domingo, 25 de abril de 2010

14 Crítica: Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas
(Alice in Wonderland, 2010)

Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Wolverton
Elenco: Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Alan Rickman, Mia Wasilkowska,

O filme de maior bilheteria de Tim Burton é visualmente impressionante, mas artisticamente limitado.

Alguns cineastas têm filmes facilmente identificáveis. Só de bater o olho, já sabemos quem esteve por trás das câmeras. Tim Burton (Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura) é um deles. Seus filmes são dotados de uma excentricidade única, que possibilitam esse reconhecimento de paternidade imediato.

Alice no País das Maravilhas (que estreia com atraso por aqui) não foge à regra, e apresenta todos os elementos típicos dos filmes de Tim Burtom (visual sombrio, cenários que nos remetem ao expressionismo alemão, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, etc.) – o que, ao menos, já o torna interessante.

Na história, Alice já tem 19 anos e volta ao País das Maravilhas, fugindo de um casamento arranjado. Lá, ela reencontra todos os personagens estranhos que conheceu em sua última visita, mas não lembra mais deles nem do mundo em que está. Mesmo assim, ela é a única que pode acabar com o reinado da Rainha Vermelha, que afastou sua irmã, a Rainha Branca, do poder, com a ajuda do monstro gigante Jabberwocky.

Quem interpreta Alice é a jovem australiana Mia Wasikowska, que se sai bem no papel. Os onipresentes Johnny Depp (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) e Helena Bonham Carter (Clube da Luta) também estão no filme (é claro), e são o que há de melhor no elenco. Seus personagens são os mais interessantes e humanos. Ele sendo o Chapeleiro Maluco, que é louco e triste de uma forma suave, meiga. Ela, por sua vez, é uma rainha malvada, que sempre sofreu com a solidão e por sua enorme cabeça. Ainda completam o elenco Anne Hathaway (que, é claro, faz uma princesa), Michael Sheen (Frost/Nixon) e Alan Rickman (da série Harry Potter), esses dois emprestando suas vozes ao Coelho Branco e à Lagarta Azul, respectivamente.

O visual do filme, como esperado, é incrível. Direção de arte, maquiagem, figurino, sem falar do uso de inúmeras tecnologias diferentes - como captura de movimentos e animação – contribuem para que o filme se torne avassalador nesse quesito. Tim Burton dá ao mundo das fantasias um ar soturno, tenebroso. A Wonderland que estamos acostumados some, dando espaço à Underland.

O 3-D do filme, alvo de grandes críticas, muitas vezes irrita, vemos coisas embaçadas e nada de inovador – problemas oriundos da conversão, que é a maneira mais fácil de incluir em um filme a tão badalada tecnologia. Mas está no roteiro, adaptado por Linda Woolverton (de A Bela e a Fera e O Rei Leão) o maior problema. Raso e esquemático, ele nunca envolve ou surpreende.

Visualmente magnífico, mas com pouco conteúdo, Alice no País das Maravilhas é mais um filme onde Tim Burtom emprega sua visão única e sombria sobre materiais já conhecidos (foi assim em Planeta dos Macacos, A Fantástica Fábrica de Chocolate e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça). O resultado é algo interessante, mas que já está começando a cansar.

14 comentários:

Kahlil Affonso disse...

Eu ja esperava isso. Apesar de gostar do trabalho de Burton e do filme original da Alice, nunca coloquei fé nesse filme. Eu sabia que visualmente ele seria perfeito, mas Tim Burton tem que parar de fazer re-filmagens urgentemente!

http://cinemaemdvd.blogspot.com/

Charles Cole disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caio Coletti disse...

É mesmo o que tenho ouvido falar, mas prefiro ver o filme para dar uma opinião mais fundamentada. Por enquanto, só acho que a expectativa grande demais foi o que prejudicou a recepção do filme. Sou fã incondicional de Tim Burton, acho que ele é um diretor que dá uma visão agridoce e excêntrica a um mundo muito corriqueiro, muito nosso, e é isso que faz dos filmes dele registros em celulóide tão excepcionais. Me encanto especialmente com "Edward Mãos-de-Tesoura", "Peixe Grande" e "Sweeney Todd".

