domingo, 25 de julho de 2010

8 Crítica: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa


Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
(Annie Hall, 1977)
Direção 
Woody Allen
Roteiro
Woody Allen, Marshall Brickman
Elenco
Woody Allen, Diane Keaton

Décadas após o seu lançamento, clássico de Woody Allen continua atual

Alguns filmes têm a incrível capacidade de permanecerem sempre atuais. O tempo passa, mas o filme não se torna datado, e, justamente, por isso tem sua fórmula usada repetidas vezes por outros. Um exemplo clássico desse caso é (o também clássico) Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen.

Dirigido, co-escrito e estrelado por Allen, o filme começa com o personagem central, Alvin Singer (Allen, com seu jeito peculiar de falar) conversando com a platéia – artifício muito usado pelo diretor – sobre si, sobre seu relacionamento recém-terminado com Annie (Diane Keaton) e como vem mentalmente montando pedaços dessa relação, buscando entendê-la. É dessa forma que tudo prossegue, como uma reunião aleatória de trechos desse relacionamento, indo e voltando no tempo, mostrando como foi a vida do casal.

O filme é muito bem escrito, sendo composto, como é normal nos textos de Allen, por diálogos rápidos e divertidos, tratando de forma profunda e inteligente o relacionamento entre os dois personagens, mas de uma maneira leve, descontraída.

É, também, inventivo na forma como nos conta a história. Tela divididas, personagens quebrando a quarta parede, “viagens no tempo” e até um trecho em animação são alguns dos artifícios usados por Allen, que, somados a uma edição dinâmica, dão ao filme um ar moderno. Uma cena em especial é muito famosa: aquela onde os personagens de Allen e Keaton conversam e vemos, sobre as falas, o que eles estão pensando.

Keaton (a melhor das musas de Allen) teve o papel escrito especialmente para ela (Annie Hall é um apelido seu), e por isso, talvez, esteja tão à vontade interpretando a si mesma. O jeito atrapalhado e o figurino unissex composto por gravatas, coletes e camisas largas fizeram muito sucesso entre as mulheres da época.

Entre muitos outros prêmios, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa recebeu 4 Oscars – Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Original. Foi o único trabalho de Allen a receber tantos Academy Awards (ele só receberia outro, pelo roteiro de Hanna e Suas Irmãs), talvez pela atitude do diretor, que não compareceu à cerimônia, pois tinha, como em todas as segundas-feiras, de tocar clarinete com sua banda de Jazz em um pequeno bar...

Clássico das comédias românticas, tem influência incrível sobre a maioria dos filmes sobre casais e discussões de relacionamentos que vemos por aí. Antes do Amanhecer, Prova de Amor, 500 Dias com Ela
(crítica aqui) e o brasileiro Apenas o Fim (crítica aqui) são filhos legítimos de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Um filme de 1977, mas que está longe de se tornar velho.

8 comentários:

Nekas disse...

Provavelmente, o meu preferido de Woody Allen.
Desde o início que é espectacular.

Abraço
Cinema as my World

Jardel Nunes disse...

Ainda acho o melhor do Woody Allen... e olha que não me lembro de dizer que algum filme do Woody não seja no mínimo "muito bom".

Abraços

Mateus Souza disse...

Jardel e Nekas: Está entre os meus preferidos, mas sempre fico na dúvida na hora de escolher o melhor. Prefiro dizer que está "entre os melhores", haha. É mais fácil.

Obrigado pelos comentários!

cleber eldridge disse...

Não gosto nem de pensar que eu ainda não assisti, porque não quis, tsc!

leo disse...

Meu filme preferido de Woody Allen fácil,ótimo e como você disse realmente atual.
Esse filme faz comédias românticas atuais (metidas a cool) parecerem péssimas (me refiro a 500 dias com ela mesmo).
Abraços

Mateus Souza disse...

CLEBER: Assista! Vale muito a pena =]

LEO: Gosto de 500 Dias, mas ele não é tudo isso que dizem, justamente por não ter a originalidade das referências.

Roberto F. A. Simões disse...

Não conhecia o título brasileiro, achei engraçado. ANNIE HALL é, sim, um grande filme. Mais brilhante no argumento no que na realização, mas enfim: é essa a minha opinião generalizada sobre Woody Allen. Não o considero, contudo, nenhuma obra-prima 4*

Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «

Mateus Souza disse...

Roberto, o título é muito criticado por aqui (com razão), manter o original seria muito mais coerente. Nem Allen considera esse filme uma obra-prima, hehe mas, sem dúvida, é um filme de grande influência.

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