sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

10 Crítica: Amor Sem Escalas

Up In The Air
EUA , 2009 - 109 min.
Direção:
Jason Reitman
Roteiro:
Jason Reitman e Sheldon Turner
Elenco:
George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga


Jason Reitman apresenta um trabalho oportuno e bem feito.

Um filme pode ser considerado sob dois diferentes pontos de vistas. O ponto de vista ideológico, no qual tenta defende-se algum  tipo de valor ou ideia. E o  ponto de vista objetivo, do qual  todo o valor ideológico  é extraído, e o filme é visto como mero entretenimento.

Algumas obras trazem suas ideologias escancaradas para todos verem. Outras são mais sutis, deixando tudo nas entrelinhas. Amor Sem Escalas faz parte do primeiro grupo. Sua ideologia é bem clara. Trata-se de um alento, uma mensagem de esperança para os americanos que, naquele momento, viviam uma arrasadora crise econômica.

O roteiro se baseia no livro de Walter Kirn, lançado em 2001, mas que se enquadra perfeitamente no cenário econômico da época. Nele conhecemos Ryan Binghan (George Clooney), um executivo que ganha a vida de forma peculiar. Ele trabalha para uma empresa que presta serviços a outras demitindo funcionários em larga escala. Sob o eufemismo de Conselheiro de Transições de Carreira, Ryan passa o ano inteiro viajando, vivendo mais tempo nos hotéis e aeroportos do que em casa.

Mas isso não é um problema para ele. Ryan é um daqueles solteirões convictos e adora levar a vida sem muitos vínculos pessoais – como ele mesmo diz, devemos “esvaziar nossas mochilas” para sermos felizes. No entanto, essa maneira de pensar se transforma à medida que duas mulheres entram na vida dele.

A primeira delas é Alex Goran (Vera Farmiga), uma mulher com um estilo de vida semelhante ao de Ryan. Assim como o personagem de Clooney, ela passa mais tempo em aeroportos do que em casa, e os  encontros só acontecem quando coincide dos dois estarem perto entre uma viagem e outra. A segunda é a jovem Natalie Keener (Anna Kendrick), nova na empresa e criadora de um novo mecanismo de demissões que, para o desespero do protagonista, não exige que viagens sejam feitas: tudo será via internet.

É com a entrada dessas duas na história que Ryan começa a repensar seu moderno estilo de vida, que abre mão de antigos valores, que, segundo a ideologia do filme, são importantes, como o casamento, os amigos e a família. O diretor e co-roteirista Jason Reitman (Obrigado Por Fumar, Juno) trata essa transformação com muita sutileza, fugindo  muito bem dos clichês em que poderia esbarrar - que são vários.

No fim das contas, a mensagem construída por Reitman pode até parecer piegas (apesar do filme nunca chegar a esse ponto) e conservadora, mas é extramente oportuna. Nada melhor para os americanos do que alguém dizendo que os valores da vida moderna, incluindo aí o tão sonhado sucesso profissional, vem bem atrás do carinho dos amigos e da família.

Não se engane com título nacional, Amor Sem Escalas é uma comédia dramática (e não romântica). As atuações são bilhantes (principalmente a de Kendrick). A trilha sonora e o roteiro também.  É verdade que funciona melhor para o público norte-americano, que sofreu e ainda sofre os efeitos da crise econômica, mas  isso não o impede de ser apreciado por qualquer outro público, nem que seja por mero entretenimento.

10 comentários:

Rafael W. disse...

Melhor filme do Jason Reitman, que tem se mostrado um dos diretores mais promissores da atualidade. Se continuar assim, terá um grande futuro pela frente.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Cristiano Contreiras disse...

Acho um pequeno filme, mas que convence e agrada - apesar de detestar Clooney! abraço

cleber eldridge disse...

Um filmaço, um dos melhores do ano passado, com um roteiro simplesmente muito bem escrito e um elenco que brilha durante toda a projeção do filme, e ainda fala das condições atuais do pais, uma delicia.

Kamila disse...

Gosto muito de "Amor Sem Escalas". Me identifico demais com a personagem da Anna Kendrick.

Película Criativa disse...

Up in the Air foi um dos meus filmes preferidos da temporada passada. Apesar do filme manter um clima meio conservador, gostei muito do roteiro, tem grande diálogos.

As atuações do elenco também merecem destaque, sou fã de Clooney e Anna Kendrick foi uma ótima surpresa.

Rafael W. disse...

Nossa Cristiano, você não curte o Clooney? Putz, é um dos meus atores favoritos!

http://cinelupinha.blogspot.com/

Carol Morais disse...

Mateus,
Gostei bastante da crítica. Sobre a questão da dramaticidades estar na crise econômica, eu concordo que isso acaba não afetando quem assiste tanto quanto os norte-americanos que passaram por isso. Não somente no cinema, mas em tudo. Eu não tinha noção das proporções da crise até morar no país pós-crise, que encontra-se ainda em uma fase difícil, reerguendo-se. Que fique claro: não estou defendendo nada, ninguém. Só digo que a ficção ganha proporções maiores quando vivenciamos a realiidade a qual a mesma foi inspirada ou situada.
Abraços, querido.

Mateus Souza disse...

Rafael: Terá mesmo. E ele vem melhorando a cada filme.

Cristiano: Esses pequenos filmes muitas vezes são os melhores.

cleber e Película: Também achei um dos melhores da temporada passada.

Kamila: É o melhor personagem do filme, hehe.

Rafael W.: Não é um dos meus preferidos, mas não detesto como o Cristiano, hehe.

Carol: Exatamente. O filme significa muito mais para os americanos - por isso foi tão prestigiado por lá. Mas, mesmo sem ser americano, eu gostei muito, hehe.

Obrigado a todos pelos comentários!

lematinee disse...

Gostei mto do filme qdo vi, e achei o elenco excepcional. A mensagem ideologica que se pretende passar é clara, mas leva a gnt refletir. Gosto mto da ultima frase que Clooney fala no filme. Reflete bem a solidão interior do nosso mundo contemporaneo.

Otimo post, adorei!

Abs!

Natalia

Rafael W. disse...

Puxa gente, acho o Clooney brilhante, ele sempre acerta no tom de seus personagens, e neste aqui, ele está excepcionalmente bem.

http://cinelupinha.blogspot.com/

Postar um comentário

O Cinema para Desocupados agradece pelos comentários!

Sempre que necessário os responderemos.