sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

11 Oscar 2011: Apostas e comentários

Quem deve ganhar e quem eu gostaria que ganhasse o prêmio da Academia

Neste domingo acontecerá a maior e mais esperada premiação de cinema dos Estados Unidos: O Oscar. E como todos estão lançando suas listas de apostas, lançarei também a minha, visando as principais categorias apenas e complementando com alguns comentários. Se quiser ver minhas apostas do ano passado, clique aqui. Então, sem mais demora, vamos lá:

MELHOR FILMEO Discurso do Rei

O Discurso do Rei tem tudo para levar o prêmio de melhor filme. Não é o melhor fillme, mas tem mais a cara de Oscar. Levou grande parte dos prêmios dos sindicatos, incluindo o Directors Guild of America (o sindicato dos diretores) e o Producers Guild of America (que, seria o correspondente à categoria de melhor filme do Oscar). Uma pena, pois a Rede Social e Bravura Indômita (para não falar outros da lista) são bem melhores. Torço para A Rede Social.

MELHOR DIRETOR: Tom Hooper (O Discurso do Rei)

Nessa categoria, alguns falam da possibilidade de David Fincher ganhar, como que uma forma de compensação pela derrota em melhor filme. Gostaria que assim fosse, mas acho improvável. Dificilmente o vencedor do sindicato de diretores diverge do vencedor do Oscar - o número de votantes em comum é enorme. O trabalho de Hooper não é ruim. Talvez, sem sua direção O Discurso do Rei se tornasse bem mais chato do que em alguns momentos é. Apesar disso, David Fincher ou os irmãos Coen seriam um melhor destino para a estatueta despida.

MELHOR ATOR: Colin Firth (O Discurso do Rei)

Categoria que normalmente é de fácil previsão está mais fácil do que nunca nesse ano. Colin Firth arrastou tudo o que era possível por seu trabalho em O Discurso do Rei. E não é pra menos, o inglês de 50 anos, indicado ano passado, faz um trabalho incrível, vivendo o rei gago George VI. O interessante é que todos os outros indicados apresentam trabalhos dignos de premiação, e não apenas de indicação.

MELHOR ATRIZ: Natalie Portman (Cisne Negro)

Outra categoria quase certa. A bailaria com problemas psicológicos Nina tem tudo para dar a Natalie Portman sua primeira estatueta. Não sei até que ponto é o melhor trabalho de Portman, prefiro muito mais sua personagem em Closer, mas o fato é que a Academia adora caretas e cara de choro - e nisso Portman dá show aqui. Annette Bening corre por fora pelo papel da lésbica "pai" de família que interpreta em Minhas Mães e Meu Pai (um dos meus filmes preferidos da lista), mas dificilmente atrapalhará a festa de Portman e dos indies desse mundo.

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christian Bale (O Vencedor)

Outra coisa que Hollywood adora são personagens que requerem uma grande mudança física no ator. É o caso do ex-lutador de boxe e viciado em craque vivido por Bale, que vem levando tudo o que é prêmio por esse papel. Sem dúvida a atuação de Bale é maravilhosa, mas outros ótimos trabalhos figuram na lista. Como o de Geoffrey Rush por "O Discurso do Rei" e Mark Ruffalo, por Minhas Mães e Meu Pai. De todos, o que mais gostei foi Ruffalo.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Melissa Leo (O Vencedor)

A veterana Melissa Leo encontrou sucesso na carreira depois dos 50. Depois de anos de tabalho sem muito reconhecimento, a novaiorquina foi indicada ano passado por Rio Congelado e agora chega como grande favorita por seu trabalho de mãe dominadora em O Vencedor. No entanto, apesar de tudo, Leo cometeu uma tremenda gafe que comprometeu seu favoritismo (entenda mais aqui). O fato é que a jovem Hailee Steinfeld (apenas 14 anos) ganhou força com isso. Sem dúvida, prefiriria que a vencedora fosse Steinfild. A garota está demais interpretando a pequena e falastrona Mattie Ross em Bravura Indômita. 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Christopher Nolan (A Origem)

