sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

8 Crítica: Zumbilândia

4/5
Zumbilândia
(Zombieland, 2009)

 






Muita correria, tiros e, é claro, zumbis fazem dessa comédia um divertidíssimo programa.

O interessante dos filmes de zumbis – sub-gênero tão amado/odiado – é que eles podem funcionar como crítica social de várias formas diferentes. Pode ser lá no início, com as referências sociopolíticas de A Noite dos Mortos Vivos (1968), de George A. Romero; ou, um pouco mais adiante, com as críticas ao consumismo de O Despertar dos Mortos (1978); ou, bem recentemente, com o louco Todo Mundo Quase Morto. Agora, é a vez de Zumbilândia, que apesar de algumas críticas sociais (“Este é os Estados Unidos da Zumbilândia”) destoa um pouco dos seus antecessores, sendo uma paródia e passando mais uma mensagem otimista do quê criticando algum comportamento social.

“A trama acompanha o jovem nerd Columbus (Jesse Eisenberg), ex-jogador de videogame solitário, virgem, que só sobreviveu ao holocausto zumbi porque continuou fazendo nele o que sempre fez melhor: se esconder atrás de suas regras rígidas. Já Tallahassee (Woody Harrelson) é o oposto, não tem medo de nada e é o melhor naquilo que faz: matar mortos de vez. Em um mundo pós-apocalíptico, Columbus e Tallahasse formam uma dupla perfeita de sobreviventes... até descobrirem que existem outras pessoas, as irmãs Wichita e Little Rock (Emma Stone e Abigail Breslin), ainda mais preparadas que eles para a vida nesse ambiente inóspito.”

O filme – que, inicialmente, seria uma série de tevê – é dirigido pelo estreante Ruben Fleischer, oriundo dos vídeo-clipes – ramo que vem trazendo diretores bem talentosos, como Mark Webb, novo diretor dos filmes do Homem-Aranha, que tem como trabalho de estréia 500 Dias com Ela (leia a crítica desse filme aqui).

Fleischer dirige o filme de forma bastante divertida e criativa, dialogando muito bem com seu principal mercado consumidor: o público jovem. O roteiro, escrito por Rhett Reese e Paul Wern, não apresenta nenhuma grande inovação ou trama bem elaborada. Na verdade, não existe nem mesmo uma “história”. São quatro pessoas perdidas em um mundo infestado por zumbis e que não sabem muito bem aonde ir.

Afora as já citadas críticas sociais, presentes em todos os bons exemplares de filmes de zumbis, o que a dupla de roteiristas quer passar com o filme é o que o personagem de Woody Harrelson ensina em determinado momento: “Aproveite as pequenas coisas”. Se todo o planeta está destruído e não temos para onde ir, vamos nos divertir com o que nos resta. No caso deles, destruir lojas de conveniência, dormir em mansões de Hollywood ou, até mesmo, arriscar a vida procurando doces. Em um mundo tão cheio de más notícias como o nosso, uma mensagem como essa é bem interessante e oportuna.

O filme conta com um excelente elenco. Woody Harrelson (Assassinos por Natureza), que está sendo redescoberto, é o mais experiente. O seu Tallahassee é divertidíssimo, fazendo o tipo durão que adora matar zumbis. Jesse Eisenberg (Férias Frustradas de Verão) se sai muito bem como o nerd doce e neurótico. Abigail Breslin ( a Pequena Miss Sunshine) – que vem tendo uma adolescência bem mais agradável que a de Dakota Fanning – e Emma Stone, de Superbad - É Hoje – também estão bem à vontade em seus papéis. O filme ainda tem uma pequena (mas genial) participação de Bill Murray, astro cult do momento e um dos meus atores preferidos, interpretando a si mesmo.

Zumbilândia é uma ótima comédia de zumbis, que mantém os elementos básicos desse famoso sub-gênero, inclusive a crítica social, mas nunca se leva muito a sério, funcionando mais como paródia. Um filme que busca, acima de tudo, divertir. E executa tal tarefa de maneira formidável. Ao assistir a Zumbilândia... aproveite as pequenas coisas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

6 Crítica: O Guia do Mochileiro das Galáxias

1/5
O Guia do Mochileiro das Galáxias
(Hitchhiker's Guide to The Galaxy, The, 2005)










Uma série de erros estraga essa adaptação do cultuado livro de Douglas Adams

Em 2005, foi lançada uma adaptação de O Guia do Mochileiro das Galáxias, livro publicado em 1979, e cultuado por uma legião de fãs. Escrito pelo inglês Douglas Adams (1952-2001), o livro, que surgiu no rádio, é o primeiro de uma série que mistura de forma irresistível ficção científica com aquele humor bem típico dos ingleses – um humor bem Monty Python, se é que você me entende.


