terça-feira, 9 de junho de 2009

1 Primeira Crítica do Blog: O Lutador

O Lutador
(Wrestler, The, 2008)









Ao ver o título do filme, mesmo o pôster e algumas cenas pode-se pensar que 'O Lutador' é um filme puramente de luta, de ação; coisas bastantes presentes em vários filmes direcionados a um público bastante acéfalo, que são recheados de pirotecnia, efeitos especiais, mulheres gostosas e Photoshop (dos tipos protagonizados pro Jason Statham).

Mas não é. O Lutador, em 2008, foi bastante ofuscado por outras grandes produções como 'Quem Quer Ser Um Milionário' e 'O Curioso Caso de Benjamim Button', é verdade, mas em momento nenhum é inferior as produções acima e tem nelas um certo toque de drama com aquela sensação de que nada vai dar certo e foge compeltamente dos clichês. E é isso que de certa forma nos faz emocionar ao ver o filme.

Randy 'The Ram' Robinson (Mickey Rourke) é um lutador de luta-livre profissional que já teve seu auge na carreira na década de 80 quando o circuito de lutas-livres era bastante famoso por todos os Estados Unidos, durante sua carreira travou batalhas épicas dentro do ringue contra adversários como o 'Aiatolá', no entanto, a luta-livre ficou mais profissionalizada e mais difícil, deixando de lado os lutadores antigos e a diversão, e dando lugar a violência e golpes pesados.

Com o passar do tempo e sendo ultrapassado, Randy vira apenas uma mera caricatura do que era 20 anos atrás, lutando em um circuito de lutas menos nobre (lutas combinadas por pura diversão), esquecido pela filha (que ele abandonou) e tendo que complementar o aluguel trabalhando em um supermercado, vivendo uma vida cada vez mais decadente. Após uma parada cardíaca, Randy percebe que não tem dado o devido valor a vida, então é amparado por uma amiga, Cassidy (Marisa Tomei, em uma curta, porém belíssima atuação), que trabalha como dançarina noturna e, por ser mais velha que as companheiras, é pouco requisitada pelos clientes e vive situações difíceis, com um filho para criar. Cassidy sugere a Randy que veja a sua filha (Evan Rachel Wood, também em bela atuação), converse com ela e que assim possa de certa forma consertar os erros do passado. 'The Ram' então se encontra na difícil situação de ingressar em um mundo mais escuro que o ringue e que nem todo mundo o conhece, nem grita seu nome. Nesse ponto, dá para ver uma certa evolução no personagem, para então, tudo cair na decadência de antes.

O diretor Darren Aronofsky acerta em cheio ao deixar o filme o mais melancólico e triste possível, mesmo nas cenas de luta onde até consegue arrancar algumas risadas, não há trilha sonora e a câmera se concentra muito no rosto de Rourke ou na sua visão (Rourke aliás que tem uma das melhores atuações na carreira), onde ele mostra toda a dor e sofrimento de um homem que está fazendo o que gosta, mas sabe que já não dá mais para ele, a aposentadoria bate na sua porta e Randy já não sabe o que fazer. A fotografia ora acinzentada com o céu sempre nublado (lembrando a real vida de Randy), ora bastante iluminada nos ringues (lembrando então a vida falsa que ele leva nas lutas), câmera sempre se mexendo muito, ora atrás dos personagens, ora como se fosse parte da cena, na platéia das lutas ou mesmo dentro do ringue. Além da quase total ausência de trilha sonora, são esses os pequenos detalhes que fazem de 'O Lutador' ser um filme tão espetacular.

Tudo isso culmina em um belíssimo final, que parece até ser repentino, mas traz um misto de ironia com perplexidade, além de uma alta dose de inteligência. 'O Lutador' não é só um filme de luta, mas também é um história muito bem contada que tem tudo para dar certo: um roteiro acima da média, atuações dignas de prêmios e direção primorosa. Promete cativar até mesmo os fãs dos filmes de ação acéfalos, cheios de efeitos especiais, mulheres gostosas e Photoshop.

1 comentários:

Mateus, O Indolente disse...

Pouco conheço do trabalho de Rourke, mas esse é um filme que com certeza espero ver.

PS: Marissa Tomei é linda *__*

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