domingo, 11 de julho de 2010

6 Crítica: Jerry Maguire - A Grande Virada

4/5
Jerry Maguire - A Grande Virada 
(Jerry Maguire, 1996)
Direção: 
Cameron Crowe
Roteiro 
Cameron Crowe 
Elenco 
Tom Cruise, Cuba Gooding Jr., Renée Zellweger



Um divertido e emocionante passeio sobre o que é o sucesso.

Tom Cruise é um ator extremamente carismático. Mesmo interpretando anti-heróis ou qualquer outro tipo de personagem incorreto, ele necessita de pouco mais de uma cena para trazer a platéia para o seu lado. É verdade que, desde quando assumiu de vez a Cientologia e pulou no sofá da Oprah, sua popularidade vem diminuindo – seu mais novo filme (Encontro Explosivo) está sendo um fracasso de bilheteria nos EUA. Mas, mesmo assim, o ator ainda é referência nesse quesito (carisma, não fracasso de bilheterias...). Tudo isso que falei é evidente em Jerry Maguire – A Grande Virada.

O filme, outro ótimo trabalho do diretor/roteirista Cameron Crowe (Quase Famosos), conta a história do personagem-título (Cruise) um agente esportivo de grande sucesso e pouco escrúpulo que, em meio a uma crise de consciência, escreve um memorando, ou melhor, um “planejamento de metas”, defendendo a diminuição do número de clientes e uma maior aproximação desses. Que os atletas sejam tratados de forma mais humana, mesmo que isso signifique menos lucro para os agentes.

O resultado é certo: Maguire é demitido da empresa na qual trabalha e perde todos os seus clientes. Sua vida, pessoal e profissional, vai do céu ao inferno em poucos dias. As únicas coisas que lhe restam são um peixe, a contadora e mãe solteira Dorothy Boyd (Renée Zellweger) e o jogador decadente Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr., em sua melhor interpretação no cinema) – o único cliente que confiou em Maguire.

É dessa forma que Maguire, mesmo a contragosto, acaba executando todas as lições de aproximação e humanidade que concebeu em seu “planejamento de metas”. Criando com Tidwell, antes só um cliente de segunda categoria, uma relação não apenas profissional, mas de amizade, ao mesmo tempo em que cria com Dorothy uma ligação bem diferente daquelas que já criou em sua vida.
A transformação (de agente sem caráter a herói) passada por Jerry Maguire é muito bem retratada por Cameron Crowe, que sabe como poucos misturar drama e comédia sem cair no caricato.

Mas, apesar de bem escrito (o roteiro foi indicado ao Oscar) e dirigido, o filme não funcionaria sem o carisma de Cruise, que conquista a platéia desde a primeira cena. O ator, indicado ao Oscar por esse papel, está bem à vontade, demonstrando talento tanto nas cenas cômicas como nas dramáticas.

Outro destaque é Gooding Jr. (premiado com o Oscar). O ator está hilário como o ganancioso jogador de futebol (americano) que pede de forma singela, em uma das melhores cenas do filme: “me mostre o dinheiro, me mostre o dinheiro”. É uma pena que a carreira de Gooding Jr. tenha seguido um rumo tão irregular.

Jerry Maguire – A Grande Virada é um filme que fala do fracasso e do sucesso, da maneira que devemos encarar os dois – tema que seria revisitado por Crowe, mais tarde, em Tudo Acontece em Elizabethtown (leia a crítica). Um bom filme, levado não só pelo talento do seu diretor e roteirista, mas também pelo carisma (e talento) de seus atores, principalmente de Cruise.

6 comentários:

Amanda Aouad disse...

A cena em que ele sai do escritório com sua caixinha de coisas pessoais e só Renée Zellweger o segue, é ótima. Um bom filme, sim.

Mateus Souza disse...

Amanda: Esta cena está no meu Top Vergonha Alheia. Não tem como não se retorcer no sofá ao ver, haha.

Jardel Nunes disse...

O Crowe gosta de levar seus personagens nessa redenção né? Se for pensar, todos os filmes tem isso, inclusive Quase Famosos.
Assisti Jerry Maguire a muito tempo, na TV, e não lembro direito do filme. Então vou seguir a tua dica (como eu fiz em Elizabethtown) e assistirei.

Abraços

Mateus Souza disse...

Jardel: Tem razão. Talvez em Quase Famosos não seja tão explícito como em Jerry Maguire e Elizabethtown, mas sempre há essa referência. Eu também vi o filme a algum tempo, mas reprisou na Fox um dia desses, então, decidi rever, hehe. Vale mesmo a pena assistir novamente. Assiste e escreve no Topanga!

cleber eldridge disse...

Mateus, pode ser só eu, mas, eu acho o filme uma OBRA-PRIMA! a melhor interpretação do Cruise de longe - É desses filmes que você vê e percebe que ele está localizado numa "faixa" de cinema, em uma época, os já distantes anos 90. Ele tem essa cara, tem aquela narração em primeira pessoa, aqueles excessos. Mesmo com tudo isso, ele meio que funciona e como funciona. Nota 10!

Cristiano Contreiras disse...

Lembro me pouco dele, mas é um filme muito bom sim...ainda mais pelas prestações de Renée e do Cruise...E Cuba tem momentos únicos!

abraço!

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