sábado, 13 de junho de 2009

4 Crítica: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
(Fabuleux destin d'Amélie Poulain, Le, 2001)









Otimista, poético e diferente. Falo de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain, no original. Filme francês lançado em 2001, sucesso de público na frança e uma das películas francesas mais vistas nos Estados Unidos, colecionou diversos prêmios internacionais, como o César de melhor filme e diretor, melhor produção e melhor roteiro da Academia Britânica, sem falar de suas cinco indicaçãoes ao Oscar de 2002. Tanto sucesso de público e crítica deu a Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain o status de filme cult.

A Amélie do título é uma jovem parisiense – vivida pela talentosa Audrey Tautou, que posteriormente viria a trabalhar em filmes como O Código da Vinci e Beijo na Boca, Não! – , filha de dois neuróticos, passou sua infância distante das outras crianças, vivendo em um fantasioso mundo particular. Crescida, Amélie mora só e trabalha em uma pequena lanchonete em Paris.

Certo dia, ela acha uma extraviada caixinha de pertences, em seu apartamento, é aí que começa a aventura da garota. Quando consegue entregar a caixa ao verdadeiro dono, Amélie é possuída por um grande sentimento de alegria, sentimento este que a faz tomar a decisão de, a partir daquele momento, ajudar todos ao seu redor. O problema é que Amélie Poulain é muito tímida para isso, e tem de utilizar das mais divertidas e criativas maneiras para materializar seus planos.

O filme é dirigido e co-roteirizado por Jean-Pierre Jeunet – de Alien: A Ressurreição e Delicatessen –, que executa de forma majestosa o seu trabalho, de uma maneira bem diferente do tradicional. Aliás, todo o filme é recheado de elementos bastante peculiares, assim como suas personagem principal. Por exemplo, a existência de um narrador onipresente e onisciente que conta, de forma rápida e didática, as mais detalhadas informações possíveis, como o prazer sentido pelo pai de Amélie em tirar as ferramentas de sua caixa, limpá-la e, novamente, as guardar, ou a mania de Amélie em olhar para os rostos das pessoas enquanto estas assistem a filmes no cinema – essa mania eu também tenho.

O visual de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é divino, o ponto forte do filme, sem dúvida. O diretor de fotografia Bruno Delbonnel faz um trabalho incrível. Usando cores visualmente berrantes em toda a extensão da película – com grande utilização de verde e vermelho – sabendo, porém, balanceá-las. Segundo próprio Delbonnel, a maior inspiração para seu trabalho fora o pintor brasileiro Machado, grande utilizador de verde e vermelho em suas obras.

O roteiro nos presenteia com as mais divertidas situações. É maravilhoso seguir a saga de Amélie, seus planos mirabolantes para resolver a vida dos outros, mas ela, apesar de toda a sua boa vontade e determinação, não consegue ajudar a pessoa mais importante: ela mesma. A garota não consegue se declarar para o seu grande amor, Nino Quincampoix – representado pelo não muito conhecido Mathieu Kassovitz – mas, assim como aqueles que ela ajudou, alguém vai ajudá-la, e é aí que está a grande lição do filme, nesse espírito de solidariedade e ajuda em relação aos outros.

Um misto de comédia e drama, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é maravilhoso do começo ao fim, em nenhum momento perde seu ritmo ou cansa. Com sua demasiada originalidade, já se tornou um clássico moderno, somando, cada vez mais, adoradores. Tanto culto ao O Fabuloso Destino de Amélie Poulain se torna bastante compreensível quando o filme é visto.

4 comentários:

Eduardo Porto disse...

Belíssimo comentário, tenho certo preconceito contra filmes cults, mas é injustificado, procurarei ampliar meus gostos.

Carol Morais disse...

Bastante centrado seu comentário, Mateus, o Indolente.
Inesquecível a trilha sonora deste filme. Uma trilha leve, sentimental e, diria até "feliz".
Utilizada em diversas performances de dança contemporânea e estilos livres, algumas músicas que constituem a trilha do filme são ideias quando o objetivo é tocar o público.

Carol Morais disse...

Errata:
Lê-se ideais, ao invés de ideias na penúltima linha de meu comentário acima.
Desculpem.

Anônimo disse...

A melhor crítica desse filme!

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