domingo, 13 de junho de 2010

6 Crítica: Tudo Acontece em Elizabethtown

Tudo Acontece em Elizabethtown
(Elizabethtown, 2005)

Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe
Elenco: Orlando Bloom, Kirsten Dunst



Por Mateus Souza


Mais um para a lista de bons filmes de Cameron Crowe

Cameron Crowe é um diretor de bons filmes. Jerry Maguire - A Grande Virada, Quase Famosos e Vanilla Sky podem não agradar a todos, mas são filmes acima da média. Tudo Acontece em Elizabethtown, lançado em 2005, é tão bom quantos os outros, mas não recebeu a atenção merecida. Um grande erro, pois é um ótimo filme.

No filme, depois de fazer a empresa em que trabalha perder milhões de dólares (“quase um bilhão”), Drew Baylor (Orlando Bloom) é demitido por justa causa. Não bastando, o rapaz leva um fora de sua namorada Ellen (Jessica Biel) e, prestes a cometer um doloroso suicídio, recebe a notícia da morte do seu pai. Com isso, ele deve arrumar as malas e partir para o Kentucky, mais precisamente para a pequena cidade de Elizabethtown, local de nascimento do seu pai e lugar onde ele estava quando morreu. Na viagem, ele conhece a animada comissária de bordo Claire (Kirsten Dunst), que ensina a ele como chegar na pequena cidade (“não esquecer a 60B”).

Por aqui, o filme foi vendido como uma comédia romântica, coisa que está longe de ser. Nem a comédia nem o romance predominam. Eles estão lá, mas é o drama o dono do maior quinhão. Temas como o fracasso, a relação entre pais e filhos e a maneira como encaramos a vida são todos tratados no desenrolar da trama (algumas vezes de forma cômica, outras de forma emotiva; e outras de forma cômica e emotiva), sempre com um caráter bem pessoal – Crowe é do Kentucky e seu pai também havia falecido a pouco tempo.

O sempre criticado Orlando Bloom está bem no papel de fracassado cativante (que chegou a ser de Ashton Kutcher, mas este acabou sendo demitido pela sua "incapacidade de atuar"). Apesar de deslizar uma vez ou outra, Bloom não deixa a desejar e possui uma química incrível com Kirsten Dunst, que está maravilhosa. Dunst deixou de atuar no ótimo A Vila (leia a crítica aqui) para fazer Tudo Acontece em Elizabethtown. Claire, sua personagem, é para Drew, analogicamente falando, o que o filme é para nós: transmissor de uma grande mensagem positiva.

O filme conta, ainda, com duas participações de luxo. Alec Baldwin (do hilário seriado 30th Rock) interpreta o patrão de Drew. Suas cenas são curtas, mas, de longe, são algumas das mais engraçadas. A outra participação de luxo é de Susan Sarandon, que interpreta a mãe do personagem de Orlando Bloom. No discurso perto do fim, a atriz dá, literalmente, um show.

Como em todos os filmes de Cameron Crowe, a trilha sonora é maravilhosa. Elemento importantíssimo, ela amplia a intensidade da cena. O resultado é quase sempre magnífico. Vale destacar o momento no qual toca Free Bird, clássico do Lynyrd Skynyrd – demais!

Cameron Crowe é um diretor de poucos filmes. Suas pausas entre um e outro são enormes (Tudo Acontece em Elizabethtown é o seu mais recente). Mas os fãs não precisam ficar tristes, Cameron tem dois trabalhos agendados, um com estreia marcada para 2011. Enquanto não chega, assista aos antigos, mesmo que seja pela segunda, terceira ou quarta vez.

6 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Muito bom filme sim, apesar de ser, na minha opinião, o mais fraco da filmografia de Crowe. Não acho tão bom quanto seu ótimo texto providenciou de caracteriza-lo, mas funciona sim. Acho Orlando Bloom ainda muito inexpressivo, meio apático, poderia ser mais expressivo - no caso, o Kutcher seria mais indicado pra esse papel. Na verdade, Bloom só esteve mais notório na Trilogia do O Senhor dos Anéis mesmo. Acho ele o mesmo de sempre, tanto neste filme quanto no Piratas do caribe e no ótimo filme de Ridley Scott, Cruzadas.

Mas, o ótimo roteiro e a boa atuação de Kirsten Dunst deixa esse filme gostoso de se ver e sentir, de fato. E foi bom até ela ter optado por este filme aqui, daí podemos ver a sublime Bruce Dallas no A Vila - trabalho memorável!

Abraço

Hugo disse...

Concordo com o Cristiano, o filme é uma boa diversão mas inferior a outros trabalhos de Crowe e também acho Orlando Bloom fraco. Já Kirsten Dunst além de bela é boa atriz e dá conta do recado.

Abraço

Jardel Nunes disse...

Não assisti ao filme por achar que fosse uma comédia romantica hehehe, e também não sou um grande fã do Bloom não..
Mas a Kirsten "Mary Jane" Dunst e o diretor devem valer a pena, Quase Famosos é um dos melhores filmes que eu já vi (o melhor sobre o mundo do rock)..
Ótimo texto Mateus, me deixou com vontade de ver o filme realmente.
Assim que ver eu passo aqui e comento.

Abraços

Mateus Souza disse...

CRISTIANO: Tem razão, o Bloom é meio paradão mesmo, inexpressivo. Mas, por sorte dele, combinou com o personagem. Não acho que o Kutcher seja indicado para nenhum papel, haha. Ah, também adoro a Dallas Howard.

HUGO: Ao lado de Quase Famosos, é o meu trabalho preferido do Crowe. Mas todos os outros são bons. E a Kirsten, de fato, está linda!

JARDEL: Haha, para os mais nerds (como nós), a Kirsten Dunst será para sempre a Mary Jane. Também adoro Quase Famosos - assisti pela terceira vez, ontem. Logo logo escreverei sobre ele.

Obrigado pelos comentários!

Daniela Gomes disse...

Sumi do meu blog, consequentemente do de vocês. Mas estou de volta! :) ou quase. Passei por aqui porque em uma visitinha rápida ao meu, li o título da nova postagem. Eu adoro este filme. Concordo com você quanto ao Bloom - ele realmente se saiu bem com este personagem. E o filme todo, em si, é realmente muito bom. A comédia e o romance estão presentes, mas nada que desvie a atenção do drama do personagem.
O velório é inesquecível e delicioso. Assisti ao filme a um tempinho já, mas sempre que penso em velórios, penso neste em especial! Rs
Grande abraço. :)

Mateus Souza disse...

Tem razão, Daniela: a cena do velório é demais, toda ela, do discurso até momento com Free Bird! Ah, bem-vinda de volta =]

Abraço!

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