sábado, 4 de setembro de 2010

9 Crítica: Encontros e Desencontros

5/5
Lost In Translation
Estados Unidos, 2003 - 105 min
Diretor:
Sofia Coppola
Roteiro:
Sofia Coppola
Elenco:
Bill Murray, Scarlett Johansson


"For relaxing times, make it Suntory time"

Quando, em 1990, Sofia Coppola apareceu como Mary Corleone na terceira parte de O Poderoso Chefão, a impressão que se teve foi que a moça só estava ali por causa do seu papai Francis. E, de fato, era isso mesmo. Até Framboesa de Ouro a moça recebeu. Atuar não era com ela, mas dirigir (e escrever) sim. Ela lançou essa suspeita com Virgens Suicidas (1999) – sua estréia na direção – e confirmou com Lost In Translation, seu trabalho seguinte, chamado de Encontros e Desencontros, por aqui.

No filme, Sofia conta a história de Bob Harris (Bill Murray, em seu melhor trabalho no cinema), um decadente ator em plena crise da meia-idade e Charlotte (Scarlett Johansson, linda e talentosa), uma jovem recém formada em Filosofia que ainda não sabe bem o que fazer.

Os dois estão hospedados no mesmo hotel em Tóquio. Ele para participar de alguns comerciais (“ao invés de estar atuando em alguma peça”, como mesmo diz), e ela acompanhando seu marido (Giovanni Ribisi), com quem casou a pouco tempo. Em comum: o fato de estarem perdidos na vida.

É a relação dos dois o ponto central do filme. Como um encontra no outro uma ligação, por mais passageira que seja, com o mundo, e Tóquio aparece como metáfora perfeita para o sentimento de “deslocamento” dos dois.

Do chuveiro mais baixo ao templo budista, o choque cultural é imenso – e engraçado. Não tem como não rir dos olhares incrédulos e cínicos que Murray faz com cada situação. Sofia acerta ao tratar com sutileza a diferença cultural. A capital japonesa não se transforma em uma caricatura. Ela só é... Diferente.

A relação de companheirismo criada entre o dois personagens centrais é bonita e delicada, algo que transcende o físico (só há um único beijo entre os dois no filme). E esse é um dos diferenciais do relacionamento: não vemos duas pessoas procurando um grande amor ou algo do tipo. São só duas pessoas solitárias que não querem se separar.

O filme foi bastante elogiado pela crítica e arrastou algumas indicações e prêmios importantes – como o de Melhor Roteiro Original do Oscar –, e hoje é Cult. Sofia Coppola, apesar de ter poucos filmes em seu currículo, já se mostra uma diretora madura. Seu novo filme, Somewhere – o quarto da carreira – é grande favorito na disputa do Festival de Veneza 2010. Enfim, ainda bem que ela desistiu de ser atriz.  

9 comentários:

Leandro disse...

Obra Prima absoluta,Bill Murray,Scarllet Johansson e Sofia Coppola todos em seus melhores momentos.
Novamente um filme espetacular postado por vocês e mais um ótimo texto.
Abraços

alan raspante. disse...

Ainda não assisti "Encontros e Desencontros", nem tinha muita vontade de conferir, mais gosto muito da Coppola (adorei Maria Antonieta), espero vê-lo em breve....
E, claro aguardando com muito gosto seu novo trabalho!

Kamila disse...

Para mim, "Encontros e Desencontros" é um dos filmes mais superestimados dos últimos anos. Para mim, é muito barulho por nada, sinceramente.

Cristiano Contreiras disse...

Eu gosto e muito deste! Mas, prefiro outro de Sofia - As Virgens suicidas! abs

Tiago Britto disse...

Vou procurar assistir...sempre falaram ser um filme bom! VLW PELA DICA!

Jardel Nunes disse...

O grande filme da Sofia Coppola, e também do casal protagonista.

Ficamos no aguardo do filme novo da Sofia.

Abraços

Mateus Souza disse...

LEANDRO: Tem razão. Todos em ótimo momento. Obrigado pelo comentário e elogio.

RASPANTE: Ah, então deves assistir. Também adoro Maria Antonieta. Sofia tem poucos filmes, mas todos bons. O mais fraco é Virgens Suicidas, mas ainda assim é bom.

KAMILA: Discordo totalmente. Como disse no texto, o acho um grande filme. Mas entendo, seu ritmo e narrativa não agradam a todos. Meu pai odiou, hehe.

CRISTIANO: Gosto de Virgens Suicidas, mas não é meu preferido. De Sofia é o que menos gosto.

TIAGO: É mesmo um bom filme. Recomendo mesmo, hehe.

JARDEL: É verdade. Espero que o novo estreie mesmo por aqui...

Obrigado a todos pelos comentários!

Anônimo disse...

Só hoje vi esse primor de filme(18/01/2012). E é muito bom. Gosto de filmes assim em que o gestual, o enigma e olhar profundo que o diretor quer passar, estórias aparentemente simples, mas com visão e pensamentos profundos com mensagens muito além de filmes com efeitos especiais. Em fim, só os verdadeiros apreciadores de cinema é que vão gostar. Carlos-Picos-PI, OBS: TIVE QUE RECORRER AO CAMÊLO CINÉFILO QUE CONHEÇO. NÃO ENCONTREI O FILME NA DVD LOCADORA DAQUI.

Anônimo disse...

Verdade - Só os verdadeiros apreciadores do cinema vão gostar - a historia é muito realista - quantos de nos estamos perdidos na vida - atrelados a um relacionamento muitas vezes com pessoas boas mas nao com a pessoa certa - incrivelmente o filme descreve isso com muita sutileza - entre duas pessoas adultas que se esbarram ao acaso e percebem uma conexão uma sintonia fina e natural entre ambas. E o filme é tão realista com as nossas tragédias pessoais humanas que no entanto no fim do filme eles acabam se desencontrando pelos caminhos ríspidos que a própria vida nos impõe - pela cruel realidade de ter que voltar a própria realidade deixando assim pessoas muito especiais partirem de nossas vidas muitas vezes ... Filme sensível e muito maduro.

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