terça-feira, 19 de janeiro de 2010

8 Crítica: Lua Nova

Lua Nova
(Twilight Saga: New Moon, The, 2009)







Por Eduardo Porto

Sou um cara muito suspeito para falar dessa série que faz sucesso entre todas as adolescentes de 12 a 16 anos no mundo todo, nunca fui fã de obras do gênero comercial (se é que existe tal gênero). Enfim, Lua Nova é a continuação da saga Crepúsculo e, reitero, faz um sucesso estrondoso. Talvez o livro tenha realmente um ingrediente bastante agradável aos que o lêem, eu mesmo li o primeiro da série e não achei de todo ruim, diferente de outras obras que se nota apelo comercial: possui uma boa história, personagens carismáticos, mas nada mais que isso. O que me incomoda de certa forma, e não que isso influencie na minha avaliação, é que sendo um fã de Bram Stoker e seu Drácula, fico decepcionado com o rumo que os personagens de terror mais humanos (se é que me entendem) inventados pelo folclore mundial tenham sido tão deturpados. Vampiros que brilham, vão a escola e tem pares românticos... Sinceramente faz com que a série ‘Anjos da Noite’ e ‘Blade’ sejam bons filmes, as vezes dá pra se estabelecer uma comparação entre os vampiros originais e os que a autora criou, quando você chega a conclusão de que eles pouco têm em comum, pensa-se talvez que os seres imaginados por Stephenie Meyer sejam outra coisa menos vampiros. Mas como diria a grande filósofa ‘Cada um no seu quadrado. ’ Vamos ao filme.

Tendo como ponto de partida que Lua Nova é um filme baseado em uma obra literária de bastante êxito comercial, o filme se torna agradável aos fãs por ser extremamente fiel ao livro e, por se tratar de uma seqüência, tem por obrigação ser melhor que sua antecessora, o que não é grande coisa: Lua Nova tem alguns pontos positivos, mas falha em quase todos os outros.

Neste longa, a jovem Bella Swan (
Kristen Stewart) completa seus 18 anos na companhia de seu amado vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Quando este percebe, após um incidente, que Bella não pode ficar junto dele por trazer perigo, Cullen abandona a jovem em uma pequena cidade chamada Forks. Afastada de seu grande amor, Bella vive um momento então de depressão e angústia, quando vê no jovem Jacob (Taylor Lautner) um pequeno alento ao seu vazio no coração. Piegas? Fica a seu critério. A partir daí o que move o filme é justamente o fato da srta. Swan estar desestruturada por não ficar junto a seu amado mordedor de pescoço (se é que ele morde alguma vez), Edward, ao contrário do que ocorre no primeiro longa da série, se torna um coadjuvante e agora a ênfase se dá no casal Bella – Jacob, transformando um já conturbado romance em um triângulo amoroso.

O fato que então realmente pode incomodar e deixar uma séria dúvida no ar é que após assistir o filme, o cinéfilo mais centrado em suas opiniões (ou seja: aquele que não é fã da série e nem por um motivo ou outro a odeia) percebe que o filme em si é uma imensa perda de tempo e dinheiro, pois ele é quase que desnecessário à série, claro que há um ponto e outro que se leva sim em consideração, mas no frigir dos ovos fica aquela pulga atrás da orelha sobre se realmente era necessário cerca de 80% da filmagem ou história em si. Apelo comercial? Tirem suas conclusões. Se é desnecessário à série não se tem certeza, mas se é desnecessário como veículo de entretenimento isso é fato. A opinião deste escritor é simples: Lua Nova acaba sendo uma baita enrolação.

Uma parte que gosto de avaliar é a atuação dos personagens e esta é a primeira grande falha no filme. Chris Weitz tem grandes soluções visuais e faz um bom trabalho ao mesclar tudo isso com a fotografia, mas ao dirigir seus atores não parece obter o mesmo êxito. Gosto de dizer que boas atuações são aquelas que não são iguais as suas paródias, as atuações ruins são iguais a elas. E se vocês observarem algumas paródias de Lua Nova no YouTube ou na TV eu posso afirmar com certeza que pelo menos 50% do exagerismo é real. Os atores quando se expressam de forma triste parecem que viraram emos e ficam em um tom sombrio demais, e isso não acontece quando eles tentam expressar alguma alegria que acaba sendo contida demais. Toda a atuação acaba sendo escura, pálida como a cor da pele de Pattinson, até mesmo apática. Kristen Stewart é a cara da apatia no filme, patética, mocinhas de romances trovadores são mais ativas que sua Bella Swan. Robert Pattinson é o novo Keanu Reeves, praticamente inexpressivo, só um rosto bonito e que atrai as fãs. Taylor Lautner merece algum destaque por atuar bem e ficar confortável no seu personagem que, por sinal, fica sem camisa a maior parte do filme o que é outra arma para atrair as moçoilas a comprar suas Caprichos e Toda Teen. Dakota Fanning e Cameron Bright, que pareciam promissoras, nem fedem nem cheiram.