No filme, pouco antes da Terra ser destruída por alienígenas, Arthur Dent (Martin Freeman) e Ford Prefect (Mos Def), dois amigos, conseguem fugir pegando carona em uma nave alienígena, quando Perfect assume ser um E.T. disfarçado, que fazia pesquisas para um guia de viagens interplanetário: O Guia do Mochileiro das Galáxias.


O filme foi dirigido pelo então estreante Garth Jennings – indicado por Spike Jonze (Quero Ser John Malkovich), que recusou o trabalho – a partir de um roteiro escrito pelo próprio Douglas Adams, com revisão de Karey Kirkpatrick (A Fuga das Galinhas, As Crônicas de Spiderwick). O resultado, porém, não é nada bom.


O roteiro é mal adaptado. Chega a ser surpreendente que as mãos de Adams tenham passado por ali. A maneira como o livro é passado da linguagem literária para a cinematográfica é bastante ruim. As piadas se enfraquecem, os personagens perdem o carisma, as ácidas críticas perdem a força.


Temos a entrada de novos personagens, novas situações e relações, algo que, se feito de maneira coerente, seria ótimo, afinal, trata-se de um filme, não de um livro, mudanças devem ser feitas. Mas isso não acontece, o roteiro é mal escrito, tudo parece atropelado, mal explicado e desenvolvido. Tudo é muito chato, na verdade.


O elenco até se esforça, mas não consegue fazer um bom trabalho. Prejudicados pelo péssimo roteiro, não têm espaço para dar vida aos seus personagens, não tem o tempo para desenvolvê-los. Alguns ótimos personagens são esquecidos e passam quase despercebidos, como é o caso de Marvin, o robô extremamente depressivo, que tem sua voz feita por Alan Rickman, o Snape de Harry Potter.


Ainda completam o elenco Sam Rockwell, bem fraco como o excêntrico Zaphod Beeblebrox, Zooey Deschanel, como Trillian, e John Malchovich, numa participação totalmente desnecessária – ele não leu o roteiro antes de aceitar o trabalho?!

Mas quem pensa que o roteiro é o único problema se engana. A trilha sonora é fraquíssima, totalmente inadequada. O design dos alienígenas é muito ruim. Criaturas jocosamente descritas no livro ganham visual digno de peças de colégio. Tudo parece mal-acabado. A montagem é uma piada.

No final das contas, O Guia do Mochileiro das Galáxias é um filme mal realizado. Que não aproveita o ótimo texto que tem em mãos. Não só é uma péssima adaptação, como também um péssimo filme. Um fracasso de bilheteria esquecido pela Disney (que pensava em uma trilogia, no começo). Confesso que, como fã da série, me senti ofendido, ao final da película.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

8 Crítica: Lua Nova

Lua Nova
(Twilight Saga: New Moon, The, 2009)







Por Eduardo Porto

Sou um cara muito suspeito para falar dessa série que faz sucesso entre todas as adolescentes de 12 a 16 anos no mundo todo, nunca fui fã de obras do gênero comercial (se é que existe tal gênero). Enfim, Lua Nova é a continuação da saga Crepúsculo e, reitero, faz um sucesso estrondoso. Talvez o livro tenha realmente um ingrediente bastante agradável aos que o lêem, eu mesmo li o primeiro da série e não achei de todo ruim, diferente de outras obras que se nota apelo comercial: possui uma boa história, personagens carismáticos, mas nada mais que isso. O que me incomoda de certa forma, e não que isso influencie na minha avaliação, é que sendo um fã de Bram Stoker e seu Drácula, fico decepcionado com o rumo que os personagens de terror mais humanos (se é que me entendem) inventados pelo folclore mundial tenham sido tão deturpados. Vampiros que brilham, vão a escola e tem pares românticos... Sinceramente faz com que a série ‘Anjos da Noite’ e ‘Blade’ sejam bons filmes, as vezes dá pra se estabelecer uma comparação entre os vampiros originais e os que a autora criou, quando você chega a conclusão de que eles pouco têm em comum, pensa-se talvez que os seres imaginados por Stephenie Meyer sejam outra coisa menos vampiros. Mas como diria a grande filósofa ‘Cada um no seu quadrado. ’ Vamos ao filme.

