sábado, 26 de junho de 2010

6 Crítica: Kick-ass - Quebrando Tudo

Kick-ass - Quebrando Tudo
(Kick-ass, 2010)


Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Mark Millar (quadrinhos), Jane Goldman, Matthew Vaughn
Elenco: Aaron Johnson, Chloe Moretz, Nicolas Cage



They can't see through walls... But they can kick your ass

Para muitos fãs de HQs (inclusive eu), três eram os filmes mais esperados do ano: Homem de Ferro 2, Kick-ass – Quebrando Tudo e Scott Pilgrim Contra o Mundo. Dos três, apenas o último ainda não foi lançado (o longa estreia 13 de agosto nos EUA e 15 de outubro no Brasil). O primeiro conseguiu superar as expectativas (leia nossa crítica aqui). O segundo, lançado 18 de junho por aqui, felizmente, também.

Baseado na HQ de Mark Millar e John Romita Jr., Kick Ass – Quebrando Tudo conta a história de Dave Lizewski, um típico nerd fracassado fã de quadrinhos, que, depois de refletir sobre o porquê de ninguém nunca ter tentado ser um super-heroi de verdade, decide se transformar em um. Ele toma coragem, compra uma roupa de mergulho no eBay e, então, nasce Kick Ass.

O filme foi rodado de forma independente, com um orçamento de 30 milhões de dólares – pouco para um filme hollywoodiano). Tal “independência” deu ao diretor Matthew Vaughn (Nem Tudo É o que Parece) a liberdade de fazer o filme do jeito que ele bem entendesse – com muita violência e palavrões, e uma conseqüente censura 18 anos.

Quem vive o herói Kick Ass é o inglês Aaron Johnson. O jovem e promissor ator (de Nowhere Boy, cinebiografia de John Lennon ainda inédita por aqui) se sai muito bem como o atrapalhado personagem. Johnson assegura que não teve nenhuma preparação especial para as cenas de ação, já que a intenção era realmente mostrar alguém sem nenhuma noção de técnicas de combate.

O vilão do filme é interpretado pelo sempre presente Mark Strong (Sherlock Holmes - crítica aqui), um milionário traficante que vê seus “negócios” prejudicados por alguém que ele acredita ser Kick-Ass. No entanto, quem está causando o estrago são dois super-heróis de verdade: Big Daddy (Nicolas Cage) e sua pequena filha Hit-Girl (Chloe Moretz).

Cage está demais no papel. Grande fã de quadrinhos (o “Cage” do seu nome é uma homenagem a Luke Cage e um dos seus filhos se chama Kal-El), ele se inspirou no Batman de Adam West para compor seu personagem, o que o torna, é claro, divertidíssimo. Mas é a pequena Chloe Moretz (500 Dias com Ela) que rouba a cena, ou melhor, o filme inteiro!

A atriz (hoje com 13 anos, mas com 11 na época das filmagens) passou por um duro treinamento para viver Hit-Girl (sim, ela sabe usar todas aquelas armas – inclusive a faca!). As melhores cenas de ação são protagonizadas por ela, que profere vários palavrões e realiza chacinas dignas de Kill Bill. O elenco ainda tem Christopher Mintz-Plasse (o eterno McLovin), como Red Mist, um herói tão desajeitado quanto Kick Ass.

O roteiro (escrito pelo diretor Matthew Vaughn e Jane Goldman) se concentra em uma única trama, não desenvolvendo bem as poucas histórias paralelas que existem, o que deixa o texto muito simples narrativamente falando. Mas isso não é bem um problema, já que Kick Ass – Quebrando Tudo não procura complexidade. Ele vai direto ao ponto, que é o que o público jovem (principal consumidor) deseja.

O filme acerta em cheio no diálogo com tal público. As cores são fortes, referências à cultura pop onipresentes, a trilha sonora empolgante. Sem falar dos inúmeros e inventivos artifícios visuais usados por Vaughn, como contar a origem do personagem de Cage através de uma revista em quadrinhos. Todos esses elementos dão ao filme um ar cool, e é exatamente disso que ele precisa.

A crítica da Veja Isabela Boscov, ao analisar o filme, o comparou com Pulp Fiction: Tempo de Violência. Eu entendo o que ela quis dizer, mas acho que, pelo colorido e a maneira através da qual a violência é retratada, Kick Ass – Quebrando Tudo se parece muito mais com Kill Bill - Volume 1. E se é para comparar os dois filmes, garanto que Hit-Girl não fica atrás de Beatrix Kiddo.

6 comentários:

Nekas disse...

Um dos melhores filmes de entretenimento que já vi nos últimos tempos.

Abraço
Cinema as my World

Amanda Aouad disse...

Verdade, ele está mais para Kill Bill, mas entendo que ela falou da força da cultura pop e marco que foi Pulp Fiction. Eu adorei Kick Ass e, sem dúvidas, Chloe Moretz rouba a cena.

P.S. Gostei do seu blog e já coloquei no blogroll do CinePipocaCult.

abraços

Tiago Britto disse...

Gostei muito desse filme...Não conhecia a história e terminei me divertindo muito!!! Gostaria mesmo que Nicolas Cage aparecesse mais...forte abraço.

www.cinemadetalhado.blogspot.com

Mateus Souza disse...

NEKAS: Muito bom. Provalmente figura entre os melhores.

AMANDA: Exatamente. Sem dúvida, Tarantino exerceu muita influência sobre esse filme. Também adicionei o CinePipocaCult aqui.

TIAGO: Eu também. Mas, apesar de curta, a participação de Cage é ótima!

Obrigado a todos pelos comentários.

R. Meireles disse...

O Sr Mateus Souza passou mais de 1 mes me chamando pra ver esse bendido filme, e aí baixa da Internet e me deixa a ver navios! Assim não pode, assim não dá

Mateus Souza disse...

Renê: Blasfêmia! Bem que eu queria ter visto no cinema, mas, infelizmente, por aqui não estreou. Bela foto a sua.

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