terça-feira, 22 de março de 2011

7 Crítica: Melinda e Melinda

Melinda and Melinda
EUA, 2005 - 99 min.
Direção:
Woody Allen
Roteiro:
Woody Allen
Elenco:
Will Ferrell, Neil Pepe, Radha Mitchell, Chloë Sevigny


Um passatempo leve e inteligente

Em Melinda e Melinda (2004), Woody Allen põe em pauta uma interessante questão: Essencialmente, a vida é uma comédia ou uma tragédia? É sobre tal indagação que um grupo de amigos, dentre os quais dois escritores de teatro – um de comédias e outro de tragédias – discute em um restaurante nova-iorquino.

O que seguia para ser um típico filme de Allen, repleto de diálogos eruditos de teor existencialista, logo se transforma quando um dos amigos dá a seguinte ideia: desenvolverá uma simples premissa a partir da qual os cada um dos escritores deverá dar sua opinião e dizer se se trata de uma comédia ou uma tragédia. A premissa é: uma convidada indesejada, Melinda (Radha Mitchell), chega de surpresa em um importante jantar que acontece na casa de amigos.

As duas versões (uma essencialmente cômica e outra essencialmente trágica) se intercalam de maneira aleatória, bem como os comentários daqueles que as idealizam.

Das duas, a mais divertida, naturalmente, é a cômica, que conta com um Will Ferrell mais contido, como em Mais Estranho que a Ficção (2006) e Estranha Família (2005), interpretando o alter-ego de Allen. O mais interessante, porém, não é qual dos contos é o melhor, e sim como elementos presentes nas duas histórias (um diálogo, uma olhada no espelho) acontecem de maneira diferente, tudo em razão da predominância do cômico ou do trágico.

Foi essa a maneira que Allen pensou para nos dizer algo que até parece óbvio: não existe uma forma definida da vida. A tragédia e a comédia da vida estão nos olhos de quem as vê. E, mais otimista do que em filmes como Igual a Tudo na Vida e Tudo Pode Dar Certo (nos quais chega a conclusões semelhantes), conclui que isso de nada tem importância, pois a vida é uma só e devemos aproveitá-la enquanto há tempo.

Melinda e Melinda é um filme leve e despretensioso (e esquecível também), que, com todo o seu minimalismo, ao fim, faz o público pensar, e faz isso de maneira simples e direta, sem muita enrolação. Afinal, como diz um dos personagens: "viemos aqui para uma noite divertida e relaxante".

7 comentários:

Tiago Britto disse...

É um do Woody que eu nunca vi...acho que depois de sua crítica vou até me arriscar! abs

Bruno Cunha disse...

Tenho saudades de ver um filme de Allen...
Este ainda não vi.


Abraço
Frank and Hall's Stuff

Jack, The Ripper disse...

Acho que é uma das únicas obras de Allen que eu não me animei a ver. Mas, repensando, darei uma chance ao filme.

Mateus Souza disse...

Tiago e Bruno: Vale a pena.

Jack: Tinha essa ideia sobre o filme. Mas acabei dando uma chance.

=]

Luís Azevedo disse...

O Woody Allen é dos maiores génios do cinema e dos que menor rácio de bons filmes tem. Fez duas ou três obras-primas que se perdem no meio de dezenas de filmes aceitáveis.

Wallacy disse...

Gosto muito do Woody, esse filme me ganhou pelo formato muito original. O Will Ferrel não foi muito bem como intérprete do Allen, o mais recente Owen Wilson colocou ele no chinelo! hehe

Abraço!

MOSOFI disse...

Eu gosto de Woody Allen, mas achei esse filme sofrível, até um pouco maçante. O enredo poderia ter sido melhor explorado.
O último filme que eu tinha visto dele, foi o genial, "Meia Noite em Paris". Seria muita covardia ( para o primeiro ), comparar os dois.

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