quinta-feira, 17 de junho de 2010

7 Crítica: Feitiço do Tempo

Feitiço do Tempo
(Groundhog Day, 1993)

Direção: Harold Ramis
Roteiro: Danny Rubin
Elenco: Bill Murray, Andie MacDowell, Chris Elliott



Por Mateus Souza


Estrelado por Bill Murray e dirigido por Harold Ramis (ambos caça-fantasmas), Feitiço do Tempo proporciona uma divertida reflexão acerca de como vivemos.

Há quem diga que o agora cult Bill Murray só passou a fazer bons filmes depois de velho. É verdade que hoje em dia o ator de Caça-Fantasmas escolhe melhor os trabalhos dos quais participa, mas isso não significa que ele não tenha feito bons filmes nas distantes décadas de 80 e 90.

Feitiço do Tempo, de 1993, é uma prova disso. A comédia fantástica – que fez fama no home-video – conta a história do egocêntrico Phil Connors (Murray), um jornalista frustrado com o seu emprego que, para sua ira, vai cobrir pela quarta vez consecutiva o “Dia da Marmota” – festividade de uma pequena cidade norte-americana, na qual uma marmota diz se o inverno continuará ou não. O pior é que, inexplicavelmente, Phil fica preso no tempo, acordando sempre no mesmo dia: o “Dia da Marmota”.

O diretor Harold Ramis (o Dr. Egon Spengler, de Caça-Fantasmas) realizou algumas modificações no roteiro originalmente escrito por Danny Rubin. Modificações essas que foram importantíssimas para o funcionamento do filme, como a repetição dos dias não receber nenhuma atribuição mágica, ao invés de ser obra de um feitiço vodu, como previa o original. Em relação à narrativa, o diretor de Clube dos Pilantras, teve, ainda, a sensibilidade de torná-la linear, contrariando o texto original e evitando que a trama se tornasse excessivamente complicada.

O filme usa muito bem o fator tempo para elaborar diálogos e situações engraçadíssimas (como a forma com que Phil conquista a sua chefa: “Antes de beber, eu faço uma prece e brindo à paz mundial”).

Mas Feitiço do Tempo não é só um amontoado de boas piadas, o filme também passa uma mensagem educativa. É só observar as formas como o personagem de Murray encara o fato de estar preso no mesmo dia. No primeiro momento, ele odeia tudo aquilo, afinal, está preso no pior dia de sua vida. A seguir, começa a usar sua “maldição” para benefício próprio (é esse o momento mais engraçado do filme). E, por fim, adota uma postura mais altruísta, deixando de pensar apenas em si, se importando mais com as outras pessoas. Tal transformação é muito bem interpretada por Murray, que, mesmo ao fim do filme, não perde ainda um pouco do ar insolente de seu personagem.

Outro mérito do filme é não se tornar repetitivo (mesmo passando-se quase inteiramente em um mesmo dia). Resultado de ótimos trabalhos de direção (mudando ângulos), edição (fazendo dias passarem em questão de segundos) e roteiro (diversificando as situações vividas por Phil).

Com um bom texto e uma atuação bastante inspirada de Bill Murray, Feitiço do Tempo peca por sua previsibilidade (afinal, é fácil saber quando o “feitiço” acabará), mas esse é apenas um contra em meio a tantos prós. Um filme que vale muito a pena assistir, principalmente para os fãs do Dr. Peter Venkman.

7 comentários:

Jack, The Ripper disse...

Faz anos que vi esse filme, não me lembro de quase nenhuma cena, já esta na hora de revê-lo. Não me lembrava de ser um filme tão bom quanto tu descrevestes no teu texto, porém vou alugá-lo e formular uma segunda opinião. Provavelmente acharei este um bom filme, ou pelo menos um filme muito bem atuado, já que o elenco conta com ninguém menos que Bill Murray.

Jardel Nunes disse...

Bill Murray is God... hehe
Feitiço do Tempo é um daqueles filmes que pode passar 17 mil vezes na TV, e eu sempre vou ter vontade de assistir, um dos melhores de uma época que gerou vários clássicos de Sessão da Tarde.
Você comentou que é previsivel quando o feitiço vai acabar, mas lembre-se que o filme é no fundo uma comédia romantica... gênero que naturalmente é previsível.
Abraços

Mateus Souza disse...

Jack, acho que você vai mudar de opinião - para melhor, é claro, haha.

Jardel, eu não acho que o filme seja bem uma comédia romântica. Tem um romance, mas não é o principal do filme, tanto que o par romântico do Murray não é tão desenvolvido assim. E nem todas comédias românticas são previsíveis, hehe, só aquelas mais enlatadas. Mas com uma coisa eu concordo: "Feitiço do Tempo é um daqueles filmes que pode passar 17 mil vezes na TV, e eu sempre vou ter vontade de assistir", =]

Obrigado pelos comentários, pessoal.

cabaretcinefilo disse...

Mateus, eu li sobre o filme tem uns dias ... irei conferir quando chegar o ano dele.

Abraço!

Nekas disse...

Já ouvi falar muito bem mas ainda não vi.

Abraço
Cinema as my World

Plutonauta disse...

Você me lembra a época que eu ficava no e-pipoca fazendo criticas de filmes, eloborava vários textos mas nunca consegui transformar isso em um blog ...... agradeço muito sua visita e comentário, eu acho o Bill Murray muito engraçado e esse filme é ótimo apesar do roteiro não ser muito original .... um abraço, até logo.

Mateus Selle Denardin disse...

Que filme delicioso é FEITIÇO DO TEMPO! Concordo com praticamente tudo que você escreve, e realmente as alterações na primeira versão do roteiro são fundamentais. Direção, montagem e atuações certamente deveriam ter recebido melhor reconhecimento em premiações -- mas pelo menos os cinéfilos fizeram justiça: o filme é um cult e, talvez, um clássico moderno.

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