quarta-feira, 28 de abril de 2010

8 Crítica: As Melhores Coisas do Mundo

As Melhores Coisas do Mundo
(Melhores Coisas do Mundo, As, 2010)

Direção
: Laís Bodanzky
Roteiro: Luís Bolognesi
Elenco: Francisco Miguez, Gabriela Rocha, Denise Fraga, Paulo Vilhena, Caio Blat





A adolescência bem retratada pelo cinema brasileiro.


A televisão brasileira e o cinema internacional, não somente Hollywood, é recheado de atrações de cunho adolescente. Entre os grande sucessos, as novelinhas e as grandes adaptações literárias estão no topo das produções mais apreciadas pelo público juvenil. No entanto, nessas produções poucas vezes vimos aquelas que mostravam de forma verídica a realidade dos adolescentes de classe média-alta dos grandes centros urbanos do Brasil. Claro que outras realidades infantis e juvenis já foram retratadas principalmente quando se foca a criminalidade infantil, podemos citar Cidade de Deus (2002), O Contador de Histórias (2009) (crítica aqui), o mais antigo Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981) entre tantos outros. Mas é quando chega As Melhores Coisas do Mundo, e ao contrário do que outros críticos de cinema falaram, não é que o cinema brasileiro está descobrindo a sua veia adolescente, ele já descobriu, agora está apenas mudando seu foco e adotando uma perspectiva diferente daquelas mostradas nas ruas e periferias.

Mesmo sendo um filme adolescente sua temática é bastante diversa. Tão diversa que não me senti capaz de bolar uma sinopse que me agradasse, fiquei meio confuso e com medo de não abordar toda a gama de assuntos do filme, tomei então a liberdade de pegar emprestada a que está no site Cineplayers: “Mano tem 15 anos, adora tocar guitarra, beijar na boca, rir com os amigos, andar de bike, curtir na balada. Um acontecimento na família faz com que ele perceba que virar adulto nem sempre é tarefa fácil: a popularidade na escola, a primeira transa, o relacionamento em casa, as inseguranças, os preconceitos e a descoberta do amor.”

O filme trata de descobertas, desilusões adolescentes e sua pseudo-profundidade. Mano é um personagem que pode ser qualquer parente ou amigo do leitor, o ator Francisco Miguez se mostra um bom ator desde as primeiras cenas e merece ser mais observado e utilizado no cinema nacional. Dominou o seu personagem com segurança e deu a Hermano uma singularidade marcante, claro, esse trabalho é também fruto da direção de atores feita por Laís Bodanzky, que já dirigiu Bicho de Sete Cabeças (2001) e o bem visto pela crítica Chega de Saudade (2007). O trabalho de direção dela surtiu efeito em alguns personagens importantes, Gabriela Rocha é também um novo talento, fazendo a grande confidente de Mano, Carol. Talvez um dos grandes méritos da diretora foi ter livrado Paulo Vilhena de um estereótipo que o assombrava nas novelas e outros trabalhos: de playboy, surfista e etc. Denise Fraga, bem, é Denise Fraga, sempre se mostrando uma atriz versátil e, ouso dizer, completa, a cena dos ovos é linda, muito bem inserida, dirigida e atuada. O destaque negativo vai para Fiuk, pensei em mandar um parágrafo inteiro falando sobre como o personagem dele exige uma profundidade que ele não consegue expressar no filme inteiro, melhor não. Pedro, o irmão mais velho de Hermano, pareceu mais um personagem suicida de Malhação. Pois é, lamentável.

Alguns leitores podem não concordar bem com o que direi aqui, mas eu sei que muitos filmes, sejam eles de onde forem, podem ter palavrões e que, por sabermos a língua em um filme nacional, acabamos nos sentindo mais pelos palavrões que saem. Porém, nesse filme, beira o exagero. Por vezes os adolescentes exageram quando falam palavrões e nas suas formas, não que seja um erro, o problema é que às vezes o palavrão é inserido na fala de uma forma forçada. Provavelmente o crítico mais adulto deve achar normal, mas talvez um mais jovem, como eu, vê o quão forçado parece.


Ademais, As Melhores Coisas do Mundo é um filme sensível e mesmo mostrando toda a podridão da adolescência de classe média, consegue ser carismático, mas não se engane, tem muitas falhas no roteiro e chega a ser besta em alguns diálogos, ganha destaque mais pela mudança de perspectiva que foi citada no primeiro parágrafo do que por ser um filme acima da média, o que não é.

Um adendo: acho que um grande passo que os cinemas, não a indústria, mas sim as empresas que administram as salas de exibição poderiam dar, seria serem mais cautelosos quanto à censura do filme e as pessoas que deixam entrar. Veja bem: fui assistir ao filme em uma sala praticamente vazia, exceto por alguns amigos e casais, mas lá havia também um homem com uma menina de uns 9 anos, provavelmente pai e filha, a menina, claro, deve ter ido para ver o Fiuk, estrela adolescente que está em alta. Porém, o homem viu-se na necessidade de sair da sala com sua filha com cerca de vinte minutos de película, afinal, Fiuk, o ator que aquela menina tanto queria ver, tem como primeiras falas alguns palavrões, além de ver adolescentes consumindo bebidas e cigarros. Devíamos pensar em ter avisos mais contundentes por parte das exibidoras, claro que os pais deviam se dar o trabalho de ler a indicação, que é bem clara. Lamentável.

