sexta-feira, 9 de abril de 2010

6 Crítica: A Primeira Noite de um Homem

A Primeira Noite de um Homem
(Graduate, The, 1967)

Diretor: Mike Nichols
Roteiro: Calder Willingham e Buck Henry
Elenco: Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross



De que importam algumas falhas no roteiro, se somos completamente envolvidos por essa divertida história de amor?



A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, no original) é, talvez, a comédia romântica mais famosa do cinema. Lançada no ano de 1967, o filme foi bastante premiado – BAFTA, Globo de Ouro e Oscar, nesse sendo indicado a seis categorias, levando apenas uma. Extremamente divertido, bem filmado e, claro, romântico (com ótimas atuações, também), o filme não deve ser subestimado por se tratar de uma “comédia romântica” – subgênero desgastado, mas que, ainda assim, possui ótimos representantes (veja três aqui).

No filme, Benjamin Braddock (um desconhecido Dustin Hoffman) acaba de retornar formado da faculdade. Meio perdido na vida, é seduzido pela mulher do melhor amigo de seu pai, a Sra. Robinson (Anne Bancroft, de O Milagre de Anne Sulivan), bem mais velha que ele. Não resistindo à tentação, Benjamin começa a viver a vida de uma maneira diferente do que seus pais desejavam, mas é Elayne, a filha da Sra. Robinson (a linda Katharine Ross, de Butch Cassidy), quem rouba o coração do rapaz.

Apesar de uma roupagem um pouco mais interessante, em sua essência, o enredo não é muito diferente daqueles que vemos em todas as comédias românticas. É na forma como essa batida (mas eficiente) história é executada pelas mãos do diretor Mike Nichols (que, em 2001, dirigiu o ótimo Closer – Perto Demais) que está o diferencial.

Nichols – que foi premiado com o Oscar por seu trabalho aqui – emprega uma direção extremamente inventiva, cheia de ângulos inusitados, zooms e outros artifícios, às vezes utilizados de forma gratuita e outras de forma metafórica, mas sempre tornando o filme mais interessante de se assistir. A cena inicial, que mostra o personagem de Hoffman na esteira rolante do aeroporto, ao som do clássico “The Sounds of Silence”, é uma das minhas preferidas, ao lado da cena da piscina – talvez as mais famosas do filme.

As atuações também merecem destaque. Dustin Hoffman – ainda desconhecido – consegue dar um ar de ingenuidade incrível ao seu personagem. De cara, já simpatizamos com aquele desacreditado rapaz. O interessante é que Hoffman não foi a primeira escolha (antes vieram Robert Redford e Charles Grodin), mas, hoje, não tem como imaginar outro no papel. Anne Bancroft está perfeita como a Sra. Robinson, mas, melhor ainda, está Katharine Ross, como a doce e bela Elayne.

No entanto, o filme não é feito só de acertos. O roteiro, baseado no romance de Charles Webb e escrito por Calder Willingham e Buck Henry, é bastante irregular. Acerta na parte inicial, desenvolvendo muito bem a relação Braddock - Sra. Robinson, mas o mesmo não ocorre com a relação entre Elayne e Braddock, o que poderia estragar o filme, já que esse é o casal principal. Mas isso não ocorre. O excelente trabalho dos atores, principalmente de Hoffman, impede que isso ocorra. Por mais que o roteiro falhe nesse aspecto, o filme nunca se torna chato, pois as piadas (que beiram o nonsense) são extremamente eficientes.

Com uma trilha sonora inesquecível (confira aqui), A Primeira Noite de um Homem é um clássico das comédias românticas que muito é copiado e homenageado – como no recente 500 Dias Com Ela (crítica aqui) e em Jackie Brown, que presta uma homenagem à cena do aeroporto. Enfim, um filme que deve ser visto a qualquer custo.

6 comentários:

Hugo disse...

Uma curiosidade é que Dustin Hoffman já tinha 31 anos quando fez este papel, de um sujeito bem mais jovem.
Um filme extremamente simpático com uma ótima trilha sonora.

Abraço

Mateus, O Indolente disse...

Tem razão, Hugo. E mais curioso ainda é que a diferença de idade entre ele e Anne Bancroft (a Sra. Robinson) é de apenas seis anos, apesar de parecer gigantesca no filme.

Abraço.

Jenson J, disse...

O filme referencia de Mike Nichols, é algo que não me agrada, mas, preciso rever o quanto antes!

Jardel Nunes disse...

Assisti a um bom tempo já (preciso olhar de novo logo)... e me lembro perfeitamente das duas cenas que você citou. A trilha do filme também é uma das mais famosas do cinema.

Kahlil Affonso disse...

Um dos primeiros filmes que comprei em DVD. Realmente o roteiro do filme não é espetacular, mas as atuações são marcantes, não só pelo talento do elenco mas também pela capacidade que o diretor tem de extrair o melhor deles, não é a toa que ele ganhou o Oscar de Melhor Diretor por este filme.


www.cinemaemdvd.blogspot.com

Jorge Passos disse...

Mateus, belo texto! Tomamos a liberdade de publica-lo no blog da Confraria com os devidos créditos.
http://confrariadospoetasdejaguarao.blogspot.com/

Abraço

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