Tendo como ponto de partida que Lua Nova é um filme baseado em uma obra literária de bastante êxito comercial, o filme se torna agradável aos fãs por ser extremamente fiel ao livro e, por se tratar de uma seqüência, tem por obrigação ser melhor que sua antecessora, o que não é grande coisa: Lua Nova tem alguns pontos positivos, mas falha em quase todos os outros.

Neste longa, a jovem Bella Swan (
Kristen Stewart) completa seus 18 anos na companhia de seu amado vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Quando este percebe, após um incidente, que Bella não pode ficar junto dele por trazer perigo, Cullen abandona a jovem em uma pequena cidade chamada Forks. Afastada de seu grande amor, Bella vive um momento então de depressão e angústia, quando vê no jovem Jacob (Taylor Lautner) um pequeno alento ao seu vazio no coração. Piegas? Fica a seu critério. A partir daí o que move o filme é justamente o fato da srta. Swan estar desestruturada por não ficar junto a seu amado mordedor de pescoço (se é que ele morde alguma vez), Edward, ao contrário do que ocorre no primeiro longa da série, se torna um coadjuvante e agora a ênfase se dá no casal Bella – Jacob, transformando um já conturbado romance em um triângulo amoroso.

O fato que então realmente pode incomodar e deixar uma séria dúvida no ar é que após assistir o filme, o cinéfilo mais centrado em suas opiniões (ou seja: aquele que não é fã da série e nem por um motivo ou outro a odeia) percebe que o filme em si é uma imensa perda de tempo e dinheiro, pois ele é quase que desnecessário à série, claro que há um ponto e outro que se leva sim em consideração, mas no frigir dos ovos fica aquela pulga atrás da orelha sobre se realmente era necessário cerca de 80% da filmagem ou história em si. Apelo comercial? Tirem suas conclusões. Se é desnecessário à série não se tem certeza, mas se é desnecessário como veículo de entretenimento isso é fato. A opinião deste escritor é simples: Lua Nova acaba sendo uma baita enrolação.

Uma parte que gosto de avaliar é a atuação dos personagens e esta é a primeira grande falha no filme. Chris Weitz tem grandes soluções visuais e faz um bom trabalho ao mesclar tudo isso com a fotografia, mas ao dirigir seus atores não parece obter o mesmo êxito. Gosto de dizer que boas atuações são aquelas que não são iguais as suas paródias, as atuações ruins são iguais a elas. E se vocês observarem algumas paródias de Lua Nova no YouTube ou na TV eu posso afirmar com certeza que pelo menos 50% do exagerismo é real. Os atores quando se expressam de forma triste parecem que viraram emos e ficam em um tom sombrio demais, e isso não acontece quando eles tentam expressar alguma alegria que acaba sendo contida demais. Toda a atuação acaba sendo escura, pálida como a cor da pele de Pattinson, até mesmo apática. Kristen Stewart é a cara da apatia no filme, patética, mocinhas de romances trovadores são mais ativas que sua Bella Swan. Robert Pattinson é o novo Keanu Reeves, praticamente inexpressivo, só um rosto bonito e que atrai as fãs. Taylor Lautner merece algum destaque por atuar bem e ficar confortável no seu personagem que, por sinal, fica sem camisa a maior parte do filme o que é outra arma para atrair as moçoilas a comprar suas Caprichos e Toda Teen. Dakota Fanning e Cameron Bright, que pareciam promissoras, nem fedem nem cheiram.

Os bons momentos do filme estão nas mãos do diretor Chris Weitz: usando boas soluções visuais, ele demonstra de forma bastante eficaz a passagem de tempo no filme, como na cena em que Bella observa pela janela a passagem dos meses esperando Edward. Vale ressaltar que, apesar das falhas na direção de atores, já citada acima, é Weitz que faz desse filme superior à Crepúsculo, dirige bem e dá ênfase à bela fotografia do filme. Porém, os efeitos especiais estão bastante aquém do que uma produção como essa merecia, a transformação em lobisomem é simplesmente ridícula e os deixa parecendo bichinhos de pelúcia. Deprimente. O roteiro é pobre e fica preso a chavões dramáticos escritos pela autora e frases de efeito desnecessárias. De certa forma a roteirista transpõe de forma eficaz o romance, mas cai num erro primitivo e agrada apenas aos fãs da série, o que é ridículo pensando-se na imensa cadeia de entretenimento que é o cinema hoje em dia. O mesmo se fala dos filmes de super-herói que vêm e recebem uma enxurrada de críticas por um motivo x ou y, mas o grande mérito destes é agradar mesmo aqueles que sequer abriram uma página do gibi.

