sexta-feira, 30 de abril de 2010

11 Crítica: Tudo Pode Dar Certo

Tudo Pode Dar Certo
(Whatever Works, 2009)

Direção
: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley.

A volta de Woody Allen à Nova York resulta em uma comédia tipicamente "woodyallenesca". Para quem aprecia a obra do diretor/roteirista, é uma ótima escolha.


Quando as coisas ficaram difíceis para Woody Allen em solo norte-americano, ele foi para a Europa, lugar onde é adorado. Por lá, Allen fez quatro ótimos trabalhos (como Ponto Final - Match Point e Vicky Cristina Barcelona - leia a crítica). Tudo Pode Dar Certo, filme que chega com grande atraso ao Brasil: um ano – o que não é novidade ao se tratar de Woody Allen –, marca o retorno do cineasta à sua tão querida Nova York.

Como é comum de acontecer, Allen coloca um ator para viver “Woody Allen”. Larry David é o incumbido da vez. David vive Boris, um velho rabugento que tem o hábito de insultar seus alunos de xadrez. Ex-professor da Universidade de Columbia, ele considera ser o único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo. Um dia, prestes a entrar em seu apartamento, Boris é abordado por Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), uma jovem e ingênua garota que lhe implora para entrar. Ele atende ao pedido, a contragosto. Percebendo sua fragilidade, Boris permite que ela fique no apartamento por alguns dias. Ela se instala e, com o passar do tempo, não aparenta ter planos de deixar o local. Até que um dia lhe diz que está interessada nele.

Larry David está ótimo, fazendo um personagem não muito diferente daquele que faz em Curb Your Entusiasm (seu seriado da HBO). Ele é chato e mal-humorado, mas não antipático. A forma ácida como David solta as brilhantes falas escritas por Allen é engraçadíssima, principalmente aquelas em que “quebra a quarta parede”. O restante do elenco também não fica atrás – principalmente Evan Rachel Wood, que encanta sempre que está em cena, e Patricia Clarkson (que vive a mãe da personagem de Rachel Wood, corrompida pela cidade grande).

Woody Allen continua afiado nos diálogos, e nos apresenta mais um inteligente e divertido estudo acerca dos relacionamentos amorosos – um tema que parece nunca se esgotar em suas mãos. Com personagens jocosamente caricatos, Allen nos mostra a irracionalidade do amor (como um homem como Boris se interessa por alguém como Ann?), a insignificância do homem perante o acaso (quem espera conhecer a futura parceira em uma tentativa de suicídio?) e como tudo aquilo que fazemos de bom pode dar certo (apesar do mundo desgraçado no qual vivemos).

Alguns temas, situações ou artifícios são os mesmos de trabalhos anteriores do diretor. Como os momentos em que o personagem fala com o expectador (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa); a trilha sonora (Dorminhoco); a relação entre um homem e uma mulher bem mais jovem (Manhattan), a submissão das pessoas à sorte ou ao acaso (Ponto Final - Match Point); e até mesmo os créditos iniciais, que mantém aquela mesma fonte de sempre. Isso é um reflexo do momento que Allen vive: ele apenas quer curtir a velhice, fazendo os filmes para passar o tempo. Não busca nada de inovador ou grandioso.

Woody Allen volta à Nova York com uma comédia que consegue ser, ao mesmo tempo, pessimista e otimista. Tudo Pode Pode Dar Certo é um filme despretensioso, não soma nada de novo à longeva carreira do cineasta, mas, ainda assim, é divertido e inteligente como uma boa comédia de Woody Allen deve ser.

11 comentários:

Eduardo Porto disse...

Ouso dizer que essa foi uma de suas melhores críticas que já li, colega. Me deu muita vontade de ver o filme, mas não sendo tão assim, ambicioso, como diz.

Jardel Nunes disse...

Bom texto mesmo...Estou ansioso para ver o filme, até porque Woody Allen não faz filme ruim... os piores dele já são bons hehe

Mateus, O Indolente disse...

Agradeço pelos elogios!

Nekas disse...

É um bom filme e, como tu referes, woodyallenesca!

Abraço
Cinema as my World

Jardel Nunes disse...

Passando pra avisar que você ganhou o Selo – Prêmio Dardos lá no Topangablog... agora é só passar lá, pegar o seu selo e repassar para outros blogs..
O link é: http://topangablog.blogspot.com/2010/05/selo-premio-dardos.html

Abraços e até

Kahlil Affonso disse...

Woody Allen já vem fazendo esse tipo de filme há alguns anos. Filmes bons, que geram um bom passatempo, mas que ficam longe de serem comparados com obras que ele fez na década de 70 e 80.

NOVO LINK: http://cinema-em-dvd.blogspot.com

cabaretcinefilo disse...

Não sou fã do Allen como a grande maioria dos cinéfilos, mas, estou sempre acompanhando seu cinema, por mais que os seus antigos sejam um pouco dificeis de encontrar, esse espero nas locadoras!

Cristiano Contreiras disse...

Sou adepto do universo do Allen, rs

mas, infelizmente, não conferi este ainda.

É bom observar o Allen de volta às crises e neuras de antigamente, rs. De volta às origens!

Parabéns pelo novo layout!

Mateus, O Indolente disse...

KAHLIL: Concordo em parte, Khalil. Alguns dos mais recentes - Match Point e Vicky Cristina... - eu adoro!

CABARETCINEFILO: Pela pequena distribuição do filme, acho que a maioria das pessoas só o verá nas locadoras mesmo.

CRISTIANO: Totalmente, Cristiano. As mesmas paranóias de sempre, hehe. E o próximo filme dele - que terá Antonio Banderas "como Woody Allen" - segue a mesma linha. Obrigado pelo elogio!

Obrigado a todos que comentaram!

Abraço.

Hugo disse...

Estou curioso para ver. Acompanhei parte da série "Curb Your Entusiasm" e achei no mínimo diferente o tipo de humor, ainda mais ácido do que em "Seinfeld", onde Larry David era o co-criador.

Abraço

Renan Canuto disse...

Gostei da crítica. Adorei o filme. Woody Allen continua mestre dos diálogos. Deus é um decorador? Pegou pesado! Boris é o cara, tá perfeito, muito bem argumentado. Recomendar o museu do Holocausto como atrativo em NY foi uma sensacional tirada! Bravo, bravo, bravo!

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