sexta-feira, 1 de abril de 2011

18 Crítica: Sucker Punch - Mundo Surreal

Sucker Punch
EUA, Canadá , 2011 - 110 min.
Direção:
Zack Snyder
Roteiro:
Zack Snyder, Steve Shibuya
Elenco:
Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino


Fetiche nerd-mor garante ótimas cenas de ação, mas peca por se  levar muito a sério

Em seus primeiros filmes, o americano Zack Snyder trabalhou com histórias de outras pessoas. E não eram quaisquer pessoas. Primeiro, em Madrugada dos Mortos (2004), refilmou o clássico de George E. Romero. Depois, adaptando duas clássicas HQs, 300 (2006) – de Frank Miller – e Watchmen - O Filme (2009), de Alan Moore. Fã de todos esses nomes, Snyder tratou bem o material que tinha em mãos, conseguindo relativo sucesso e ganhando o respeito dos fãs, que se encheram de expectativa com  Sucker Punch, o primeiro trabalho de história original do diretor.

Escrito em parceria com Steve Shibuya, a trama do longa gira em torno de Baby Doll (Emily Browning), órfã que, acusada de assassinato pelo padrasto, vai parar em uma instituição para doentes mentais, onde, em alguns dias, passará por uma lobotomia.

Diante do destino trágico, Baby Doll cria um mundo alternativo em sua mente, no qual o manicômio em que está é, na verdade, um cabaré/prostíbulo de luxo e as outras internas, assim como ela, estão ali sendo exploradas e não tratadas. 

Existe, ainda, um desdobramento desse mundo imaginário, que surge todas as vezes que a garota é intimada a dançar. Nesse mundo, ela conhece seu mentor, vivido por Scott Glen, que, em um templo budista, diz que, para fugir do manicômio, serão precisos cinco coisas: um mapa, uma chave, uma faca, fogo e, finalmente, um propósito.

Assim, sempre que começa a dançar, Baby Doll é transportada para esse segundo mundo imaginário, no qual, com a ajuda das outras meninas (Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens e Jamie Chung), todas lindas e com pouca roupa, lutará contra samurais, orcs, robôs, autômatos nazistas e etc, sempre em busca dos tais itens necessários para a fuga.

É claro que não há absolutamente nenhum sentido nisso tudo, mas não precisa ter. Estamos na mente fértil de uma adolescente e mais importante que algum nexo é o que Snyder pode criar com todos esses mundos imaginários.

É com essa ampla possibilidade criativa que Snyder usa e abusa dos elementos que o fizeram famoso. O visual rebuscado, presente desde Madrugada dos Mortos, e as sequências de ação cheias de pirotecnia e câmeras lentas encontram seu ápice – a luta com os samurais e a sequência no trem são provas cabais que Snyder sabe muito bem criar cenas de ação instigantes.

O bom uso da trilha sonora, outra forte marca do diretor, porém, não é tão marcante quanto em outros trabalhos, e, se funciona nas cenas de ação, fica devendo nas mais dramáticas. 

No entanto, o maior problema de Sucker Punch é o terceiro ato, que vai de encontro a tudo até ali proposto. Diante da estrutura esquemática criada por seu texto, Snyder e Shubuya tentam sair do previsível e acabam errando feio, passando, de maneira pseudo-intelectual, uma desnecessária lição de moral.

Sucker Punch não é um filme ruim. Seu sofrível terceiro ato não compromete tudo construído pelos dois primeiros. Só não gaste muito tempo pensando no final. Principalmente se isso desviar sua atenção da cena de dança que vem com os créditos.

18 comentários:

Anônimo disse...

A historia nao eh boa, mas hey! Tem mulheres, cenas de ação e o melhor de tudo, mulheres!

Alan Raspante disse...

Até que enfim alguém que gostou do filme, rs Também acho que o terceiro ato derruba um pouco filme. Desnecessário a tal lição de moral. Mas, curti o filme. Achei bacana!