Concluindo, Lua Nova é um filler imenso que agrada apenas as histéricas meninas que lotam as salas de cinema em busca de ver o rosto branco e inexpressivo de Robert Pattinson, o peitoral exposto de Taylor Lautner ou as lamúrias da apática Kristen Stewart e sua patética Bella Swan. E pensar que em Junho deste ano vem mais um capítulo desta franquia e seus milhões de dólares, vale refletir que já fomos de uma época em que filmes melhores eram feitos com um décimo deste orçamento.

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Olá pessoal que frequenta o Cinema para Desocupados!

Como vocês podem ter notado estreamos as nossas abas de postagens, criado pelo nosso departamento de arte, chefiado e produzido por Thiago Soares, irmão do meu colega desocupado Mateus de Souza, as abas foram feitas visando assim um maior entendimento do público sobre quem posta as críticas e os artigos. Estamos também com um projeto novo para que haja maior participação de vocês, estimados leitores desocupados, aqui no blog: por meio de enquetes e postagens que ocorrerão ainda este mês vocês escolherão o filme ou temas sobre os quais gostariam que fosse discutidos aqui no blog.

Queremos um Cinema para Desocupados ainda melhor para todos!

Com estimas,

Os cinéfilos desocupados.

sábado, 16 de janeiro de 2010

6 O que é o Globo de Ouro?

Premiação é conhecida por funcionar como um dos termômetros do Oscar

No próximo dia 17, acontecerá, no Beverly Hilton Hotel, em Beverly Hills, a 67ª edição Globo de Ouro. Isso você ja deve saber. Deve saber também quem são os indicados, os apresentadores e os grandes favoritos.

Mas o que é o Globo de Ouro? O Globo de Ouro é o prêmio concedido anualmente pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, que escolhe os melhores entre os filmes e as séries da TV norte-americana.

A organização foi fundada em 1943, por 8 jornalistas estrangeiros. A primeira festa aconteceu em 1944, nos estúdios da 20th Century Fox, com as categorias de melhor filme, ator, atriz e coadjuvantes. O único ano onde não houve cerimônia de premiação foi o de 2008, devido à greve dos roteiristas, sendo realizada apenas uma entrevista coletiva para dizer os vencedores.

Diferentemente da premiação do Oscar, o ambiente do Globo de Ouro é bem descontraído. É como se fosse um encontro entre amigos. Não há todo aquele glamour. A premiação não acontece em um enorme auditório. Acontence em um banquete num hotel, com os convidados dispostos em mesas, tomando um bom champanhe.

O Golden Globes Awards é, ao lado dos prêmios do sindicatos - de atores, diretores, roteiristas e produtores -, o melhor guia para às premiações do Oscar, dando idéia de qual rumo a Academia tomará.

A partir das 22h de amanhã (17/01), a TNT transmitirá a premiação, desde a chegada dos convidados até a entrega dos prêmios, que começa às 23h. A festa ainda contará com uma homenagem à Martin Scorsese, que vai receber o prêmio Cecil B. DeMille. O apresentador será o comediante britânico Ricky Gervais.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

10 Crítica: Se Beber Não Case

Se Beber, Não Case
(Hangover, The, 2009)








A comédia sensação de 2009, Se Beber Não Case (The Hangover), chega agora em DVD com o status de “comédia de censura 18 anos mais lucrativa da história” - 467 milhões de dólares mundialmente - e comédia mais lucrativa de todos os tempos, no home video – 8,6 milhões de unidades, em menos de um mês.

O filme é mais um exemplar dos chamados “bromances”, os filmes sobre amizade masculina. Na história, “às vésperas do casamento de Doug (Justin Bartha), seus melhores amigos - Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e Alan (Zach Galifianakis) - armam uma empolgada despedida de solteiro na cidade dos cassinos. Na manhã seguinte, os três acordam com a mãe de todas as ressacas num quarto de hotel detonado, sem qualquer lembrança do que aconteceu. Pra piorar, o noivo sumiu... e o que são aquela cadeira fumegante, a galinha andando na sala, o bebê no armário ou o tigre de begala no banheiro?”

