domingo, 28 de junho de 2009

1 Do Cinema Nacional


O cinema brasileiro passa por uma transformação constante. A produção brasileira no cinema ainda é baixa, no entanto, justamente por essa transformação, as produções de boa qualidade vem se tornando marca no cinema tupiniquim, logicamente, existem sim as produções ruins', algumas até quase thrash como os charmosos filmes de José Mojica, ou Zé do Caixão.

Após a escassa produção na década de 30 a 50, filmes basicamente baseados na literatura, nos anos 60 ocorreu o advento das pornochanchadas (Canal Brasil de madrugada? Alguém?), fazendo sucesso com o público adulto, foram nas pornochanchadas que saíram grandes diretores, escritores e atores nacionais, como Manoel Carlos e Lima Duarte; Gretchen (Alugam-se Moças), Rita Cadillac (O Bem Dotado) e Vera Fischer (A Super Fêmea) obtiveram seu auge nas pornochanchadas dos anos 70.

Nem tudo era pornografia, as produções novelescas ganhavam status de arte. Irmãos Coragem foi uma das primeiras séries novelescas de sucesso e apesar de terem sido apenas televisionadas, fizeram com que houvesse uma necessidade de se modernizar e ter um crescimento nas partes de equipamento e atuacão. As novelas brasileiras alcançavam enorme sucesso não só no Brasil, mas também no exterior, A Escrava Isaura foi reprisada no Brasil cerca de quatro vezes e foi exibida na China, Coréia, Japão, Vietnã e Indonésia. Lucélia Santos até hoje é tratada como popstar, estando inclusive em comerciais sobre a exportação de café brasileiro para os países asiáticos.

Na década de 90, vieram então as grandes produções cinematográficas, Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira protagonizaram o belíssimo Central do Brasil de 1998, sucesso na crítica e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, uma mostra da evolução do cinema nacional, fazendo com que perdêssemos o rótulo de país das novelas e então produzindo grandes sucessos. Em 2000, O Auto da Compadecida com Selton Mello e Matheus Nachtergale, uma verdadeira obra-prima que abriu espaço para outras obras de cunho regional, ganhou destaque também no exterior. Lisbela e o Prisioneiro também com Selton Mello merece destaque, apesar da crítica não ter sido das melhores.

A produção nacional hoje está engrenando de forma constante, a cada ano temos novos filmes e sempre temos bons sucessos de críticas, apesar do escasso suporte tecnológico, temos diretores que são tão bons quanto os de Holywood, vide Fernando Meirelles em O Jardineiro Fiel, que faturou inclusive um Oscar. Fernanda Montenegro, sua filha Fernanda Torres, Lima Duarte, Matheus Nachtergale, Tony Ramos, Dan Stulbach (esses dois últimos estarão em Tempos de Paz, que entrará em cartaz ainda nesse ano) e outros tantos atores brasileiros que, sinceramente, são melhores atores que uma boa parte dos atores americanos (dizem as más línguas que eu danço ballet tão bem quanto a Lindsey Lohan atua).

Eu pensei em dedicar um parágrafo para Xuxa, Didi e etc... Mas melhor não.

O cinema brasileiro tem ainda uma coisa que o cinema americano perdeu quando teve seu crescimento precoce: a falta de politicagem e publicidade. Aqui, apenas os melhores participam, não tem essa de apenas rostinhos bonitos (esqueçam Didi, Xuxa e Luana Piovanni), o cinema brasileiro estará em grande fase e tem tudo para ganhar grande proporções.

1 comentários:

Carol Morais disse...

Ótimo texto! É incrível como você consegue condensar tantos anos de evolução do cinema nacional em um texto tão limpo e sintético.

Gostei bastante...é a cara do nosso cinema que cresce gradativamente.

Te amo!

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