quarta-feira, 17 de março de 2010

4 Crítica: Nine

Nine
(Nine, 2009)









Uma releitura de um clássico de Felini que acaba se tornando um festival de cenas mal feitas, personagens mal aproveitados e atuações medíocres.

Nine, no seu cartaz, parece ser promissor: estrelas como Penélope Cruz, Nicole Kidman, Kate Hudson, Sophia Loren e estrelas da música como Fergie, além de Daniel Day Lewis e Marion Cotillard como atores principais. Somando isso ao fato de ser a releitura do clássico 8 e ½ de Frederico Felini somos levados a pensar que estamos diante de um grande filme. Mas o que acontece é que Nine prova que nem sempre grandes estrelas fazem grandes filmes e isso, com a mais absoluta certeza, decepciona qualquer espectador.

O filme conta a história do cineasta Guido Contini que teve um início de carreira promissor com bons filmes, mas que acaba caindo num hiato criativo e produzindo fracassos cinematográficos. Guido então se vê frente ao desafio de produzir outro grande filme, um épico chamado Itália, no entanto, sem criatividade, com a esposa insatisfeita com o casamento, uma amante pegando no pé, produtores e executivos dos estúdios pressionando por um grande filme que faça sucesso. Guido então não consegue produzir uma obra de qualidade, por sinal, não passa da primeira página.

Então, entre devaneios, idéias e lembranças dos seus tempos de menino e da falecida mãe, começam as músicas e coreografias, todas passando nos estúdios da Cinecittá (onde suas idéias se concentram). E aí temos o primeiro ponto positivo e os primeiros negativos: as coreografias, extremamente bem ensaiadas e bem cantadas contrastam com sua absoluta falta de sentido no decorrer do filme. As músicas tem letras fracas e fazem o espectador ficar agoniado, esperando que elas acabem para que a história continue e ao mesmo tempo frustra o mesmo, justo pelo fato dele saber que mais lá na frente haverá outra enfadonha música. Claro, elas não deixam de ter seu lado bom, as coreografias são muito bem ensaiadas, dançadas e sensuais. Grande destaque para a dança solo de Penélope Cruz (indicada a melhor atriz coadjuvante) e a de Kate Hudson. Ah! A Fergie também dança...

E é aí que eu paro, analiso e penso: o que diabos a Fergie faz naquele filme? A resposta, meus caros leitores, é nada. Além de uma dança no meio do filme e de fazer parte das lembranças distantes do menino Guido. O mesmo serve para Sophia Loren que é apenas uma homenagem a si mesma. Temos destaques na atuação, eu particularmente gosto muito de Judi Dench, segura, cantando e dançando bem (mesmo a letra da música não ajudando), vive a figurinista Lili. Aliás, vale ressaltar que um dos grande pontos altos do filme é o figurino, indicado ao Oscar e perdendo para Jovem Vitória, que ainda não saiu nos cinemas daqui.

Já a direção chega a ser patética. Alguns outros críticos afirmam que Rob Marshall se assemelha bastante a Guido: sem rumo nem direção para o filme. Marshall tenta imitar Felini, mas ele não consegue. Fico em dúvida se é o roteiro, as músicas ou a atuação. Nine podia ser uma experiência apaixonante, mas não tem energia nem romantismo suficientes. Acaba sendo uma experiência desapontante.

4 comentários:

Mateus, O Indolente disse...

A indicação de Penélope Cruz ao Oscar só mostra que a espanhola é muito bem vista pela Academia - pois outro motivo para essa indicação não há.

Jenson J, disse...

Eduardo, aqui temos um filme que poderia ser imensamente melhor, se não fosse pela falta de inspiração ... as músicas são muitos ruins, é uma ou duas que se salvam, nada mais!
No entanto, o elenco de primeira se saiu muito bem, e não aceito a indicação da Penelope!

Um abraço!

Caio Coletti disse...

Ainda não vi "Nine", mas tinha (ainda tenho) boas expectativas para ele. Pelo que vi em "Chicago" Rob Marshall é um diretor bastante seguro de suas escolhas. Se elas são boas ou ruins é outra história. Eu particularmente sou fã de musicais e de Nicole Kidman, então o filme pode ter um sabor completamente diferente para mim. E Penélope está em uma maré de sorte nesses últimos anos, a Academia não fez nada além de reconhecer (tardiamente, como sempre) que ela tem talento, além de beleza.

Abraço! :D

P.S.: Fiz um novo blog, com um propósito especial... se quiser, passem por lá: http://um-vs-mileum.blogspot.com/

Carol Morais disse...

Meu amor,
Concordo com quase tudo de sua crítica, que, aliás, está um arraso de tão bem formulada!
Bom, eu não achei a dança feita por Penélope cruz boa, na verdade, não foi uma coreografia em si, mas uma performance, concorda? Eu também senti que as cenas dos musicais foram encaixadas de forma forçada e não pensada. A transição de cenas(atuação/musical) é muito boa, sai natural, mas, na hora de retornar ao enredo tudo parece forçado e sem sentido. Um horror!
Destaque para os figurinos e coreografias. Gostei bastante das marcações nas músicas e o espartilho voltou com tudo! ;) Agora, realmente...Por que cargas d'água Fergie ensaia uma "atuação" nesse filme?
Ah, outra coisa: o desenvolvimento do enredo no filme subetima a capacidade de compreensão do público. Sabe o que eu estava me lembrando amor? O tempo todo o Guido fica expressando(por PALAVRAS, GESTOS e MÚSICAS) seu desespero por não conseguir escrever. Achei demais e desnecessário. Não precisava expressar tanto a querela principal, todo o contexto por si só mostrava várias vezes. Isso tornou o tema redundante e provou que o filme nada mais faz que subestimar a capacidade de quem o assiste(e porque não dizer de quem o produz e atua nele?).
Beijos

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