligência. 'O Lutador' não é só um filme de luta, mas também é um história muito bem contada que tem tudo para dar certo: um roteiro acima da média, atuações dignas de prêmios e direção primorosa. Promete cativar até mesmo os fãs dos filmes de ação acéfalos, cheios de efeitos especiais, mulheres gostosas e Photoshop.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

1 2011: O ano das HQs

Muitos, mas muitos super-heróis mesmo vêm aí

Desde o lançamento do sucesso de crítica e público X-Men - O Filme, em 2000, os Quadrinhos foram redescobertos pelas grandes produtoras de cinema. A partir daí, entre erros e acertos - tanto de público como de crítica - foram vomitados para as telonas vários filmes baseados em quadrinhos, levando os fãs (como eu) ao delírio. Ora, quem não quer produzir um filme que, além de ter um público extremamente fiél - os fãs das revistas -, pode ser multiplicado em franquias e mais franquias?

Analisando os lançamentos previstos para o ano de 2011, fica bem nítido como as HQs tomaram conta das salas de cinema. Se contarmos apenas os filmes das editoras Marvel e DC Comics, as mais populares, teremos nada mais nada menos que 4 filmes de peso, baseados em Quadrinhos, segundo as datas estabelecidas pelos próprios produtores.

O primeiro do ano de 2011 será o filme do "amigo da vizinhança", o Homem-Aranha, que estreará 6 de maio, e terá a mesma direção dos filmes anteriores (Sam Raimi) e contará com o mesmo casal de protagonistas (Tobey Maguire e a lindíssima Kirsten Dunst).

Logo em seguida, vêm dois possíveis iniciadores de franquias, O Poderoso Thor (da Marvel) e Lanterna Verde (da DC), que, incrivelmente, estão marcados para estrear no mesmo dia, 17 de junho.

E para fechar esse meses de agitação para os fãs do casamento entre Quadrinhos e Cinema, vem o filme The First Avenger: Captain America, que começa a ser filmado na segunda metade de 2010, tendo previsão de lançamento para 22 de julho.

Vale lembrar que, um ano antes, será lançada a segunda parte da franquia Homem de Ferro (dessa vez, com bem mais estrelas no elenco) e, em 2012, está previsto o lançamento do filme dos Vingadores, grupo de super-heróis da Marvel formado por Homem de Ferro, Capitão América, Thor e Hulk.

Quer mais?

PS: As datas podem ser mudadas pelos estúdios.