O inglês Cristopher Nolan deve levar seu primeiro Oscar esse ano. Para muitos injustiçado por não está presente na lista dos cinco diretores, Nolan recebeu a premiação do WGA, sindicado de roteiristas de Hollywood, o que o credencia a favorito na disputa. Sem dúvidas, Nolan foi o que teve mais trabalho pra escrever o roteiro, porém, ao meu ver, isso não o torna o melhor. Mas, apesar de gostar de Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko por "Minhas Mães e Meu Pai", se o Oscar for para Nolan estará em boas mãos.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Aaron Sorkin (A Rede Social)

Vencedor quase certo. O atual e inteligente roteiro de Sorkin, também vencedor do WGA, pode ser um dos únicos prêmios do antes favorito A Rede Social. Da lista, outro trabalho notável é o dos irmãos Coen, que adaptam tão bem o livro de Charles Portis. O prêmio indo para qualquer desses dois já estaria em boas mãos.
 
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 3

Única animação presente no rol dos dez melhores filmes, Toy Story 3 deve levar facilmente o Oscar de melhor animação, e manter a hegemonia da Pixar. Gosto dos filmes da Pixar, mas ainda não os troco pelas animações de Hayao Miyazaki e seu estúdio Ghibli.

Enfim, escrevi mais do que gostaria, mas aí estão minhas apostas para as principais categorias do Oscar. Infelizmente, a maioria dos meu palpites não são aqueles que eu gostaria ver ganhando, mas, mesmo assim, vejo melhores vencedores esse ano que no ano passado. E vocês, em quem apostam?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

6 Crítica: Caça às Bruxas

Season of the Witch
EUA , 2011 - 98 min
Direção:
Dominic Sena
Roteiro:
Bragi F. Schut
Elenco:
Nicolas Cage, Ron Perlman, Christopher Lee


Nicolas Cage em mais um filme sem propósito

Poucos são os atores que conseguem por características próprias ou elementos comuns em todos os seus personagens sem se tornar canastrões. Desse seleto grupo fazem parte nomes como Bill Murray, Jeff Bridges e... Nicolas Cage. No entanto, diferentemente de Murray e Bridges, que apresentam  certo critério na escolha de seus projetos, Cage aceita o que aparece pela frente – vai ver é por causa de suas inúmeras dívidas que, vez ou outra, estampam os jornais.

O resultado é que a cada cinco trabalhos de Cage, quatro são tremendas bombas (dos últimos, só se salvam Kick-Ass - Quebando Tudo e Vício Frenético). E, se você viu o trailer de Caça às Bruxas,  já deve imaginar de qual grupo ele faz parte. 

O filme do diretor Dominic Sena, o mesmo de 60 Segundos, é ruim, bem ruim, mas encontra sua "salvação" em um elemento recorrente nos filmes trash (mesmo não sendo exatamente um): o humor involuntário. Grande parte desse humor é devido a Nic Cage, que, sem hesitar, apresenta novamente as suas já conhecidas expressões faciais – só o que muda mesmo é a peruca da vez. 

O longa, um suspense sobrenatural de época, conta a história dos cavaleiros Behmen (Cage) e Felson (Ron Perlman, mais conhecido como o Hellboy), que, depois de vários anos lutando nas Cruzadas, já não querem fazer parte de toda aquela matança, dão uma de traidores do movimento e abandonam o exército.

Sem muito lugar para ir e com cuidado para não serem identificados – traidores nunca são bem vindos –, os dois acabam em um vilarejo onde vêem de perto a devastação que a peste negra vem causando na Europa. Não demora e eles logo são descobertos e presos. Entretanto, um moribundo cardeal (Christopher Lee, irreconhecível)  faz uma última proposta aos dois guerreiros: escoltar uma (suposta) jovem bruxa (Claire Foy, atriz mais conhecida por trabalhos para a TV inglesa), que, segundo a lógica montypythiana utilizada pela Igreja, é a responspavel por toda aquela desgraça.

