quarta-feira, 7 de julho de 2010

9 Crítica: Paprika

3/5
Paprika
(Paprika, 2006)

Direção
: Satoshi Kon
Roteiro: Satoshi Kon, Seishi Minakami, Yasutaka Tsutsui
Elenco: Megumi Hayashibara, Tôru Furuya, Kôichi Yamadera




Psicodelia e sonhos nessa complicada – mas recompensadora – animação japonesa.

Ainda nem estreou, mas o novo filme do ora queridinho de Hollywood Christopher NolanBatman - O Cavaleiro das Trevas) já vem dando o que falar. Inception (A Origem, por aqui) conta com um elenco estelar (Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Michael Caine, Marion Cotillard), um diretor de talento e uma trama (que envolve máquinas que invadem sonhos) extremamente original, certo? Errado – pelo menos no que diz respeito à última parte.

Errado porque
- só para citar um dos filmes com a mesma temática - em 2006 foi lançado Paprika, filme em animação baseado no romance, de 1993, do japonês Yasutaka Tsutsui. O filme, lançado diretamente em DVD por aqui, conta a história de uma equipe de psicoterapeutas que desenvolve um aparelho capaz de entrar nos sonhos dos pacientes, e, assim, ajudá-los com suas doenças.

No entanto, três modelos desse aparelho são roubados e passam a ser usados de forma perigosa por terroristas, que entram nos sonhos das pessoas, manipulando-os, misturando aquilo que entendemos como realidade com o mundo dos sonhos. Além disso, rumores indicam que uma jovem chamada Paprika vem realizando consultas não-autorizadas com o tal aparelho “invasor” de sonhos.

Dirigido por Satoshi Kon (de Tokyo Godfathers, filme citado em Paprika), o longa tem uma trama deveras complicada, repleta de elementos psicodélicos, que exige grande atenção e raciocínio rápido de quem assiste – uma cena que começa no mundo real pode terminar no mundo dos sonhos sem nenhum aviso. Muitas das informações dadas não são mastigadas para o público. Quem assiste deve absorver o visto e chegar às suas próprias conclusões.

O excesso de complexidade na trama e a maneira como ela se desenrola torna Paprika, inicialmente, um filme difícil de se assistir, mas que, a partir do momento em que nos envolvemos com a história, se torna difícil de deixar de assistir.

A animação, de fato, mostrou-se a maneira ideal para adaptar a obra de Yasutaka Tsutsui. É difícil imaginar como o mundo onírico, com suas cores e formas, que caiu tão bem no traço animesco, seria reproduzido em uma produção em live action – ou, até mesmo, em uma animação em computação gráfica.

Indicado ao Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival de Veneza, em 2006, Paprika é uma complexa experiência sensorial que parece ter sido concebida através de um sonho. Mais um exemplar das boas animações feitas no Oriente. Só não se engane com os desenhos e cores, Paprika não é um filme para crianças. É para adultos, e daqueles que gostam de pensar (e sonhar).

9 comentários:

Jack, The Ripper disse...

Cara, simplesmente adorei "Paprika". No filme, quase tudo parece perfeito, desde o roteiro e o desenho, até os efeitos visuais. Com certeza, uma viagem psicodélica quase tão colorida quanto "Yellow Submarine".

cleber eldridge disse...

O filme passou batido por mim, apesar de na épooca do lançamento ter sido muito elogiado! E por falar nisso, nunca achei esse filme pra alugar ou comprar, o que ouve?

Mateus Souza disse...

Jack: Tem razão: visualmente o filme é muito bem acabado.

Cléber: De fato, é difícil achar esse filme nas locadoras. As animações japonesas, no geral, são difíceis, principalmente as que não são infantis ( e não falo dos hentais -.-''). Mas ele costuma passar muito nos canais da HBO.

Obrigado pelos comentários!

Rave-chan disse...

Nossa, eu me apaxonei por esse filme *-*
Mesmo que tenha algumas coisinhas sem explicação no final x_x' (se tiver alguma explicação, me falem por favor xD )
Mas é muito muito muito bom <3 Até melhor que Perfect Blue (que é outro movie japonês ótimo dirigido pelo Satoshi Kon também).

Mateus Souza disse...

RAVE-CHAN: Acho que muitas coisas do filme, como parte do final, não tem bem uma explicação, hehe. Afinal, os sonhos não são "explicáveis".

Anônimo disse...

Filme incrível... eu só conhecia o trabalho do (também incrível) Hayao Miyazaki, e agora vou procurar mais trabalhos desse Satoshi Kon, que, pelo que eu li, infelizmente morreu.

Anônimo disse...

¡Escriban bien hijos de puta!

Anônimo disse...

Na ultima cena Paprika indica um filme chamado " Sonhos de Criança" na Dublagem saiu como "Criança Sonhadora" e aparece a cena com o nome do Filme em cartaz do cinema .
Alguém sabe se existe mesmo esse filme ? Pelo título eu não encontrei.

rafael scatolin disse...

o filme existe, é bem antigo, 1944. não achei pra baixar :/
entretanto, aparece outros filmes no final, entre eles, Tokyo godfathers, recomendo

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