Os bons momentos do filme estão nas mãos do diretor Chris Weitz: usando boas soluções visuais, ele demonstra de forma bastante eficaz a passagem de tempo no filme, como na cena em que Bella observa pela janela a passagem dos meses esperando Edward. Vale ressaltar que, apesar das falhas na direção de atores, já citada acima, é Weitz que faz desse filme superior à Crepúsculo, dirige bem e dá ênfase à bela fotografia do filme. Porém, os efeitos especiais estão bastante aquém do que uma produção como essa merecia, a transformação em lobisomem é simplesmente ridícula e os deixa parecendo bichinhos de pelúcia. Deprimente. O roteiro é pobre e fica preso a chavões dramáticos escritos pela autora e frases de efeito desnecessárias. De certa forma a roteirista transpõe de forma eficaz o romance, mas cai num erro primitivo e agrada apenas aos fãs da série, o que é ridículo pensando-se na imensa cadeia de entretenimento que é o cinema hoje em dia. O mesmo se fala dos filmes de super-herói que vêm e recebem uma enxurrada de críticas por um motivo x ou y, mas o grande mérito destes é agradar mesmo aqueles que sequer abriram uma página do gibi.

Concluindo, Lua Nova é um filler imenso que agrada apenas as histéricas meninas que lotam as salas de cinema em busca de ver o rosto branco e inexpressivo de Robert Pattinson, o peitoral exposto de Taylor Lautner ou as lamúrias da apática Kristen Stewart e sua patética Bella Swan. E pensar que em Junho deste ano vem mais um capítulo desta franquia e seus milhões de dólares, vale refletir que já fomos de uma época em que filmes melhores eram feitos com um décimo deste orçamento.

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Como vocês podem ter notado estreamos as nossas abas de postagens, criado pelo nosso departamento de arte, chefiado e produzido por Thiago Soares, irmão do meu colega desocupado Mateus de Souza, as abas foram feitas visando assim um maior entendimento do público sobre quem posta as críticas e os artigos. Estamos também com um projeto novo para que haja maior participação de vocês, estimados leitores desocupados, aqui no blog: por meio de enquetes e postagens que ocorrerão ainda este mês vocês escolherão o filme ou temas sobre os quais gostariam que fosse discutidos aqui no blog.

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8 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Ainda acho que um diretor mais incisivo, ousado e firme conceberia filmes mais aprofundados e intensos, até no âmbito interpretativo dos atores.

Quem já viu os outros filmes da Kirsten Stewart sabe do que digo: ela é ótima atriz, bem expressiva até.


Abraço!

Eduardo Porto disse...

De fato, Kristen Stewart é ótima atriz. Mas as vezes achei que o personagem não coube nela.
Obrigado pelas visitas!

kah disse...

Apesar de ter conferido os 2 filmes, não consigo entender o sucesso ja que ele é bastante falho em todos os seus aspectos.


http://cinemaemdvd.blogspot.com/

Mateus, O Indolente disse...

Eu li os quatro livros da série, mas não me empolguei com os filmes, pois já sabia que seriam trabalhos bem médios, superficiais - os livros, em si, são isso mesmo.

Vi Crepúsculo, mas não vi Lua Nova. Mas acredito que o ritmo seja o mesmo, só que com mais monstrinhos, agora.

Kristen Stewart, pra mim, é a única coisa que presta naquele elenco. Já venho acompanhando o trabalho da atriz bem antes dela virar um paixão vampírica.

Em filmes como O Quarto do Pânico, Eu e as Mulheres e Férias Frustradas de Verão - acho que é esse o título - ela está ótima!

Ah, bela aba feita pelo meu irmão, haha, mas vamos parar por aí, para não sermos acusados de exploração infantil, haha!!

Vlw, Eduardo.

*Aline* disse...

Na minha opinião foi dinheiro gasto...
Só me empolguei pra ver Lua Nova porque todo mundo dizia que era bem melhor que Crepúsculo, que eu já tinha achado péssimo...E no fim achei tão ruim quanto o primeiro.
Nunca li os livros, mas também, depois de ver os filmes, agora que não quero ler mesmo.
Mas de todas, a maior decepção realmente é a atuação, chega a ser um crime fazer um filme com tamanha falta de expressão dos atores, principalmente nas cenas de Bella e Edward.

CINECLUBE01 disse...

Opa, linkei o seu blog no meu. Depois dá uma olhada. Abrs colega.

Jeniss Walker disse...

não consigo ficar fã dessa série, Eduardo. acho que se eu me esforçar mais, é possivel que eu peide :P. desse capítulo novo, o que se salva é a trilha de Desplat e a traminha sobre os índios. o próximo capítulo terá o diretor de '30 Dias de Noite'. quem sabe não seja melhor. abraço :)

Camila Vázquez disse...

Para ser honesto eu não gostava da saga, pessoalmente, não tinha enredo e caiu no absurdo. No entanto, devo admitir que o elenco foi muito bom. Eu gostei muito do trabalho que ele fez Michael Sheen, não importa o projeto, demonstrou seu extraordinário talento. Atualmente, podemos desfrutar de seu trabalho sobre quarta temporada de Masters of Sex , uma série histórica definida na década de 50 demonstramos de forma sexualidade científica. É uma pena que a saga Crepúsculo chegou ao fim, felizmente, ainda podemos ver o elenco em outros projetos que tem certeza de deliciar-nos.

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