segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

4 Crítica: Simplesmente Feliz

Simplesmente Feliz
(Happy-Go-Lucky, 2008)






Por Mateus Souza


Uma premissa interessante e uma ótima protagonista não conseguem salvar esse trabalho de Mike Leigh

Certa vez, li que se você perguntar para alguém se um filme é bom e essa pessoa responder: “Ele tem uma ótima fotografia!”, as chances de esse filme ser ruim são grandes. Se você me perguntar: “Simplesmente Feliz é um bom filme?”, eu responderei: “Ah, ele tem uma excelente fotografia!”.

Lançado em 2008, Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky) é um trabalho dirigido e escrito por Mike Leigh, cineasta acostumado a fazer dramas pesados (como o Segredo de Vera Drake). Só pela primeira cena (na qual a protagonista passeia alegremente em sua bicicleta ao som de uma música tão alegre quanto), percebemos que Simplesmente Feliz não se enquadra nesse perfil.

O filme conta a história de Poppy, professora primária de Londres, que tem como princípio ver o lado bom de tudo. Os problemas da vida não tiram seu sorriso e bom humor. Quando tem sua bicicleta roubada, ao invés de ficar chateada, ela decide fazer aulas de direção. Poppy leva sua vida de maneira otimista, sempre sorrindo.

Quem interpreta Poppy é a talentosa Sally Hawkins (O Segredo de Vera Drake e Agora ou Nunca, ambos filmes de Leigh), que ganhou o Globo de Ouro por sua atuação nesse filme. Ela consegue passar toda a felicidade e otimismo com que vive a sua personagem sem transformá-la em uma bobona – fato que possivelmente aconteceria com uma intérprete de menos talento.

No entanto, chega um momento em que a felicidade excessiva da protagonista começa a se tornar irritante, e isso não é culpa de Hawkins, é culpa do roteiro escrito por Leigh. Interessante no começo, o roteiro se sai bem durante toda a fase de apresentação dos personagens, porém, após isso, a história não se desenvolve. Não existe, de fato, uma trama.

Vemos Poppy e sua extrema felicidade. Apenas isso. Algumas situações, como a relação com o mal-humorado professor de direção e a visita à casa da irmã, servem apenas para vermos como Poppy é realmente feliz. Essas situações não são bem desenvolvidas a ponto de se tornar algo mais. E, assim, a grande e exagerada felicidade de Poppy se torna chata e gratuita.

Como dito no início, a fotografia do filme é belíssima. Quem a faz é Dick Pope (de O Ilusionista e de outros trabalhos com Leigh, como O Segredo de Vera Drake e Agora ou Nunca), que deixa o filme belíssimo visualmente, caprichando no colorido.

A princípio, Simplesmente Feliz é uma comédia bem interessante, mas que não se desenvolve bem e acaba se tornando uma chatice. Uma pena, pois tinha conteúdo e uma ótima protagonista. Enfim, é um filme de uma excelente fotografia...

4 comentários:

J. Jack disse...

Mateus, um prazer conhecer seu blog, estarei acompanhando por aqui ...

Simplesmente Feliz, é um filme muito interessante a Wakins está ótima e sempre os roteiro de Mike Leigh de uma forma ou outra interessantes!

Hugo disse...

Já havia lido alguma coisa sobre este filme, mas é o tipo de filme para ver quando passar na tv por assinatura.

Abraço

kah disse...

Ainda não vi, mas parece ser exatamente o que eu ja esperava.

www.cinemaemdvd.blogspot.com

Roberto F. A. Simões disse...

Considero esse filme MUITO sobrevalorizado. Não é grande coisa, para dizer a verdade. E está tudo dito.

Cumps.
Roberto Simões
CINEROAD - A Estrada do Cinema

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