O diretor do filme, o simpático Todd Philips, não tem nenhum grande projeto em seu histórico, a não ser uma participação no roteiro de Borat e a direção de Starsky & Hutch - Justiça em Dobro, mas surpreende fazendo um bom trabalho em Se Beber Não Case, nunca perdendo o ritmo e dirigindo muito bem os seus atores – o filme nunca cansa e as piadas brotam a todo momento.

O elenco tem como destaque Zach Galifianakis – mais conhecido na internet por seu programa de entevistas “Entre Duas Samambaias” e por sua participação na série da HBO Bored To Death – que interpreta o irmão da noiva e rouba a cena nas cenas cômicas (que são quase todas do filme!), apesar dos outros atores estarem muito bem – a química entre todos eles é impressionante.

No entanto, o grande mérito do filme está no roteiro. Escrito por Jon Lucas e Scott Moore, ele é divertidíssimo, partindo de uma premissa bem original – não nos é mostrada a farra, apenas o dia seguinte, a ressaca. E a partir delas, os amigos vão tentar desvendar o que ocorreu na noite anterior e onde diabo foi parar o noivo, tudo isso a partir das situações mais nonsense possíveis, sempre com uso do politicamente incorreto – com piadas envolvendo bebês, 11 de setembro e o holocausto.

A versão que chegou aos cinemas brasileiros recebeu alguns cortes e legendas sem palavrões. O filme passou de 18 para 14 anos, aumentando, assim, o público que poderia vê-lo no cinema. É claro que qualquer tipo de corte prejudica a obra – os palavrões são, sim, importantes! –, mas você não vai achar o filme menos engraçado por isso. Eu garanto!

Se Beber Não Case encabeça a lista das grandes comédias que vem sendo lançadas ultimamente, com piadas afiadíssimas, que mesclam o melhor do nonsense e do politicamente incorreto. Sem dúvida, uma das grandes surpresas de 2009. Agora, só nos resta esperar a continuação, que está prevista para junho de 2011.

domingo, 10 de janeiro de 2010

10 Crítica: Sherlock Holmes

Sherlock Holmes
(Sherlock Holmes, 2009)








Por Eduardo Porto

Em uma tentativa que beira o sucesso e o fracasso total, o diretor Guy Ritchie tenta reavivar o famosíssimo detetive de Arthur Conan Doyle. Neste filme, Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e seu fiel escudeiro Watson (Jude Law), tentam desvendar os misteriosos assassinatos ameaçados e praticados pelo sinistro Lorde Blackwood. Em um clima que envolve suspense, realismo e o sobrenatural de forma bastante intrínseca, desenvolve-se uma imensa trama deixando toda a sociedade londrina apavorada. A primeira impressão que se tem é de que de certa forma o filme não consegue definir seu rumo e deixa o espectador em uma espécie de clima de pseudo-suspense, pois sabendo que tudo que o vilão faz não passam de truques fica-se apenas esperando a hora em que Holmes desvendará e como ele chegará as suas conclusões. Chegando então ao principal defeito no filme: um roteiro clichê.

A primeira cena, por exemplo, mostra Holmes e seus comparsas interrompendo um ritual de magia negra comandado por Blackwood, uma sequência de ação, correria, juntando isso com todo o ar de feitiçaria, o filme começa demonstrando ares de realismo fantástico. Um ponto que gosto de destacar é quando Holmes planeja o ataque ao guarda, onde ele prevê cada soco, cada movimento. Algumas pessoas, e eu me incluo nelas, achou aquilo muito legal, mas parece muita encheção de lingüiça. Ele poderia simplesmente desenrolar a cena já com toda a explicação de Holmes, poderia ficar menos repetitivo. Vale ressaltar a câmera lenta do filme: muito bem empregada e empolga o espectador, não faz com que você se sinta irritado esperando que se desenrole logo para chegar a uma conclusão, isso também é ajudado pelos diálogos que ocorrem nessa passagem o que torna a cena lenta bastante agradável.

