segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

6 Crítica: O Guia do Mochileiro das Galáxias

1/5
O Guia do Mochileiro das Galáxias
(Hitchhiker's Guide to The Galaxy, The, 2005)










Uma série de erros estraga essa adaptação do cultuado livro de Douglas Adams

Em 2005, foi lançada uma adaptação de O Guia do Mochileiro das Galáxias, livro publicado em 1979, e cultuado por uma legião de fãs. Escrito pelo inglês Douglas Adams (1952-2001), o livro, que surgiu no rádio, é o primeiro de uma série que mistura de forma irresistível ficção científica com aquele humor bem típico dos ingleses – um humor bem Monty Python, se é que você me entende.


No filme, pouco antes da Terra ser destruída por alienígenas, Arthur Dent (Martin Freeman) e Ford Prefect (Mos Def), dois amigos, conseguem fugir pegando carona em uma nave alienígena, quando Perfect assume ser um E.T. disfarçado, que fazia pesquisas para um guia de viagens interplanetário: O Guia do Mochileiro das Galáxias.


O filme foi dirigido pelo então estreante Garth Jennings – indicado por Spike Jonze (Quero Ser John Malkovich), que recusou o trabalho – a partir de um roteiro escrito pelo próprio Douglas Adams, com revisão de Karey Kirkpatrick (A Fuga das Galinhas, As Crônicas de Spiderwick). O resultado, porém, não é nada bom.


O roteiro é mal adaptado. Chega a ser surpreendente que as mãos de Adams tenham passado por ali. A maneira como o livro é passado da linguagem literária para a cinematográfica é bastante ruim. As piadas se enfraquecem, os personagens perdem o carisma, as ácidas críticas perdem a força.


Temos a entrada de novos personagens, novas situações e relações, algo que, se feito de maneira coerente, seria ótimo, afinal, trata-se de um filme, não de um livro, mudanças devem ser feitas. Mas isso não acontece, o roteiro é mal escrito, tudo parece atropelado, mal explicado e desenvolvido. Tudo é muito chato, na verdade.


O elenco até se esforça, mas não consegue fazer um bom trabalho. Prejudicados pelo péssimo roteiro, não têm espaço para dar vida aos seus personagens, não tem o tempo para desenvolvê-los. Alguns ótimos personagens são esquecidos e passam quase despercebidos, como é o caso de Marvin, o robô extremamente depressivo, que tem sua voz feita por Alan Rickman, o Snape de Harry Potter.


Ainda completam o elenco Sam Rockwell, bem fraco como o excêntrico Zaphod Beeblebrox, Zooey Deschanel, como Trillian, e John Malchovich, numa participação totalmente desnecessária – ele não leu o roteiro antes de aceitar o trabalho?!

Mas quem pensa que o roteiro é o único problema se engana. A trilha sonora é fraquíssima, totalmente inadequada. O design dos alienígenas é muito ruim. Criaturas jocosamente descritas no livro ganham visual digno de peças de colégio. Tudo parece mal-acabado. A montagem é uma piada.

No final das contas, O Guia do Mochileiro das Galáxias é um filme mal realizado. Que não aproveita o ótimo texto que tem em mãos. Não só é uma péssima adaptação, como também um péssimo filme. Um fracasso de bilheteria esquecido pela Disney (que pensava em uma trilogia, no começo). Confesso que, como fã da série, me senti ofendido, ao final da película.

6 comentários:

Eduardo Porto disse...

Triste, me diverti muito com os livros da série. Passo longe. Belos comentários mano.

Caio Coletti disse...

Cara, para falar a verdade eu só fui ler o livro de Douglas Adams depois de assistir o filme do Garth Jennings. Acho que cada um fez um trabalho a sua maneira, e até concordo que "O Guia", o filme, seja uma adaptação ruim, mas não acho que seja um filme ruim. Muito pelo contrário, aliás. É uma das comédias mais bem sacadas de seu ano.

Você falou do roteiro, aí eu concordo com a maioria das reclamações, em termos de adaptação o texto peca mesmo, não consegue manter o espírito meio anárquico, meio caótico (meio Monty Python, disse bem) do Adams. Mas a inclusão de personagens, as piadas e as situações novas foram bem acertadas, acho que combinaram com o que o filme propôs, que é uma versão mais "suave", digamos assim "hollywoodizada" da escrita de Adams.

Do elenco: A Zooey Deschanel tá uma graça como sempre, linda e carismática, sou fã dela, suspeito para falar. O Mos Def tava bem no ambiente dele também. E o Alan Rickman como a voz do robôzinho pessimista (a melhor coisa do filme, diga-se de passagem) tava mais que perfeita.

Enfim, pra mim é um filme um pouco mais até que assistível. Mas, claro, respeito a sua opinião.

Abraço! :D

Mateus, O Indolente disse...

Caio, eu até me esforcei pra gostar do filme, hehe, mas não deu.

A hollywoodizada sobre a qual você falou me incomodou bastante - algumas cenas pareciam comédia romântica.

Às vezes, imagino como seria o filme se Terry Gilliam o tivesse feito.

Ah, em relação a Zooey Deschanel...somos dois, haha. Também sou apaixonado por ela.

Abraço.

kah disse...

Cada um que le o livro imagina ele de um jeito diferente, e em um filme são inúmeras pessoas colocando a sua visão do livro. Por isso acho que no momento em que vamos assistir uma adaptação é bom esvaziar a mente. Eu, particularmente, adoro este filme e o seu humor. Os efeitos, a fotografia, a trilha, a direção de arte e principalmente as atuações fazem deste um bom filme.

http://cinemaemdvd.blogspot.com/

Cristiano Contreiras disse...

Sam Rockwell e Zooey Deschane me cativam sempre, mas achei eles sem propósito neste filme esquisitóide.

abraço!

Anônimo disse...

Esse filme deve ser cultuado por nerds cheios de espinhas. O robô anão é a síntese do filme:deprimente.

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