O roteiro de Bragi F. Schut até tenta gerar algum mistério em torno da personagem de Foy (se ela é mesmo uma bruxa ou não) e o diretor Dominic Sena faz o mesmo para criar suspense: tudo em vão. A inépcia dos dois (a história nunca envolve e, com exceção de algumas cenas no início, o suspense é inexistente) somada à presença de Cage, que, involuntariamente, é cômica, leva o filme a um resultado totalmente diverso daquele que ele se propõe. Parece que estamos diante de um filme-paródia.

No fim das contas, o que era pra ser um suspense/terror mais parece uma comédia pastelão. Para quem procura alguns sustos ou uma história que cause um mínimo de medo, uma tremenda frustração. Para quem só quer se divertir com a nova peruca do Nicolas Cage, pode ser interessante. 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

5 Crítica: Superbad - É Hoje

Superbad
EUA , 2007 - 114 min.
Direção:
Greg Mottola
Roteiro:
Seth Rogen e Evan Goldberg
Elenco:
Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse


Um divertido "bromance" adolescente

De uns tempos para cá, os “bromances”  ganharam força em Hollywood. O termo (combinação aglutinada de brother e romance) representa aquele  forte sentimento de amizade que surge entre os homens e que, geralmente, é declarado na forma de um “te considero para caramba, cara”.

Superbad – É Hoje, 2007, é um dos primeiros dessa nova safra de comédias sobre amizade masculina que, diferentemente de suas opositoras românticas, tem como principal público alvo os homens. É o que se pode ver em filmes como Eu Te Amo, Cara, Se Beber Não Case (leia a crítica), O Dia da Transa e  o recente Um Parto de Viagem.

Em Superbad, a amizade em questão é a dos “losers” Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera). Amigos desde os oito anos e bem próximos de terminar o colegial, os dois tentam ignorar o fato de que vão se separar no próximo verão – irão para universidades diferentes.

Ao invés de lidar com isso, eles dedicam toda atenção (principalmente Seth) a última possibilidade de conseguir algum sucesso com as garotas antes da faculdade. E para alcançarem tal objetivo precisarão da ajuda de Fogell (Christopher Mintz-Plasse, O Red Mist de Kick-Ass), “nerd” clássico, que com sua identidade falsa – na qual responde pelo discreto nome de McLovin –, comprará algumas bebidas alcoólicas para a dupla. É nessa odisséia adolescente que consiste o filme.

A química entre Hill e Cera é incrível. O primeiro faz o tipo “gordo pervertido” e tem, de longe, as melhores falas (como aquela em que discorre sobre seus desenhos na infância ou do formato do seu pênis na calça jeans mais apertada). Cera, por sua vez, faz o mesmo personagem de Juno, Scott Pilgrim, e Nick & Norah: o nerd calmo e sentimental. Se, por um lado, demonstra pouca (ou nenhuma) versatilidade do ator, por outro, resulta em algo que ele sabe fazer muito bem.

Enquanto foca apenas nesses dois personagens, o roteiro escrito em parceria por Seth Rogen e Evan Goldberg é eficientíssimo. No entanto, o filme perde ritmo a partir da criação de uma trama paralela protagonizada por McLovin e os dois policiais que o tem sob “custódia”. 

Os momentos brilhantes de Hill e Cera passam a dividir espaço com outros de puro tédio, que em nada contribuem à trama. Os policiais, um deles interpretado pelo próprio Rogen, são chatos e caricatos, seguindo aquele esgotado estereótipo norte-americano de “tira babaca”. As piadas perdem a graça. É praticamente outro tipo de humor (um bem pior). E a atuação afetada de Mintz em nada ajuda nesse aspecto.

Mas isso não faz de Superbad – É Hoje um filme ruim. É apenas um contra em meio a tantos prós. A forma natural e sutil com que o diretor Greg Mottola (do bom Férias Frustradas de Verão) trata a  relação de amizade entre a dupla protagonista e o timing cômco desta superam esses pequenos problemas . Não é o filme ideal para se assistir com a namorada. Os amigos seriam a melhor escolha. Nem que seja para, ao final do filme, trocar o “eu te considero para caramba” por um “eu te amo” – mas sem muito contato físico, é claro.