segunda-feira, 8 de março de 2010

8 Crítica: Preciosa - Uma História de Esperança

Preciosa - Uma História de Esperança
(Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, 2009)








O vencedor do Oscar de roteiro adaptado é um filme forte, com atuações incríveis e uma das personagens mais fortes e grotescas do cinema.

Ao ver ‘Preciosa’ no cinema você deve estar preparado. Preparado para a indignação, sofrimento, cenas fortes e talvez até trazer seu lenço. Minto, traga seu lenço: derramar lágrimas nesse filme é algo que mesmo o espectador mais forte ou orgulhoso não deve se envergonhar. Tanto pela história quanto pelas atuações, Preciosa toca o senso crítico e o coração das pessoas ao ponto de fazer você sair do cinema não só triste, também pensando em quantas tantas meninas ou meninos, ou mesmo famílias inteiras passam por situações idênticas, talvez piores e a sensação de impotência que havia na sala de cinema, quando você não podia fazer nada para impedir as maldades, ou melhor, as perversidades que a mãe de Preciosa fazia com a jovem, essa sensação transcende a sala e fica martelando a sua cabeça durante dias.

Claireece Precious Jones é a personagem principal dessa trama, uma (pré) adolescente de 14 anos de idade, violentada fisico e psicologicamente pela mãe, sexualmente pelo pai, que a engravidou aos 12 anos tendo uma filha portadora de Síndrome de Down. Depois, aos 14, sofrendo seguidos estupros, engravida novamente do progenitor (se é que aquilo pode ser chamado de pai) e é expulsa da escola. Apesar de tudo, a simpática gordinha tem seus sonhos de vida (daí a parte da esperança) o que é mostrado de forma bastante bem-humorada pelo diretor Lee Daniels. Clarieece expressa seus sonhos e suas ânsias através de devaneios, como seu sonho de ser cantora e dançarina, pop-star e outros sonhos. De certa forma isso ameniza a forte experiência que se tem durante a película, pessoas sensíveis, por exemplo, tem esse motivo para permanecer na sala.

Um primor de roteiro que ontem ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e uma montagem de elenco fantástica, com Gabourey Sidibe vivendo Precious, que está perfeita e fez jus a sua indicação ao prêmio de Melhor Atriz, contrastando a sua falta de expressão diária a alegria que tem nos seus devaneios. E aqui batemos palmas de pé para Mo’Nique que faz a verdadeira mãe que saiu do inferno. Nunca vi em lugar nenhum um personagem mais grotesco, asqueroso e repudiável em toda minha (ainda) curta vida. Eu gosto muito de analisar atuações, e a vencedora do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, desbancando a vencedora do ano passado Penélope Cruz, garantiu um primor de atuação. Não sei se, tendo concorrido ao prêmio de Melhor Atriz, ganharia de Sandra Bullock, mas com certeza seria um páreo duríssimo. Ela não consegue transmitir nenhum sentimento positivo durante todo o filme e mesmo quando parece se importar com alguma coisa, transforma-se e dá início a cena mais pertubadora e angustiante do filme, onde chega a jogar uma televisão na cabeça de sua filha e de seu recém-nascido neto. Não sei de onde Mo’Nique tirou essa capacidade, mas deve ter sido muito trabalho e ensaio para tanto, ressaltar que ela começou (e ainda é) comediante de stand-up.

Ah! Ainda sobre o elenco, ainda tem Lenny Kravitz e Mariah Carey sem nenhum luxo ou glamour (até mesmo maquiagem) e atuando muito bem como um enfermeiro gente boa que Precious se apaixona e uma assistente social, respectivamente.

Obviamente, o filme acaba caindo em alguns clichês do gênero e tem lá seus deslizes, principalmente na primeira parte do filme. Mas tenha certeza: é um filme que marca e que você não esquece durante um bom tempo.

8 comentários:

Mateus, O Indolente disse...

O filme aparenta ser um drama bem forte, que se sustenta principalmente por suas atuações. Não é um filme agradável de se assistir - e talvez essa seja mesmo a intenção de Lee Daniels. A premiação do roteiro com o Oscar foi uma surpresa pra mim.

Julinha disse...

Agora vou ter que ver esse filme. Eu que sou bem chorona aposto que vou me emocionar bastante. =)
Ótimo texto Eduardo! Parabéns!

Abraços!

Cristiano Contreiras disse...

Um filme marcante e sincero, me doeu assistir, abs

Jardel Nunes disse...

Não é o meu tipo de filme... ver pessoas sofrendo e tudo mais, mas estou me sentindo "obrigado" a ver o filme por todas as críticas que já vi dele, principalmente pelas atuações...

Abraços

Martinho da Vila disse...
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Jenson J, disse...

Ok, a crise realista do filme "Up In The Air", não era motivo pra ter feito Precious levar o OSCAR, ok que a adaptação é muitoo boa, e Lee Daniels toma o elenco de ótima forma! Um filme "Precioso"!

Ana Valeska Maia disse...

Eduardo,
"Preciosa" nos arranca de nossa "zona de conforto" e isso pode ser excelente se estamos entrando demais na Matrix. O mundo da sociedade de consumo é um palco de ilusões e filmes como este propiciam uma reflexão e, quem sabe, uma atitude mais lúcida diante dos paradoxos que persistem em existir.
Hoje, na Fanor, assistimos o filme "Anjos do sol", que para mim consegue ser páreo na sensação de desconforto, assim como sentimos em Preciosa. E se você quiser ver alguém repugnante, veja a atuação do Antônio Callone.
Excelente apreciação do filme, Eduardo.
Bjs.

Anônimo disse...

O filme Preciosa é excelente, como o própio nome ja diz uma história de esperança. Assim como, é uma lição de vida pra muitas pesoas que reclamam da vida em vão e que não procuram aproveitar a oportunidade que é dada. O filme ainda mostra o que diante da dor física e psicológica a personagem pode modificar com sua força e coragem, mesmo diante dos obstáculos. Abraços

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