segunda-feira, 5 de outubro de 2009

2 Críticas: 500 Dias com Ela

500 Dias com ela
((500) Days of Summer, 2009)








Por Mateus Souza

Existem alguns filmes que nós, antes mesmo de assistir, já gostamos. Confesso que com (500) Dias com Ela foi isso o que aconteceu comigo. Ao ver o trailer, os protagonistas, o tema central da trama já concluí: vou gostar desse filme.

Dirigido pelo “clipeiro” Marc Webb, (500) Dias com Ela conta a história de Tom, vivido pelo jovem e mistura de Orlando Bloom e Heath Ledger, Joseph Gordon-Levitt, um escritor de cartões comemorativos que procura um grande amor e Summer, a simpaticíssima Zooey Deschanel (de Sim Senhor! e Quase Famosos), que representa o justamente o contrário: alguém que não acredita nos relacionamentos amorosos e muito menos em um grande amor.

O roteiro escrito em conjunto por Scott Neustadter e Michael H. Weber é extremamente divertido, mostrando o rumo do relacionamento do casal principal de forma picotada e não-linear, apresentando, a cada situação, o dia, dos 500 do título, correspondente.

Tal artifício – muito bem usado por Webb, acostumado a histórias curtas, por seu trabalho em videoclipes – não é gratuito, ele serve para mostrar para o espectador o quão instável e incerta era, para Tom, a relação com Summer, pois alterna os momentos bons e ruins, tirando de quem assiste a idéia de continuidade da relação.

Gordon-Levitt está perfeito no papel, é impressionante como o ator é dotado de um imenso carisma. Na segunda metade do filme – quando começamos a sair da comédia e entramos fundo no drama –, ele consegue levar o espectador junto de si para a tristeza em que o personagem afunda.

Zooey Deschanel, que, além de atriz, canta na banda She and Him, consegue ser, ao mesmo tempo em que é a antagonista, adorável e cativante. O que é de grande importância, pois, sem isso, o filme não funcionaria.

500 Dias com Ela é, claramente, um dos "filhos" de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen. A forma leve, mas não superficial, e bem-humorada com que os relacionamentos amorosos aqui são vistos são facilmente identificáveis com a obra-prima de Allen. Webb, porém, não deixa o filme parecer uma cópia, mantendo a originalidade, como na cena - divertidíssima, por sinal - em que a tela é dividida em duas, mostrando a realidade e as expectativas do personagem principal, em uma sutil referência à cena de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, onde, junto das falas, vemos o que os personagens estão pensando.

Em sua obra-prima, Woody Allen conclui que, apesar de quase nunca funcionarem e só trazerem problemas, os relacionamentos amorosos são necessários. Aqui, fica a dúvida se a conclusão da trama penderá para a maneira de pensar de Tom ou a de Summer – que, a essa hora, já pensam de maneira inversa –, ou se chegará a um meio-termo, igual à conclusão de Allen.

Ao fim, Tom percebe que sua concepção de grande amor era incorreta, não podemos atribuir um significado tão profundo a um simples acontecimento humano, mas aquela visão tão cética e pessimista de Summer também não era certa. Os relacionamentos e os grandes amores, sem grandes atribuições, simplesmente, como obra do acaso, acontecem ou não.

2 comentários:

Cintia Carvalho disse...

Oi Mateus!

Nossa, adorei a história. So de ler seu texto fiquei pensando na vida dos dois personagens e no tema que pelo seu relato parecer ter sido muito bem desenvolvido pelo roteirista. Gosto muito de filmes deste tipo que tratam dos relacionamentos de forma realista e verdadeira, sem os romances água com açucar, contados nos contos de fadas.

Não sou fã do Woody Allen, mas dos pouquíssimos filmes dele que vi, "noivo neurótico, noiva nervosa" foi um que gostei e achei bem coerente com a realidade em uma história a dois. Um bom trabalho deste diretor.

Da forma como vc descreveu o personagem principal lembrei de mim quando era novinha e acreditava em um relacionamento perfeito. Porém, com o passar dos anos e o amadurecimento, vamos modificando nossa visão.

O amor é sim, algo bom e maravilhoso que todo ser humano deve e merece vivenciar. Mas, de forma sincera, sem procurarmos no outro a perfeição ou a idealização de uma vida perfeita. Defeitos todos temos, porém devemos aprender a lidar com eles, principalmente numa vida a dois.

Uma excelente dica. Ele está passando aqui na minha cidade e vou aproveitar o feríado para ver.

Um abraço e ótimo feríado.

Poko disse...

gostei muito da crítica, uma das melhores que já li sobre esse filme, parabéns!

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