Rafael W. disse...

Pelo trailer, não me parece grande coisa, mas Zack Snyder é um diretor em que tenho confiança (ele fez Watchmen, porra!), então, vou dar uma conferida.

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Jack, The Ripper disse...

Anda não vi, mas depois desta crítica acho que vou conferi-lo. No final, acho que vou assistir a película apenas para comentar sobre ela em meu blog.

Ítalo Cruz disse...

Sucker Punch é um filme completo em sua essência, digo mais: é dois filmes em um.
1 filme de ação para os descerebrados que apenas querem curtir belas cenas de bullet-time com lindas garotas lutadoras e ainda um filme com uma história cheia de detalhes (tendo inclusive algumas partes em aberto, para fazer o público pensar mesmo) que pode passar despercebido ao público, uma vez que o mesmo estará deslumbrado com as belas cenas de ação.
Zack Snyder já entrou pro hall dos meus diretores favoritos.

Mateus Souza disse...

Anônimo: Não tenho como discordar, haha.

Raspante: Desnecessária mesmo, mas é isso: um filme bacana.

Rafael: Também gosto muito de Watchmen!

Jack: Comenta e avisa, que dou uma passada lá =]

Ítalo (que assistiu o filme comigo e soltou uma pérola não permitida para o horário): Acho que querer parecer inteligente nem sempre faz do filme inteligente. Acho que isso ocorre em Sucker Punch.

Obrigado a todos pelos comentários!

Celo Silva disse...

Achei o filme uma puta merda...
Muita cenas de apelo visual, para esconder a ruindade da história, mas tem gosto para tudo.
VLw

Bruno Cunha disse...

Basicamente, é entretenimento. Não sei se vou ver este filme de Snyder...

Abraço
Frank and Hall's Stuff

Amanda Aouad disse...

Eu também gostei, Mateus, e concordo com sua observação sobre o terceiro ato. Ele se perde mesmo. Agora, quanto a trilha, acho que envolve, e aquela primeira cena, para mim, foi um primor. Valeu o filme.

bjs

machoemcrise disse...

Não achei tão bom assim, vale a pipoca mas até o estacionamento do cinema vc já se esqueceu do filme.

Gabriel disse...

Faço de suas palavras as minhas, Sucker Punch é um orgasmo visual para o público afoito por cenas de luta ou uma história num cabaret, mas para por aí. Depois que ele quis ser levado a sério demais tentando buscar razão e lições de moral e deixa de lado seu verdadeiro primor, aí que mora o pecado.
Gostei do teu espaço, já estou seguindo. Abraços.

melesofa disse...

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Wallacy disse...

Vi há alguns dias e confesso que me fez pensar bastante depois do final, pensar pra tentar entendê-lo mesmo. Me pareceu não ter muito propósito, as cenas de ação são muito longas, não é meu estilo de filme.

Abraço!

Thiago Priess Valiati disse...

Amigo, agradeço os elogios e os comentários. E por também ter linkado o meu blog.
Um abraço!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Bacana o seu blog.
Cumprimentos cinéfilos!

O Falcão Maltês

disse...

Olá! Adorei seu blog, muito criativo! Também tenho um blog e gostaria que vc desse uma olhada. O endereço é: http://www.criticaretro.blogspot.com/ Passe por lá! Lê ^_^

disse...

Olá! Adorei seu blog, muito criativo! Também tenho um blog sobre cinema e gostaria que vc desse uma olhada. O endereço é: http://www.criticaretro.blogspot.com/ Passe por lá! Lê ^_^

Dilberto L. Rosa disse...

Não criei a menor expectativa comeste filme, especialmente porque sempre considerei o "cinema" desse Snyder algo somente performático e estéril, com efeitos frios e sem profundidade alguma... Tenho "Sucker Punch" no PC e ainda não vi, acreditas?! Mas com tuas boas palavras sobre este filme, aguçou-me a curiosidade! Abraço e apareça!

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