domingo, 22 de agosto de 2010

15 Crítica: O Último Mestre do Ar

O Último Mestre do Ar
(Last Airbender, The, 2010)

Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone





Um filme de aventura/fantasia comum, só que com um foco diferente

Avatar: A Lenda de Aang, animação da Nickelodeon, ganhou uma adaptação em live action para os cinemas sob o comando de M. Night Shyamalan. O controverso diretor, acostumado a roteiros originais e tramas de mistério nas quais predominam o diálogo, trabalha aqui com material adaptado, muitos efeitos especiais e cenas de ação – sem falar de um público consumidor bem mais novo.

Mas Shyamalan, apesar do material pouco característico, consegue empregar o seu estilo ao filme. O misticismo e as questões interiores são supervalorizadas em detrimento da ação, o que pode decepcionar muita gente, inclusive fãs, mais acostumados e ávidos por um cinema mais espetaculoso. Em O Último Mestre do Ar (nome que o filme recebeu por causa do outro Avatar) tem ação, as cenas de lutas são interessantes (como no desenho), bem filmadas, mas não é isso que Shyamalan quer mostrar.

Ele quer mostrar o drama pessoal do garoto Aang. Ele é o Avatar, o único dentre todas as Nações que consegue manipular os quatro elementos e comunicar-se com os grandes espíritos. Tem para sim a missão de equilibrar a relação entre as quatro Nações existentes (a Tribo das Águas, o Reino da Terra, a Nação do Fogo e os Nômades do Ar). É uma trama profunda e dramática que, no desenho, ganha grande inserção cômica para não se tornar pesada para o público predominantemente infantil. Aqui, Shyamalan esquece um pouco o lado cômico e aposta na espiritualidade.

Acostumado a roteiros que devem esconder e não expor, o indiano se atrapalha um pouco ao introduzir o expectador nessa complicada história. É muita informação para se dar em tão pouco tempo.

O elenco também não ajuda. É o pior grupo de atores que Shyamalan já trabalhou em toda a sua carreira. Não só as crianças, mas também os adultos. Todos são péssimos atores. Com destaque (negativo, é claro), para Aasif Mandvi, o Comandante Zhao, e o protagonista Noah Ringer, que parece ter saído do elenco mirim das novelas da globo.

Em um filme que poderia se tornar um show de pirotecnia, Shyamalan dá segundo lugar à ação e foca nos dramas internos. O que não necessariamente torna o filme bom, é apenas um diferencal. Na verdade, seus defeitos são bem evidentes: a falta de ritmo, os atores, o roteiro. O filme foi tido como uma bomba pelos críticos norte-americanos. Eles, é claro, exageram nos defeitos quando se trata de Shyamalan, que já não dá mais ouvidos. Melhor assim.

15 comentários:

cleber eldridge disse...

Desde que soube que um dos diretores favoritos, tinha assumido a direção do filme, já sentia que não ia ser algo bom, pois é ...

Nekas disse...

É uma pena, estes desenhos animados tinham mais potencial.

Abraço
Cinema as my World

Mateus Souza disse...

CLEBER: Não entendi: quando um dos seus diretores favoritos assumiu, você achou que não ia ser bom =o?

Nekas: Tem razão. Não sou fã do desenho, mas vejo potencial. Só acho que menos mal ter ido para as mãos de Shyamalan. Um diretor tipicamente hollywoodiano poderia ter feito coisa bem pior.

Obrigado pelos comentários!

@Raspante disse...

Nunca fui muito fã de Shyamalan, e seus últimos filmes foram realmente muito sofridos. Gosto muito do desenho, então claro, tenho curiosidade em ver o filme, mais verei sem expectativas e provavelmente em DVD!
Boa crítica!
Abs.

Kamila disse...

Ainda não assisti a este filme, mas vou fazer isto sem a MÍNIMA expectativa.

Jardel Nunes disse...

Eu acredito no Shyamalan... esses últimos 3 filmes dele são fracos mesmo, mas o homem fez Sexto Sentido, A Vila, Sinais, Corpo Fechado... merece nossa confiança ainda.

Abraços

Mateus Souza disse...

Raspante: Não estará perdendo muita coisa por esperar. Nem o 3D (um atrativo para se ver o filme no cinema) impressiona. Na verdade, ele é quase inexistente. Obrigado pela visita.

Kamila: Eu estava por ser um trabalho do Shyamalan.

Jardel: Concordo, Jardel. Eu também acredito nele, hehe. Se ele tivesse intercalado trabalhos bons e ruins, acho que não seria tão massacrado.

Obrigado pelos comentários!

R. Meireles disse...

Rapazz, shyamalandro dessa vez se superou, que filme horrivel. Assisti junto ao grande critico Mateus Souza, que me induziu, fazendo-me gastar 15 reais em um 3d que não tem nada de 3d. Poxa vida cara. ;\

Mateus Souza disse...

RENÊ: Putz, manolão, foi mal. Pensei que Shyamalandro fosse agradar. Nem os óculos 3-D tu conseguiu afanar pra si, né? Auhahuhua.

Silvia Freitas disse...

Não vi esse filme, mas confesso que não tenho a mínima vontade de ver. bom, como não gosto desse estilo, acho que não vou gostar do filme. Ahh..temos a mesma opinião sobre a Angelina Jolie. Tbm não consigo gostar dela. Não que não atue bem, mas sei lá, falta algo ali que não me faz ve-la como uma grande artista.

Edson disse...

Ótima crítica e adorei o visual novo do blog!

Amanda Aouad disse...

O filme é um rascunho da série, mas não é essa bomba que os críticos estão destilando por aí. Como você ressaltou, o pior é o roteiro e os atores. Uma pena, tinha tudo para ser bom. Mas, ainda acredito em Shyamalan.

Tiago Britto disse...

Em meio a tantas críticas negativas sobre este filme...nem me dei ao trabalho de ir ao cinema para conferir...não conheço o desenho também...ontem tive uma surpresa com alguns amigos dizendo que os que falam mal do filme estão sendo preciosíssimas e que ele entretem e diverte.

oZZy disse...

"É muita informação para se dar em tão pouco tempo."
Palavras preciosíssimas. Como sou fã do desenho, fui com MUITA expectativa à sala de cinema. Acredito que esse fato contribuiu para a grande decepção que foi tomando conta dos meus sentimentos durante o desenrolar da trama.
Quem conhece o desenho sabe muito bem que, como adaptação, esse filme merece nota 0. Não é preciso citar que as divergências entre o filme e o desenho chegam a beirar o ridículo. Atores de quinta categoria contribuem para isso também.
Não me senti no prejuízo, pois paguei apenas 6 reais em um dia de promoção para assisti-lo. Acima disso seria caracterizada perda de dinheiro.
Todavia, para quem não conhece o desenho, pode até gostar do enredo, pois é clara (como foi citada no vosso post) a atenção especial que Shyamalan dá ao drama do protagonista, que é uma questão bem interessante.
Apesar da péssima impressão que esse filme deixou em mim, pretendo ir assistir à continuação, com esperanças de uma drástica mudança em vários aspectos.
PS: Quase dormi na sala de cinema.
PSS: Ainda não consigo entender porque a Katara, de pele de cor morena no desenho, é interpretada pela atriz Nicola Peltz, de pele de cor clara. Tenho certeza de que outras atrizes mais semelhantes à personagem fariam o papel melhor.

Mateus Souza disse...

OZZY: Para o "PSS", Holliwood tem tradição em por os mocinhos com características físicas ocidentais, enquanto os vilões ficam com as orientais... Mas não acho que esse seja o caso, afinal, Shyamalan é de origem indiana.

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