E o que você falou sobre ele emprestar esse estilo diferente a materiais já conhecidos é mesmo uma coisa que ele faz de quando em quando, para se manter em alta em Hollywood. O resultado é dos bons, na maioria das vezes, e ninguém pode culpá-lo por querer manter o status. Ele conhece o bastante do jogo para jogá-lo sem sair com o status de artista prejudicado.

Abraço! :D

Eduardo Porto disse...

Como sempre, uma crítica com a inconfundível assinatura do meu colega. Apesar das críticas severas feitas, ainda tenho alguma esperança de bom filme Tim Burton é Tim Burton, Alice é um filme indispensável para o cinéfilo ver em 2010.

Jardel Nunes disse...

Mesmo com as críticas negativas estou ansioso para ir no cinema ver Alice... adoro o diretor e por incrível que pareça, ainda não tive a oportunidade de ver o estilo sombrio de Burton na telona.

Abraços

Kamila disse...

Concordo que o filme, visualmente, é muito rico. Mas, discordo que seja pobre em conteúdo. Eu achei a mensagem do filme muito clara. O que faltou, para mim, foi a ousadia que a história pedia.

Mateus, O Indolente disse...

KAHLIL: Tem razão, e eu fui assistir ao filme com essa mesma impressão.

CAIO: Também adoro Edward Mãos-de-Tesoura e Big Fish.

EDUARDO: Obrigado, minha flor, haha. Tem razão. Assistir Alice é necessário.

JARDEL: Pensando bem... esse é também o primeiro filme de Burtom que vejo nos cinemas.

KAMILA: Com pouco conteúdo, eu me referia à história batida, superficial. A mensagem existe, mas é bastante comum, o que torna o filme fraco nesse aspecto.


Obrigado pelos comentários,

Abraços!

thicarvalho disse...

Gostei mto da sua critica. Burton realmente deixa sua marca visualmente, que já é inconfundível. O underworld de Alice, como vc bem disse, deve mesmo ser algo fantástico. Qnt a história, já era de se esperara q não fosse mto surpeendente, afinal já foram feitas dezenas de remakes e releituras de Alice. Ainda assim, acredito que o resultado seja mto bom. Grande abraço e parabpens pelo blog.

Visitem

www.cinemaniac2008.blogspot.com

R. Meireles disse...

Gostei desse filme mais pelos efeitos, em 3D ficou muito bom, mas é uma história bobinha. CORTEM AS CABEÇAS! É só o que digo!

*Aline* disse...

Eu esperei ansiosamente pra ssistir em 3D, pra ser esse o primeiro filme que eu assistiria com essa tecnologia, mas me decepcionei, não pelo filme, mas pelo 3D. Tudo muuuuito embaçado, chega a ser angustiante, como se estivesse sem foco.
Pretendo ainda assistir em 2D e legendado(meu deeeeus, eu assisti dublado! O que eu fiz? ), pra ter uma impressão diferente.

;)
P.S.: Meninos, adorei o novo visu daqui! Tá incrível!

Nekas disse...

É como tu dizes. Visualmente impecável mas falha no conteúdo, enfim, muita parra e pouca uva!

Abraço
Cinema as my World

Mateus, O Indolente disse...

ALINE: O 3D é horrível mesmo. Exatamento o que você disse: embaçado, sem foco. Ah, obrigado... deu um trabalho enorme mudar tudo, hehe.

A todos: obrigado pelos comentários!

Abraços.

Tiago Britto disse...

Este é um filme razoável e que não cumpre exatamente aquilo que prometeu!

abs

Mateus Souza disse...

Tiago: Bem razoável. Não é ruim, mas nunca empolga...

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