O fato é que o clima, que antes era bastante realista, começa a de certa forma intrigar o espectador, principalmente após a ressurreição do vilão. O espectador, no fundo, no fundo, sabe que foi um truque, mesmo com todos os detalhes envolvendo e fazendo com que o mesmo acredite ferrenhamente que o vilão do filme morrera. Nesse ponto volta-se a realidade do filme, quando então é revelado que o malfeitor tem um pacto com o coisa-ruim e voltou da tumba, logo o espectador se vê imerso no sobrenatural novamente, juntando isso ao clima de terror que a sociedade do filme passa a ter, você se sente em algum desses filmes adolescentes e fica achando que o vilão vai aparecer a qualquer instante na tela. O problema é que nem isso vira surpresa, pois, toda a vez que alguém vai morrer e Blackwood está envolvido, um corvo aparece, o que apenas reforça a mesma situação sobrenatural mas não acrescenta em nada. O filme então se presta, por meio dos seus personagens, a explicar todo o mistério envolvido e como ele foi feito, fica legal quando, por exemplo, fazem pequenos flashbacks e mostram como Holmes seguiu sua ex-mulher até a carruagem. Porém fica muito óbvio e clichê quando o mesmo explica os truques do vilão.

Ritchie tem seus pontos fortes nas cenas de ação (com a já explicada câmera lenta), nas cenas de comédia e contando com Downey Jr. e Jude Law em grande fase. Os diálogos ácidos, concisos e afiados não fazem o espectador se perder e arranca desde pequenos risos a grandes gargalhadas (cenas com o Gladstone). Ritchie também expõe de forma bastante elegante a sabedoria do detetive e sua solução de problemas. Acredito que o papel foi feito para Downey ou este se empenhou bastante em deixa-lo a sua cara. Os aspectos técnicos do filme também estão impecáveis. Desde o figurino muito bem formado até os objetos cênicos e os cenários em si até a direção de arte montando uma Londres do século XIX, escolhendo tons frios e cinzas que beiram até o preto, trabalho que lembra outros bons filmes da Europa de séculos passados como ‘Perfume - A História de um Assassino’ (este em Paris). A trilha sonora muito bem composta com seus tons dramáticos e de ação perfeitamente empregados ajuda a montar o clima desejado ao filme.

Concluindo, Sherlock Holmes é uma história com roteiro falho, repleto de clichês e reviravoltas comuns, mistérios menos complexos do que se imaginam. E com explicações que se contradizem com todo o clima que o filme coloca de início. De bom mesmo é ver Downey Jr. e Law em uma química perfeitamente arrojada, mas que não salva muito a película.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

3 Crítica: Flores Partidas

Flores Partidas
(Broken Flowers, 2005)






Por Mateus Souza

Não sou grande fã dos filmes de Jim Jarmusch (Estranhos no Paraíso) –, grande parte deles eu nem conheço. O que realmente me atraiu em Flores Partidas (Broken Flowers), novo filme do diretor e roteirista, foi a participação de Bill Murray (Encontros e Desencontros), que teve Don Johnston, personagem principal do filme aqui criticado, criado especialmente para si. Murray, ultimamente, vem fazendo bons trabalhos, como Três é Demais e Encontros e Desencontros, sendo, por este, indicado ao Oscar de Melhor Ator.

Em Flores Partidas, Murray vive Don Johnston, um playboy de meia-idade que vive como um Don Juan, passando de um relacionamento ao outro, sem se apegar a nada nem a ninguém. Porém, a quietação de Don acaba quando ele recebe uma carta de envelope cor-de-rosa, sem assinatura ou remetente, onde alguma das suas antigas namoradas diz ter um filho dele, e que esse filho, agora com dezenove anos, saiu a procura de seu pai. Impulsionado pelo vizinho Winston, jocosamente vivido por Jeffrey Wright, Don sai em uma viagem à procura das possíveis mães de seu filho.

É incrível como a interpretação de Bill Murray em Flores Partidas é extremamente semelhante à sua em Encontros e Desencontros, os personagens são praticamente iguais, e Bill está tão bem em Flores Partidas, como esteve no filme de Sofia Coppola. O ar de marasmo e indiferença continua, a tristeza e melancolia com algumas piadas sutis são iguais. O fato é que Bill cai perfeitamente bem nesse perfil de “quem caiu na Terra por engano e não sabe exatamente o que está fazendo neste planeta”, como já disse o crítico Celso Sabadin.

