quinta-feira, 1 de abril de 2010

5 Crítica: Amantes

Amantes
(Two Lovers, 2008)










O limite das escolhas é você que decide.

Quando nos ‘confrontamos’ com um filme do tamanho de Amantes (que nem é tão longo assim, por volta de 100 minutos), confrontamo-nos também com algumas das escolhas mais importantes que teremos que escolher na vida. Por vezes somos um Leonard e por vezes somos Michelle mesmo sem perceber, a cada minuto nós temos que escolher entre a segurança e a aventura, entre o certo e o duvidoso. É quando nossa verdadeira natureza entra em ação. Com todos esses sentimentos expostos de uma forma madura e tocante, o filme é, com certeza, uma experiência emocionante e talvez uma das mais bem feitas construções de personagens na história de Hollywood.

Leonard Kraditor (Joaquim Phoenix) é um homem que já não vê um rumo certo na sua vida. Já passando dos 30, morando e trabalhando com os pais, sem perspectiva nenhuma de ser feliz. Dependente de remédios para depressão após ser abandonado pela noiva em que pensa incessantemente, Leonard começa a encarar a morte como realidade. É aí que ele enfrenta sua primeira opção: a de viver ou não. O começo do filme é uma cena sufocante, onde ele tenta se afogar, atirando-se de uma ponte. Encare essa tentativa não como uma forma de morrer, mas uma forma desesperada de viver novamente, e vive-se. Não sendo esta a primeira tentativa, Leonard novamente não obtém êxito. Um fim que é o começo. A morte que é vida. James Gray alia isso perfeitamente apenas na primeira cena.

Mais tarde em um jantar, Leonard conhece Sandra (Vinessa Shawn), filha do patrão de seu pai e futuro sócio dele no ramo das lavanderias. Por intermédio de seu pai, Leonard aceita a moça e expõe seu pequeno mundo. Família também é um tema importante e Sandra passa a ser a pequena possibilidade de recomeço. Isso até conhecer Michelle (Gwyneth Paltrow), sua nova vizinha, o qual se sente imediatamente atraído. Diferente de Sandra, com Michelle Leonard sente amor e não apenas uma pequena força de segurança que o mantinha atraído pela jovem moça. Michelle é poderosa, sedutora, por vezes vulgar. “Pertubada” (como ele mesmo define), pois tem um relacionamento com um homem casado. O filme então se desdobra em escolhas para ambos os personagens, Leonard entre Sandra e Michelle. Michelle entre a aventura do seu relacionamento em que é a amante e a segurança que Leonard apresenta (o que para este é uma aventura). É aí que o filme nos mostra sua verdadeira face: a que ponto devemos abrir mão da segurança e trocá-la pelo que é duvidoso, pela aventura?

Falar abertamente desse filme é difícil para não mostrar muito dele, a tragédia do filme parece ser anunciada desde a primeira cena, porém Gray prende, mas não de uma forma igual as fórmulas de ‘descobrir quem é o assassino no final’, ele prende pelos sentimentos, pelas ações e pela identificação que cada um dos personagens transmite. Fico triste de querer limitar em uma lauda um filme que seria tese de mestrado, mas é a vida. Como este é um filme de escolhas, faça a certa: assista-o.

5 comentários:

Carol Morais disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carol Morais disse...

Com certeza, esse filme é muito bonito. Ele me agradou bastante devido à realidade que ele passa. São as escolhas que denunciam nossas renúncias, e o filme é composto pelo drama das renúncias que as personagens fazem, e não propriamente as escolhas. É um filme belíssimo. Bem produzido. Não é preciso muitos adornos para que o filme seja bom. Ele é bom pelo simples fato de SER bom. O roteiro é fantástico. As falas coadunam com as ações ou com a falta dessas ações. É a imobilidade prendendo as personagens,são as escolhas que movem suas vidas. Filme o qual o público se identifica fácil. Foi, para mim, a tradução do enigma que é o Ser em situações amorosas.
Ótimo texto.

Julinha disse...

Mais uma vez sua crítica foi muito boa, um romance bem tramado e bem feito. Com toda certeza vou ver esse filme!

Abraços ;*

Renan Canuto disse...

Ótima resenha, Eduardo. Eu adorei Amantes, mas não tive a sensibilidade de expor as sensações em um texto à época. Não consegui escrever o que você fez com sabedoria.

O detalhe é que Joaquim Phoenix parece estar em seu papel perfeito: homem carente, melancólico, depressivo. É um ótimo ator, mas parece que vai se dedicar a carreira de músico, não é?

Abraços!

Jenson J, disse...

Ainda não assisti esse, emprestei e nunca voltou pra mim o dvd.

Postar um comentário

O Cinema para Desocupados agradece pelos comentários!

Sempre que necessário os responderemos.