8 comentários:

Jardel Nunes disse...

Acho que esse deve ser um filme no mínimo interessante... pretendo assisti-lo, mas não no cinema, acho que tem coisas melhores a ser conferidas na telona...
Pra mim não foi novidade a parte sobre o Fiuk (que nome ein), é só olhar 5 minutos da Malhação que já dá pra ver que ele está ali porque é filho do Fábio Júnior... porque talento de ator, ele não tem.

Acho importante o seu adendo, é muito comum ver isso que você comentou... pior ainda é quando os pais mandam seus filhos sozinhos para assistirem a filmes que não são apropriados para sua idade, caso que eu já vi.

Mateus, O Indolente disse...

É um filme que até cogitei assistir, mas vou deixar para as locadoras. Por isso, não posso entrar muito no mérito, mas essa não é a primeira vez que leio a respeito da bela direção de atores realizada pela diretora, que, como li, deu grande liberdade para os atores improvisarem nos diálogos.

A respeito dos palavrões, sempre fui a favor deles em filmes, desde que tivessem um conexão com a obra, que tenham alguma relevância - seja na composição do personagem, do ambiente, etc.

Fiuk... o rapaz pode ser simpático, mas seu talento, seja como ator ou como músico, é bastante limitado.

Também concordo com o citado no adendo, mas, se não me engano, a censura estabelecida era de 14 anos, algo que, ao meu ver, é adequada.

Ah, outro filme, Os Famosos e os Duendes da Morte, parece retratar muito bem sua geração de adolescentes, mas, apesar dos prêmios, teve uma distribuição mínima. Por aqui nem deu as caras. Uma Pena.

Abraço.

Eduardo Porto disse...

Mateus, quanto aos palvrões, você está certo, também sou a favor do bom uso deles.

Quem não viu o filme e se sentir ofendido com spoiler, não leia abaixo:

Tem uma parte de um diálogo em que a personagem Carol diz: "- Por que? Só porque o pai dele 'dá a bunda?'" Essa última parte soou estupidamente forçada no diálogo.

Obrigado pelos comentários.

Daniela Gomes disse...

Primeira crítica que leio que aponta um caráter um pouco superestimado do filme. Mas ainda assim, contribuiu para aumentar a minha ansiedade.
Li algumas coisas positivas sobre o Fiuk, mas não levei a sério pelo fato de logo em seguida ter assistido a um capítulo de Malhação. Nenhuma mudança.

Ótimo texto.
Abraço

Carol Morais disse...

[comentario sem acentos]

Ola meu amor,
que belo texto. Creio agora que tenho em minha frente uma critica muito bem estruturada, digna de artigos.

Bom, tudo o que penso sobre o filme, discuti com voce apos assisti-lo. Eu achei a selecao das problematicas muito boa, mas colocar essas problematicas todas juntas foi um ato infeliz, pois sobrecarregou o drama e acabou por fazer com que o publico nao se concentrasse ou nao se aprofundasse em um unico tema. Nao sabiamos, ao certo, qual trama era o fio condutor de todo o drama. As cenas poderiam ter usado quadros mais bonitos, mas a unica cena cujo quadro gostei bastante, foi a cena dos ovos, com denise fraga. Achei bonita, uma imagem mesmo do sublime romantico, sabe?Todo aquele sentimento, toda aquela carga dramatica, finalmente pode ser sentida no filme. Mas so pude sentir isso nessa cena. A cena da tentativa de suicido deveria ter sido melhor trabalhada, o ator nao consegue satisfazer toda a carga dramatica que a cena exige.Por isso, deixa a desejar. Sao muitas problemasticas para poucos ambientes, ou para ambientes pouco ligados. Ficou um pouco estranho, mas ao mesmo tempo nos parece familiar. Uma figura tipica do que chamamos "uncanny".

Otimo texto.
Amo voce meu pequeno.

Desculpa pelos erros de digitacao e tal, meu teclado ta super desconfigurado.

Carol Morais disse...

*problematicas

Cristiano Contreiras disse...

Este filme, ao meu ver, surpreende pela boa direção e os atores funcionam, em cena, como reflexos de hábitos, contextos e situações reais de jovens emotivos.

Gostei de saber dessa improvisação dos atores, mas acho que esse teor forte de palavroes que o filme tenha pode mesmo me incomodar...

Verei em breve!

E, ah, detesto o pseudo-cantor-ator Fiuk!

Tiago Britto disse...

Este filme foi para mim muito interessante. Lembrei de meus tempos de escola...da luta pelo sexo e da richa entre amigos!

parabéns pelo blog! se puder visite: www.cinemadetalhado.blogspot.com

grande abraço!

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