quinta-feira, 10 de junho de 2010

8 Crítica: Sempre ao Seu Lado

Sempre ao Seu Lado
(Hachiko: A Dog's Story, 2009)

Direção
: Lasse Hällstrom
Roteiro: Stephen P. Lindsay
Elenco: Richard Gere, Joan Allen.


Por Eduardo Porto


Melhor que 'Marley e Eu' de longe.

Sabe aqueles filmes em que você chega na prateleira da locadora, nunca ou pouco ouviu falar, na maioria das vezes pouco notara a existência dele ali, paradão, esperando alguém pegá-lo e, do nada, resolve levar para dar uma chance a um tipo de filme diferente? Quando você está cansado de blockbusters, filmes de ação sem conteúdo ou quer dar uma parada nos clássicos que cheiram a naftalina (sem desmerecê-los, claro). Aconselho os leitores a fazer isso: mudem de vez em quando, acabamos por descobrir pérolas que as vezes estavam ali na nossa frente o tempo todo. ‘Sempre ao Seu Lado’, definitivamente, é uma dessas pérolas.

Fica muito complicado falar abertamente do filme sem soltar alguma coisa de sua história, peço aqui uma reflexão: esse não é o tipo de filme que se pode ler alguma coisa, nem mesmo a sinopse antes, e aproveitá-lo 100%. O ideal é assisti-lo assim, sem referência e se surpreender com um filme tocante e simples. Portanto, faça a si mesmo um favor se não viu o filme: feche a janela e vá alugá-lo, aproveite e passe na farmácia ao lado da locadora e compre lenços e mais lenços de papel, você vai precisar.

O filme é baseado em uma história verídica que aconteceu no Japão nos anos 20 e 30 que rendeu o filme Hachiko Monogatari, que nunca foi lançado no Brasil. O professor Parker Wilson (Richard Gere), ao voltar de uma viagem de trem, encontra na plataforma um pequeno cãozinho akita. Leva-o para casa e mesmo com sua esposa (Joan Allen) sendo contra a adoção por sua parte, com o tempo, o cão Hachi acaba se tornando membro da família. Parker vai ao trabalho todos os dias de trem e o seu cachorro o acompanha todo o dia e, religiosamente, faça chuva ou faça sol, às 5 da tarde volta à estação de trem para esperá-lo regressar.

A trama realmente mostra sua face quando o dono falece e não volta para casa em um determinado dia. Mesmo assim, Hachi volta todos os dias a estação para novamente esperá-lo.

O roteiro do filme, concebido por Stephen P. Lindsay em seu primeiro longa metragem, é bastante funcional e crédulo no que toca o desenvolvimento da história. Inevitável, claro, cair em alguns clichês nesse tipo de narrativa, no entanto ele consegue fazer com que o espectador se desloque da idéia de que algo trágico está para acontecer mesmo sabendo que um dos dois vai morrer, o que reforça a sensação de surpresa e de compaixão pelos sentimentos de Hachi. Ao assistir o filme o espectador tem a dura sensação de perda, de vazio, que é a mesma do cachorro. Outro ponto marcante é que quando Parker morre, o fio condutor da narrativa se centra no animal e fica perfeito. Diferente de outros filmes que, de alguma forma o cachorro se comunica, Hachi não solta um latido e comunica mais do que se pudesse falar. Ponto positivo para o diretor, mas que também falha um pouco na câmera subjetiva, a da visão do cão.

Inevitável falar de algumas partes que marcam: a primeira é quando os anos vão passando e a câmera mostra, por trás de Hachi, a árvore da estação de trem passando pelas estações do ano, apesar de eu achar que foi um pouco mal-feito graficamente, representa muito bem essa passagem de tempo. A cena mais tocante do filme, quando a esposa de Parker senta ao lado de Hachi, anos depois de sua morte e pede a ele para esperar pelo próximo trem e o final, quando Parker, ou seu espírito, volta ao encontro de Hachi. Impossível não ir as lágrimas, mesmo quem nunca teve um animal de estimação vai se emocionar.

Como falei anteriormente, alguns dos problemas do filme residem na pesada direção de Hällstrom, fotografia muito bem elaborada com uma trilha sonora pesada e sempre presente, ele parece querer preparar o espectador a ir às lágrimas desde o começo do filme, aliás, desde o menu do DVD. O filme por si só é bastante comovente, não precisavam daquelas sequências demasiadamente longas e o tom dramático mesmo em cenas mais leves.

Mesmo assim, ‘Sempre ao Seu Lado’ é um filme que merece ser assistido, não chega a ser uma obra-prima, porém marca quem o assiste. Não esqueça dos lenços de papel, muitos deles.

8 comentários:

Jack, The Ripper disse...

Eita filminho triste! Fui ver no cinema, e quando sai da seção haviam dezenas de pessoas com lágrimas nos olhos. Um filme bom, mas que não chega a ser uma obra-prima, como tu mesmo dissestes na crítica. Dez vezes melhor que "Marley & Eu", sem sombra de dúvida!

Mateus Souza disse...

Ainda não vi, mas acredito que seja um bom filme. Apesar de não ser fã de dramas mais melosos (pode perbecer que os dramas mais pesados são criticados pelo Eduardo, hehe) a presença de um cachorro na história me faz querer ver esse filme.

Gostei Bastante de Marley e Eu e acho difícil de comparar com Sempre ao Seu Lado, já que os filmes trazem abordagens bem diferentes, tendo como ponto comum, aparentemente, só a presença de um cachorro.

Ah, quanto ao elenco, deixo a pérola dita por um amigo meu: "Joan Allen deve ser o cachorro".

Vlw, Eduardo!

R. Meireles disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
R. Meireles disse...

Esse filme aii eu fui as lágrimas. Muito bom principalmente quando o cachorro entrega a bolinha pra Richard..Ta vendo? Só em lembrar ja sinto vontade de chorar again!!

Hugo disse...

O direto Hallstrom é especialista neste tipo de drama para emocionar, as vezes exagerando um pouco na dose.
Eu gostei deste filme, feito diretamente para emocionar, com uma história real que mexe com todos.

Abraço

Nekas disse...

Eu sou honesto, choro em muitos filmes, contudo, falaram-me deste mas eu não chorei embora admita que é um filme emocionante e com uma boa história.

Abraço
Cinema as my World

Anônimo disse...

esse filme é mil vezes melhor que marley e eu

Anônimo disse...

é o melhor filme de cachorro que tem

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