domingo, 9 de janeiro de 2011

3 Crítica: Viagem a Darjeeling

The Darjeeling Limited
EUA , 2007 - 91 min.
Direção:
Wes Anderson
Roteiro:
Wes Anderson, Roman Coppola e Jason Schwartzman
Elenco:
Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman


O barco de Zissou dá lugar a um trem,  mas Wes Anderson continua falando de famílias

Lá pelo meio de Viagem A Darjeeling um dos personagens diz: “Gostaria de saber se nos três seríamos amigos na vida real. Não como irmãos, mas como pessoas”. É a prova  cabal que Wes Anderson sabe mesmo o quanto as relações familiares são complicadas. Mas isso não precisava ser provado: o norte-americano sempre gostou de abordar o tema “família” em seus filmes, como fez em Os Excêntricos Tenenbaums (2001) e em A Vida Marinha com Steve Zissou (2004, leia a crítica). Em Viagem a Darjeling ocorre o mesmo - e tão bem quanto nos filmes anteriores.

Aqui, acompanhamos Francis (Owen Wilson), Peter (Adrien Brody)  e Jack Whitman (Jason Schwartzman), três irmãos que não se viam desde o enterro do pai, a um ano atrás. A pedido de Francis,  que recentemente sofreu um acidente que quase lhe custou a vida, os três reúnem-se novamente para uma viagem espiritual pela índia, a bordo do trem Darjeeling Limited, onde pretendem recuperar e reforçar os laços fraternos a muito tempo rompidos, além de encontrar a mãe (Anjelica Huston) que vive como missionária.

Se em Zissou Anderson usava o barco Belafonte para vagar lateralmente pelos cômodos com sua câmera, aqui, tal trabalho é feito sobre o Darjeling Limitada. Vagão por vagão, janelinha por janelinha, Anderson passeia com seu jeito todo peculiar de filmar, com enquadramentos simétricos, close-ups, e câmera movimentando-se na direção do personagem que fala.

Por falar em personagens, os daqui continuam tão bons quanto o dos trabalhos passados – ajudados pelo ótimo trabalho do trio principal. Eles não são tão esquisitos quanto os outros, é verdade,  mas mantêm o mesmo poder de fácil identificação que nós faz ver um pouco da nossa família e nós mesmos na tela. Afinal, quem nunca pensou em fugir quando as coisas não iam bem ou ouviu aquela mesma musica pra relembrar  uma ex-namorada? 

Além do longa de 91 minutos, existe um curta metragem de 13 minutos que precede a exibição do filme. Intitulado Hotel Chevalier, o curta retrata o encontro  acontecido antes da viagem entre o personagem de Schwartzman e sua namorada, interpretada por Natalie Portman. Filmado  e escrito pelo próprio Anderson, Hotel Chevalier ajuda a entendermos um pouco mais do personagem e de alguns diálogos do filme vindouro.

Viagem a Darjeeling não é tão "ame-o ou deixe-o" como os outros trabalhos de Wes Anderson. O humor agridoce e os diálogos inusitados permanecem, mas a história não parece se passar em uma realidade alternativa como nos dois antecessores. Um excelente filme que trata de forma um pouco mais realista e menos esquisita (apesar de ainda ser) as famílias disfuncionais que Anderson tanto utiliza em seu cinema. Indicadíssimo.

3 comentários:

Silvia Freitas disse...

Achei o filme diferente e bem interessante. Gostei!

Kamila disse...

Não gosto desse filme! Agora, acho a parte técnica, especialmente a direção de arte, muito boa!

Nelson L. Rodrigues disse...

A blogosfera nos reserva agradáveis surpresas. Conhecemos pessoas através de seus textos, entramos em contato para trocar ideias sobre interesses em comum, e um vínculo intelectual nasce.

Dessa observação sobe troca de conhecimento temático entre blogs, o FILOCINÉTICA e o CINEBULIÇÃO, nos unimos para criar um reconhecimento aos críticos e divulgadores da cultura cinematográfica. Nossa proposta, é premiar com o SELO INGMAR BERGMAN, bimestralmente, três blogs selecionados, que em nossa opinião e na opinião de nossos convidados para essa análise, trazem uma significativa contribuição para a crítica, reflexão ou divulgação da Sétima Arte.

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