O restante do elenco é repleto de estrelas. As ex-namoradas de Don são vividas por atrizes do nipe de Tilda Swinton, Julie Delpy e Sharon Stone. Porém, entre os coadjuvantes, quem merece forte destaque é Jeffrey Wright, que vive o engraçadíssimo Winston, o vizinho metido a investigador. Winston leva uma vida totalmente diferente daquela vivida pelo personagem de Murray, com mulher e vários filhos. É ele quem planeja meticulosamente toda a viagem de Don.

Tudo no filme, da fotografia acinzentada e sem cor à trilha sonora repetitiva, expressa a apatia de Don por aquilo que o cerca, por toda a sua vida. É impressionante como nós, espectadores, vamos, assim como o personagem de Murray, aos poucos, ficando cada vez mais intrigados em descobrir quem é a mãe do filho de Bill, observando qualquer suspeita, qualquer objeto rosa ou a máquina de escrever – dicas dadas pelo vizinho de Don.

Do mesmo modo que não vemos nada de interessante no início do filme, Don Johnston não vê em sua apática vida, mas, a partir do momento que sabemos da possível existência de um filho, vamos, nós e Don, juntos, ficando mais vinculados ao filme e à vida, respectivamente.

Ao final do filme, já não importa mais quem é o filho de Don, quem é a mãe, ou se esse filho realmente existe. O que importa é a conclusão de Don, da necessidade de vivermos o presente momento, de não termos medo de viver, de não passarmos por essa vida apenas por passar, e foi a partir da possibilidade da existência de um filho, um vínculo material com o mundo, que o personagem de Murray percebe isso.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

4 Crítica: Vivendo e Aprendendo

Vivendo e Aprendendo
(Smart People, 2008)

Direção: Noam Murro
Roteiro: Mark Poirier
Elenco: Dennis Quaid, Thomas Haden Church,
Ellen Page



Por Mateus Souza


Lançado em 2008, Vivendo e Aprendendo (Smart People) é um daqueles típicos filmes do cenário independente norte-americano, trazendo os principais elementos que esses trabalhos trazem: personagens deprimidos, conflitos familiares, mistura de drama com comédia e tudo mais aquilo que estamos acostumados e ver no Festival de Sundance.

Mas isso não é necessariamente um ponto negativo. Apesar da forma repetitiva que essa fórmula vem sendo usada ultimamente, ela resulta, quase sempre, em filmes bem melhores que os outros lançados no circuito não-independente.

O filme, dirigido pelo israelense Noam Murro, conta a história de Lawrence Wetherhold (Dennis Quaid), um amargurado professor de literatura que ainda sofre com a morte de sua esposa, e a sua família, composta por seus dois filhos: a arrogante e bem parecida com o pai Vanessa (Ellen Page) e o bem diferente dos dois James (Ashton Holmes). Tem, também, o irmão adotivo de Lawrence, Chuck (Thomas Haden Church), que ainda não tomou um rumo certo na vida e constantemente pede dinheiro emprestado para o seu irmão, e Janet (Sarah Jessica Parker), uma ex-aluna que surge como um potencial par romântico do personagem de Quaid.

As “pessoas inteligentes” do título original são Lawrence e Vanessa. Ele que, amargurado pela morte da esposa, preferiu se esconder em uma crosta de arrogância e mau-humor e ela, que vê no pai um modelo, e se comporta da mesma maneira, não tendo amigos ou namorados. Os dois, acham-se mais inteligentes que as outras pessoas. E é com a entrada de Janet e de Chuck na vida desses dois, que eles vão sair desse estágio, cada um da sua forma.

Porém, o roteiro escrito por Mark Poirier atropela essas relações, não desenvolvendo bem os personagens e as suas relações. Parece que nos é apresentado apenas tópicos, partes do relacionamento deles, o que, por mais de uma vez, torna incompreensível suas atitudes.

O elenco, no geral, está muito bem, minimizando as falhas no roteiro. Page (de Juno) e Church (de Homem-Aranha 3) são os destaques. E até mesmo o canastrão Dennis Quaid se sai bem – deslizando aqui e ali, é verdade, mas sem grandes prejuízos.

Com uma trilha sonora fraquíssima – raridade nesse tipo de filme –, Vivendo e Aprendendo soa como uma boa idéia não muito bem executada, que pega elementos já consagrados no cinema independente e não os sabe aproveitar de forma competente.